PT avalia que crítica a Moro estimulou corporativismo e prega trégua

Ato de rendição Após sucessivas derrotas na Justiça e uma série de sinais desfavoráveis vindos de ministros do Supremo, o PT fez uma autocrítica e rendeu-se à conclusão de que os pesados ataques ao juiz Sergio Moro despertaram um sentimento corporativista em todo o Judiciário. A sigla decidiu baixar armas e evitar provocações na tentativa de recriar um ambiente mínimo de diálogo com o STF, última trincheira em que pode investir para evitar a prisão e a inelegibilidade do ex-presidente Lula.

Na sacristia Integrantes da direção do partido deram início a conversas com os poucos ministros do STF com quem o PT ainda tem alguma interlocução.

Roleta russa A legenda não acreditava que o relator da Lava Jato no Supremo, Edson Fachin, pudesse conceder habeas corpus a Lula e, por isso, depositou todas as esperanças na segunda turma.

Roleta russa 2 O colegiado que analisa as ações da Lava Jato tem maioria garantista e com tendência contrária à prisão após condenação em segunda instância.


Ocupa Depois de Lula ter dito em ato após sua condenação que, se o tríplex era dele, o MTST tinha autorização para invadi-lo, apoiadores do petista organizaram ato, neste sábado (3), em frente ao edifício Solaris, no Guarujá.

Hora H A direção nacional do MTST define neste fim de semana se levará adiante as negociações com o PSOL para lançar Guilherme Boulos, coordenador do movimento, à Presidência.

Bode na sala Tucanos acreditam que aliados de Geraldo Alckmin passaram a propagar a ideia de que o vice-governador Márcio França (PSB) poderia ir para o PSDB para ser candidato ao Palácio dos Bandeirantes com um objetivo: mandar recado a João Doria (PSDB-SP) de que há resistência ao nome dele.

O mensageiro O próprio Alckmin sondou tucanos há cerca de três meses para saber o que achavam da filiação de França ao partido.

Cerco fechado O corregedor nacional de Justiça, João Otávio de Noronha, determinou, no início de janeiro, que o juiz Glaucenir Silva de Oliveira dê explicações sobre o áudio em que fez acusações ao ministro Gilmar Mendes, do STF, após ele conceder um habeas corpus a Anthony Garotinho.

Cerco fechado 2 Noronha também solicitou informações à Corregedoria-Geral da Justiça do Rio e ao Tribunal Regional Eleitoral do Estado. Quer saber se ambos estão apurando o caso. No despacho, deu prazo de cinco dias para o recebimento de todas as informações.

Cerco fechado 3 Determinação semelhante foi feita pelo ministro Napoleão Nunes Maia Filho, corregedor-geral da Justiça Eleitoral. Ele cobrou no dia 19 de janeiro um relato sobre “as providências que tenham sido tomadas” pelo TRE, “com a brevidade que o caso requer”.

Ganha-ganha Dois diretores da EBC que aderiram ao Programa de Desligamento Voluntário receberão cerca de R$ 200 mil de rescisão, mas devem ser recontratados em cargos comissionados com um salário mensal de R$ 20 mil. A manobra está prevista nas regras do PDV –que ambos ajudaram a aprovar.

Nome aos bois Lourival Antonio de Macêdo, diretor de Jornalismo, e Luiz Antonio Duarte Moreira Ferreira, diretor de Administração, Finanças e Pessoas tornaram-se alvo de representantes dos funcionários da EBC na Comissão de Ética da Presidência.

Nada consta A EBC informou que os diretores poderão ser recontratados pois ocupam cargo de confiança. A empresa afirmou que a Comissão de Ética avalizou movimentação semelhante em outras ocasiões e que as regras do PDV teriam sido aprovadas mesmo que os dois eles não tivessem votado.


TIROTEIO

Em um país onde falta tanta moradia, o Judiciário cria seu telhado de vidro com benefícios para passar do teto constitucional.

DO DEPUTADO ESTADUAL MARCELO FREIXO (PSOL-RJ), sobre penduricalhos dos juízes não entrarem na conta do teto salarial dos servidores: RS 33,7 mil.


CONTRAPONTO

Melhor do que nada?

Michel Temer participou na quinta-feira (1º) da abertura do Ano Judiciário, no STF. O emedebista acompanhou o evento ao lado da presidente do Supremo, a ministra Cármen Lúcia, e dos chefes do Legislativo e do Ministério Público Federal.

Ao final da solenidade, Temer deixou o local rumo ao Palácio do Planalto. Quando saia, foi abordado por jornalistas que queriam falar com ele. Diante da recusa, os repórteres insistiram:

— Presidente, por favor, dê apenas uma palavrinha.

Como quem faz um grande gracejo, respondeu:

— Uma palavrinha!