Odebrecht acredita ter antídotos para barrar interferência de Marcelo nos negócios do grupo

Por Painel

Trancado para fora Vários fatores fazem a Odebrecht confiar nos antídotos criados para frustrar eventuais investidas de seu ex-presidente, Marcelo, para voltar a interferir nos negócios do grupo. Ainda que agora cumpra pena em casa, a colaboração premiada o proíbe de retornar às empresas. Seu pai, Emilio, deixará a presidência do conselho de administração e anunciou que ninguém da família poderá ocupar o cargo. Além disso, monitores externos que vigiam a empreiteira estão de olho nele.

Não ultrapasse Contratados pelo Departamento de Justiça dos EUA e pelo Ministério Público Federal, os advogados que fiscalizam a Odebrecht têm dedicado atenção especial ao comportamento dos delatores e aos mecanismos criados para mantê-los longe do grupo.

Lição de casa Em dezembro, os monitores apresentaram a autoridades do Brasil e dos EUA seu primeiro relatório, com análises sobre riscos existentes e recomendações para aperfeiçoamento de controles internos. O próximo relatório sai em 2018.

Isolamento Para quem conhece a Odebrecht por dentro, o que mais inibe Marcelo é a falta de amigos. Antigos aliados foram afastados do grupo. Muitos sentiram-se traídos por ele ao serem envolvidos nas negociações do acordo de delação.

Dependente Na tentativa de conseguir a prisão domiciliar, advogados do deputado Paulo Maluf (PP-SP) disseram ao juiz da vara de execuções penais que avalia o caso que, sem o auxílio dos companheiros de cela, ele não se levanta da cama nem do vaso sanitário.

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Singular Maluf usa fraldas, tem uma doença degenerativa na coluna e câncer na próstata. Segundo seus defensores, o parlamentar é o único preso de 86 anos no sistema carcerário do DF.

Grão de areia Os dados mais recentes do Ministério da Justiça mostram que havia apenas 230 presos com mais de 70 anos de idade em todo o país em 2015. Entre as mulheres, eram somente 18.

Quem dá mais Advogados de pré-candidatos divergem sobre os limites para autofinanciamento das campanhas em 2018. A dúvida é se o teto corresponderá a 30% da renda do candidato, ou 30% dos gastos de campanha. O STF vai analisar a questão.

Tenho dito O governador Geraldo Alckmin (PSDB) começou a enviar recados mais duros aos aliados. Avisou que não vai abrir mão de conduzir sua sucessão em São Paulo e que tem o Estado como ponto de partida para o arranjo de seu palanque nacional.

Missão dada Com isso, o tucano tenta frear 1) a proliferação de especulações sobre data e formato de eventuais prévias, 2) a multiplicação de pré-candidaturas ao governo do Estado e 3) o fogo amigo sobre seu vice e potencial aliado, Márcio França (PSB).

Levanta e corta A cúpula do governo do Rio Grande do Norte viu jogada casada entre o Tesouro e o Ministério Público de Contas no veto ao socorro financeiro de R$ 600 milhões para o Estado.

Mirem-se O RN é um exemplo do risco de descontrole nas contas previdenciárias. No Estado, cada servidor na ativa sustenta um inativo. Mesmo com a menor folha de comissionados, as contas com aposentadoria explodiram nos últimos três anos.

Tá dominado O governo decidiu tirar o gás do debate sobre pré-candidaturas da base ao Planalto para tentar recolocar a reforma das aposentadorias no centro das conversas. “Com a Previdência, a eleição é uma. Sem, é outra”, diz Moreira Franco.

Teleguiado O Planalto retoma as conversas na próxima semana, em pleno recesso. “Temos que usar as contribuições do Graham Bell e do Steve Jobs para fazer isso”, conclui Moreira.


TIROTEIO

Meirelles é um grande quadro, e o partido tem respeito por ele, mas nunca houve uma conversa. Sobre filiação no DEM, não.

DO SENADOR AGRIPINO MAIA (RN), presidente do DEM, sobre as notícias de que Henrique Meirelles cogita migrar para sua sigla para disputar o Planalto.


CONTRAPONTO

Temos nosso próprio tempo

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) encurtou o recesso e, um dia após o Natal, marcou evento nesta terça (26) para divulgar a consulta pública sobre a chamada parceria público-privada dos trilhos, em São Paulo.

O assunto que interessava à imprensa, porém, era a eleição de 2018. Interrogado sobre o cenário em seu partido, lançou uma de suas mais típicas frases:

—Existem dois tipos sempre ansiosos: os políticos e os jornalistas…

Como não despistou ninguém, saiu-se com essa:

— Nós não entramos ainda em 2018, né? Temos ainda uma semana pela frente…