Em última tacada para diminuir rejeição à reforma, governo fará leva de propagandas pró-Previdência

Vencer pelo cansaço Numa última tacada para reduzir a rejeição à reforma da Previdência, o governo Michel Temer vai veicular a partir do dia 5 de fevereiro uma nova rodada de propagandas em defesa das novas regras. Três filmes serão produzidos para a televisão, além de peças para as redes sociais. A ofensiva terá como mote um chamado à data em que o Planalto pretende levar o texto a votação: “O Brasil precisa da reforma porque você precisa. 20 de fevereiro: dia de salvar a Previdência”.

Cabo de guerra Aliados do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), dizem que, hoje, o grande embate entre ele e o governo se dá em torno do momento em que as regras de aposentadoria devem ser colocadas em votação. O Planalto diz que a data está marcada. Maia responde que só pauta o projeto se tiver certeza de que ele passa.

Geni O democrata confidenciou a pessoas próximas que teme ser responsabilizado caso a reforma naufrague.

Carta na manga O governo tem, hoje, 364 obras prontas e ainda não inauguradas para tentar melhorar a popularidade de Michel Temer. São 196 unidades básicas de saúde e 103 conjuntos habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida.

 

Corda estourou Após o vídeo protagonizado pela deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ), líderes da base vão sugerir ao ministro Carlos Marun (Secretaria de Governo) que o governo peça ao PTB para indicar outro nome à chefia do Ministério do Trabalho.

Junte-se a eles O prefeito João Doria (PSDB) anuncia nesta terça (30) a revisão de sua posição sobre as regras para aplicativos de transportes. Ele deve liberar a circulação de carros com até oito anos de uso, independentemente da data do registro, e com placas do Estado de SP —os de fora serão proibidos.

 

Injeção na testa Fernando Barros, dono da agência Propeg, é um entusiasta da candidatura de Nizan Guanaes a deputado federal: “Faço a campanha dele de graça!”.

Ouviu minha voz… O ministro Luís Roberto Barroso, do STF, comentou o rumoroso artigo do professor Conrado Hübner Mendes, publicado pela Folha, no domingo (28). O titular da USP afirmou que o Supremo abandonou o papel de moderador e assumiu o de tensionador.

… e minha súplica “Toda instituição democrática deve estar preparada para a crítica honesta e corajosa. E deve ter a humildade de se repensar, naquilo em que a crítica for procedente”, respondeu Barroso.

Exceção é regra O primeiro juiz que recebeu a ação movida por Marcelo Bretas e outros quatro magistrados que queriam acumular com os companheiros o recebimento de auxílio-moradia declarou-se impedido. Motivo: era autor de ação idêntica.

Exceção é a regra 2 Assim como Bretas, da Lava Jato no Rio, Theophilo Miguel Filho foi à Justiça em 2014 ao lado de quatro colegas para obter o direito de embolsar a verba mesmo morando com pessoa que também recebia o benefício. Eles conseguiram.

É comigo? Os juízes que autorizaram os embolsos deixaram vacinas em suas decisões a questionamentos sobre se poderiam analisar o assunto. A Constituição diz que só o STF pode arbitrar temas em que todos os membros da magistratura sejam “direta ou indiretamente interessados”.

Quatro paredes Tanto a juíza que autorizou o pagamento ao grupo de Bretas como o magistrado que permitiu o benefício ao de Miguel Filho alegam que o impasse só aflige a parcela dos juízes alvo da restrição do CNJ.

Em tuas mãos O temor de pessoas próximas a Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, é que ele seja alvo de uma operação. Por isso o recurso a Gilmar Mendes, do STF.


TIROTEIO

Isso mostra que o partido se comporta como um peixe recém-pescado. Quanto mais se bate a esmo, mais acelera a própria agonia.

DO DEPUTADO JOSÉ CARLOS ALELUIA (DEM-BA), sobre fala da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, de que a condenação de Lula foi “eminentemente política”.


CONTRAPONTO

Quem quer dinheiro?

Logo depois da exibição de sua entrevista no “Programa Silvio Santos”, na noite de domingo (28), o presidente Michel Temer ligou para o dono do SBT.

Agradeceu pelo espaço e pela “força” que o apresentador deu no ar para a reforma da Previdência.

Antes de desligar, Temer brincou:

— Você foi tão bem, Silvio, que da próxima vez vou levar R$ 100 pelo seu ‘Quanto Vale o Show’.

O presidente fazia referência ao fato de, no fim de sua participação no programa, ter imitado uma das atrações do dono do SBT, sacando uma nota de R$ 50 do bolso e entregando a Silvio Santos.