Huck procura DEM, relata medo de ser traído e pede conselho sobre candidatura

Salto no escuro Fernando Henrique Cardoso não foi o único político procurado por Luciano Huck. Após consultar o cardeal tucano, o apresentador reativou pontes com as cúpulas de partidos que, em algum momento, acenaram à sua candidatura ao Planalto, como o DEM. A todos, externou dúvida profunda. Pediu conselhos e ouviu que as decisões mais difíceis são aquelas que se tomam na solidão. Disse ter medo de se lançar e depois ser traído. Se quiser disputar, avisaram, terá que abraçar o risco.

Ser ou não ser A amigos, Huck tem dito que muda de opinião sobre se candidatar à Presidência “pelo menos umas cinco vezes por dia”.


Sem garantias O apresentador confessa ter medo de “entrar numa aventura” e, depois de já ter saído da Globo, “puxarem seu tapete”, acabando sem contrato com a emissora e sem a eleição.

Como gelo Huck falou com ao menos três caciques do DEM nos últimos dias. Ouviu deles que Rodrigo Maia (DEM-RJ) é, agora, o plano A da sigla. Foi aconselhado a ter sangue frio porque, especialmente nesta eleição, as alianças só se definirão na antevéspera do prazo, em agosto.

Cego em tiroteio A grande preocupação do apresentador é que o PPS, sozinho, não tem tempo de TV ou recursos suficientes para dar a ele condições confortáveis na disputa. Ele também sabe que seria alvo de cobertura austera da Globo, que tem feito de tudo para se distanciar publicamente do impasse.

Tenho lado Representando o Ministério Público do Paraná em um evento oficial, o procurador de Justiça Olympio de Sá Sotto Maior Neto decidiu encerrar seu discurso em tom político e bradou um “Fora, Temer!” no palco.

Tenho lado 2 Ele fez a fala na semana passada, dia 2. Procurado, disse que trabalha com direitos humanos e que fez a declaração por considerar que as políticas Michel Temer não são benéficas para a área. “Não posso tratar do tema e me retirar da sociedade em que vivo.”

Sua circunstância Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF, estava visivelmente tenso antes de decidir que destino daria ao habeas corpus impetrado por Lula. Amigos do ministro, que fez aniversário nesta semana, disseram que ele recebeu um “presente de grego”.

Sobre todos Ao remeter a discussão do recurso contra a prisão do ex-presidente ao plenário, Fachin não só reduziu as chances de uma vitória do petista como também dividiu a pressão com os colegas. Acabou sobrecarregando as duas ministras da corte.

Voz delas O foco agora está na presidente do Supremo, Cármen Lúcia, que terá que pautar a ação, e principalmente em Rosa Weber, que ainda não deixou claro se manterá posição contra a prisão após condenação em segunda instância.

Guerra fria É minuciosa a disputa entre o vice-governador Márcio França (PSB) e o prefeito João Doria (PSDB) por apoio na corrida pelo governo de SP. Após aliados do tucano reunirem 53 prefeitos num ato, a turma do pessebista alardeou que pouco antes ele havia encontrado chefes de 16 cidades –entre elas três das mais populosas.

Quem manda Aliados do governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) trabalham para contrariar Doria e empurrar a realização das prévias na disputa estadual para abril. Um dos pré-candidatos, Luiz Felipe d’Ávila defende essa tese publicamente.

Pedágio O PR avisou ao Planalto que só vota a Previdência se indicar um novo nome para a vice-presidência de Fundos e Loterias da Caixa.

Histórico Deusdina dos Reis, que ocupava o posto na cota da sigla, foi afastada sob suspeita de barganhar um cargo na Cemig em troca da liberação de dinheiro da Caixa para a estatal.


TIROTEIO

Depois de vestir a jaqueta, Alckmin radicaliza querendo vender a Petrobras. Foi advertido por Parente, que a privatiza em silêncio.

DO DEPUTADO CARLOS ZARATTINI (PT-SP), após Geraldo Alckmin (PSDB) dizer que a Petrobras poderá ser privatizada, e Pedro Parente, da estatal, rebatê-lo.


CONTRAPONTO

A cartomante 

O próprio José Sarney escreveu sobre a personagem. Então governador de Minas, Magalhães Pinto reuniu apoiadores em Araxá, no início de 1964, para falar de sua campanha à Presidência. A comitiva aproveitou para conhecer uma famosa vidente da cidade, Maria do Correio. Depois de tirar as cartas, ela vaticinou:

— Encontra-se nesta sala um futuro presidente.

Todos olharam para Magalhães, mas ela apontou para Sarney –à época, deputado federal. Vinte e um anos depois, durante sua posse, o emedebista se deparou com o filho do homem que havia lhe apresentado a vidente.

— Como vai a nossa querida Maria do Correio?!