Na Fazenda, missão de Barbosa é reanimar economia sem abandonar ajuste
Contagem regressiva O relógio joga contra o novo ministro da Fazenda. Com a espada da deposição assombrando a presidente da República, Nelson Barbosa tem três meses para apresentar uma solução que reanime a economia sem estourar a política fiscal de viés restritivo. O governo já atua em medidas para tirar o PIB do coma antes da decisão do Congresso sobre o afastamento de Dilma Rousseff. “Não trocaremos o ajuste pelo impeachment”, diz Jaques Wagner (Casa Civil).
Corra, Lola, Corra Dilma resolveu agir rápido na troca de turno da equipe econômica porque, nos últimos dias, passou a ser fortemente pressionada a colocar Henrique Meirelles na Fazenda.
Papai sabe tudo Nelson Barbosa deve dominar os debates do grupo que define a política de gastos do governo. Além do ministro da Fazenda, fazem parte da chamada Junta Orçamentária Jaques Wagner (Casa Civil) e Valdir Simão (Planejamento). Nenhum dos dois é economista.
Escudeiro Em uma recente reunião com executivos de bancos, Levy soltou o seguinte comentário, referindo-se a Dilma: “Ninguém está defendendo ela”.
Tesourinha Pesou na decisão de conduzir Valdir Simão para o Ministério do Planejamento um estudo feito por ele, meses atrás, sobre corte de gastos. O material preparado propunha redução de despesas com aluguéis e imóveis.
Eu? Simão tomou um susto quando recebeu, na própria sexta-feira, a informação de que seria convidado para assumir a nova pasta.
Muy amigo Apesar de ter sido secretário-executivo da Casa Civil nos tempos de Aloizio Mercadante, Simão e o atual ministro da Educação não se bicam muito.
Tô na moda Sondado pela cúpula do PMDB para o Planejamento, o senador Romero Jucá (RR) reagiu à oferta da seguinte maneira: “Estão me aplaudindo nas ruas justamente pelas críticas ao governo”, disse, segundo relatos.
Primeiro-ministro O senador José Serra (PSDB-SP) conversou com Aécio Neves, presidente da sigla, e propôs colocar na pauta de apoio a um eventual governo Michel Temer a mudança do regime presidencialista para o parlamentarista.
Chama os jedi 1 Após a confirmação da indicação de Nelson Barbosa, corria a piada no mercado financeiro de que Dilma entrou no clima de Guerra nas Estrelas.
Chama os jedi 2 Depois de “Uma Nova Esperança” vem agora o “Império Contra-Ataca” —uma referência aos dois primeiros filmes da saga.
Esquerda, volver O dólar, como esperado, disparou. A avaliação inicial de investidores é que a escolha de Barbosa significa uma guinada à esquerda do governo.
Canelada De Lucio Vieira Lima (PMDB-BA), sobre a mudança e a declaração de Jaques Wagner, de que “quem banca a política econômica é Dilma”: “Não adianta trocar ministro. Até o governo já confessa que, das pedaladas à inflação, a culpa é dela.”
Vitória de Pirro Mesmo com a anulação da comissão do impeachment pelo Supremo —e a necessidade da indicação de novos nomes para o grupo— o retorno de Leonardo Picciani à liderança do PMDB pode não ter valido de nada.
Próximo round Isso porque a definição ficará para 2016, o que dá tempo para que os favoráveis à deposição de Dilma elejam um aliado na disputa pelo posto de líder da bancada prevista para fevereiro.
Vem comigo Daí os acenos do governista Picciani em direção à ala pró-impeachment, com a promessa de repartir as vagas a que o partido tem direito no colegiado inclusive com a oposição.
TIROTEIO
Barbosa sempre foi o ‘plano A’. Levy só serviu como boi de piranha de um ajuste inviável e protelatório para satisfazer o mercado.
DO DEPUTADO SILVIO TORRES (PSDB-SP), secretário-geral do partido, sobre a troca de Joaquim Levy por Nelson Barbosa no Ministério da Fazenda.
CONTRAPONTO
É que me escapuliu
Em seu último ato como chefe da Controladoria-Geral da União, o ministro Valdir Simão —que seria anunciado poucas horas depois como novo titular do Planejamento— participou ao lado de Dilma Rousseff da cerimônia de assinatura da medida provisória sobre acordos de leniência. Ao anunciá-lo, o mestre de cerimônias trocou a denominação de seu cargo:
—Ouviremos agora as palavras do coordenador-geral da União —disse, para risos de todos, inclusive de Dilma.
Simão, que, junto com os colegas, mantinha o novo cargo em sigilo, deixou escarpar:
—Eu li isso como uma promoção, presidenta…