PT teme que críticas de dirigentes a Dilma contaminem bases do partido

Painel

Rastilho de pólvora A cúpula do PT teme que as críticas feitas por dirigentes do partido ao ajuste econômico de Dilma Rousseff se espalhem para entidades como a CUT e ampliem o distanciamento do governo com as bases da sigla. Petistas afinados com o Planalto já preveem uma discussão acalorada na reunião do diretório nacional em Minas, no início de fevereiro. Dirigentes que ficaram sem cargo no governo até agora ameaçam engrossar o coro contra as medidas do ministro Joaquim Levy (Fazenda).

Gasolina Petistas já reclamam internamente que a distribuição de vagas no segundo escalão vai recompensar apenas os outros partidos da base, em uma tentativa de angariar votos para Arlindo Chinaglia (PT-SP) na disputa pela presidência da Câmara.

Luz de velas Além de turbinar a criação de uma nova CPI da Petrobras, a oposição tentará instalar também uma CPI do sistema elétrico.

Antipetista José Sarney (PMDB-AP) tem demonstrado amargura em relação ao apoio de petistas ao governo de Flávio Dino (PC do B) no Maranhão. “Eles sempre trabalham contra nós”, disse, segundo um interlocutor.

Ecumênico Comandado pelo tucano Geraldo Alckmin, o governo paulista recorreu até ao petista Luiz Marinho, prefeito de São Bernardo, para que o governo federal libere recursos prometidos para a linha 18 do Metrô, no ABC.

Muito prazer Em meio à crise de abastecimento de água que atinge o Estado, Alckmin adotou como estratégia nos últimos dias visitar cidades a que não tinha ido no primeiro mandato.

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‌Um brinde Depois de se submeterem juntos a um check-up, o governador do Rio, Luiz Pezão (PMDB), e o técnico Joel Santana celebraram o bom resultado dos exames com um tour regado a chope e conversa com amigos por alguns dos mais badalados botecos do Rio.

Me dê motivo Para tentar evitar dissidências no PSDB, Julio Delgado (PSB-MG) tem dito que a falta de apoio maciço dos tucanos à sua candidatura à presidência da Câmara dará munição à ala pessebista que trabalha para que o partido volte à base aliada do governo Dilma.

Magoou Vislumbrando um segundo turno entre Arlindo Chinaglia e Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a cúpula tucana vai tentar costurar um apoio irrestrito ao peemedebista. A eleição presidencial de 2014 destruiu qualquer possibilidade de voto no PT.

Cabo de guerra Chinaglia telefonou para Michel Temer na quinta-feira para avisar que, em provocação a Cunha, citaria a atuação do vice-presidente na disputa. O peemedebista de fato procurou o vice para se queixar da declaração do rival petista.

Faz um DDD Eduardo Cunha e um grupo de 15 aliados vão passar a semana telefonando para praticamente todos os deputados que votarão na eleição, no domingo. Os principais alvos do grupo serão os novatos, eleitos pela primeira vez em outubro.

Sem regime Cunha marcou para hoje dois almoços de campanha ao mesmo tempo, em São Paulo. Os restaurantes ficam a quatro quilômetros de distância.

Resta um Os coordenadores da campanha de Cunha fazem disputa velada pela liderança da bancada, caso ele se eleja. Pleiteiam o cargo Manoel Jr. (PB), Lucio Vieira Lima (BA), Danilo Forte (CE) e Leonardo Picciani (RJ).

Esfinge Cunha evita manifestar preferência pela mesma razão pela qual tem calado sobre cargos na Mesa: escolher um significa desagradar vários —e perder votos.


TIROTEIO

A ausência de Alckmin em uma reunião para discutir a crise hídrica é sintomática de um governo que foge de suas responsabilidades.

DO VEREADOR PAULO FIORILO, presidente do PT paulistano, sobre reunião de prefeitos com a secretaria de Recursos Hídricos, pedida por Fernando Haddad.


CONTRAPONTO

A dieta do governador

Famoso por não recusar um cafezinho, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), também costuma oferecer guloseimas para auxiliares em reuniões no Palácio dos Bandeirantes. No início do ano, propôs chocolates ao secretário de Desenvolvimento Social, Floriano Pesaro, que tentou recusá-los sem ser deselegante.

—Estou de dieta, governador. Quero tentar chegar na sua idade nesta boa forma… —brincou.

Alckmin retrucou, deixando o secretário sem escolha:

—Então pode comer, sim, porque comi chocolate minha vida inteira!