Um mês após intervenção no Rio, falta plano para governo definir orçamento
Diga seu preço Um mês após assumir o comando da segurança pública no Rio, o governo federal ainda não definiu quanto será necessário para financiar as ações dos interventores, nem como os recursos serão obtidos. A equipe econômica do governo não recebeu nenhum pedido dos militares, que estão à frente da operação. O ministro Raul Jungmann quer dinheiro para a nova pasta da Segurança Pública, mas ainda não disse quanto. Ficou de apresentar estudos na próxima semana.
Contra o tempo Na área econômica, a avaliação é de que, quanto mais tempo passar sem uma definição, mais difícil será para os técnicos remanejar os recursos de outros setores do governo para a segurança pública.
Ponta da língua Para responder aos que dizem que o assassinato da vereadora Marielle Franco colocou em xeque a intervenção, aliados do presidente Michel Temer têm discurso pronto. Ou o governo segue com a operação, ou o Rio sucumbe ao crime organizado, dizem.
Palavra empenhada Em encontro com os deputados Hugo Leal (PSB-RJ) e Laura Carneiro (DEM-RJ) nesta sexta (16), o interventor do Rio, general Walter Braga Netto, garantiu prioridade na busca pelos assassinos de Marielle.
Causa própria Para um integrante do Supremo Tribunal Federal, Carlos Marun (Secretaria de Governo) está mais preocupado com o próprio futuro político do que com a defesa do presidente Michel Temer, ao deflagrar ofensiva contra o ministro Luís Roberto Barroso.
Só pretexto Ministros da corte dizem que a intenção de Marun ao sugerir o impeachment do magistrado é ter uma desculpa para deixar o governo, reassumir o mandato na Câmara e entrar em campanha para se reeleger em seu estado, Mato Grosso do Sul.
Foto nova Com um diagnóstico do ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) em mãos, Temer iniciará nos próximos dias uma rodada de conversas com os presidentes de partidos que o apoiam para discutir mudanças no ministério.
Eu voltei Líderes do Congresso falam no nome do senador Edison Lobão (MDB-MA), alvo da Lava Jato, para voltar a comandar o Ministério de Minas e Energia. A hipótese é considerada improvável no Palácio do Planalto.
Martelo batido Uma longa conversa com o senador Aécio Neves e um telefonema do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso selaram a decisão do senador Antonio Anastasia de concorrer pelo PSDB ao governo de Minas Gerais.
Tabuleiro Anastasia, que governou o estado de 2010 a 2014, foi convencido de que é peça fundamental para a campanha presidencial de Geraldo Alckmin.
Fique em casa Aliados do prefeito João Doria preveem participação tímida nas prévias convocadas para definir o candidato do PSDB em São Paulo, no domingo (18). Esperam 10 mil dos 60 mil filiados aptos a votar na disputa, em que Doria é o favorito.
Nem vem Órgãos de controle interno do governo federal se opuseram às novas normas propostas pelo Tribunal de Contas da União para fiscalizar as negociações de acordos de leniência com empresas sob investigação.
Aqui não O que mais os preocupa é a ideia de que fiscais acompanhariam cada etapa das negociações. Hoje, o TCU analisa os acordos sem interferir em fases preliminares. As novas normas ainda estão em discussão.
Intermitente O ex-presidente da Andrade Gutierrez Otávio Azevedo tem batido ponto uma vez por semana numa vara da Justiça Federal. Delator da Lava Jato e condenado a 18 anos de prisão, cumpre pena em regime domiciliar e vai até o local ajudar a organizar os processos.
TIROTEIO
O crime parece minuciosamente planejado para espalhar medo. É um ato de força de quem vive e lucra nas sombras da violência.
DE RENATO SÉRGIO DE LIMA, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, sobre o assassinato de Marielle Franco e suas consequências para a intervenção no Rio.
CONTRAPONTO
Balas de festim
Na quarta (14), em campanha para ser indicado para uma das vagas do Conselho da República, o deputado Capitão Augusto (PR-SP) ofereceu balinhas aos colegas, todas com seu nome e a legenda “Bancada da bala”.
Ao ser presenteado, Ivan Valente (PSOL-SP) brincou com o colega:
— Isso é captação de sufrágio, proibido por lei! E não sei se é doce ou de chumbo…
O parlamentar do PSOL preferiu não tirar a dúvida a limpo e guardou o mimo no bolso.
Apesar do esforço, Capitão Augusto não conseguiu convencer os colegas. Ficou como suplente do colegiado.
RICARDO BALTHAZAR (interino), com THAIS ARBEX e JULIA CHAIB