Presidente do Senado e dirigente da sigla de Temer, Eunício usa evento do governo para exaltar Lula

Por Painel

Verdadeira face O presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), usou o palanque cearense do maior ato do Minha Casa, Minha Vida já promovido pelo governo de Michel Temer para exaltar Lula. Durante discurso na entrega de imóveis em Canindé (CE), ele afirmou que “muitas vezes as pessoas não compreendem o que é política”, mas “se não fosse um pernambucano sofrido, se não fosse esse nordestino chamado Luiz Inácio Lula da Silva, não teríamos a transposição das águas do rio São Francisco”.

Meu rei O elogio ao petista ocorreu durante o mutirão nacional do MCMV, organizado pelo Planalto para entregar 22.500 unidades em todo o país. Ao lado do governador Camilo Santana (PT), Eunício disse que a transposição foi um “presente de Deus e de Lula” –um “nordestino comprometido com a sua gente”.

Teste de DNA O presidente do Senado discursou por pouco mais de 15 minutos, mas não citou o nome de Temer nenhuma vez. Tampouco avisou que o evento era promovido pelo atual governo. Ele foi aplaudido todas as vezes que mencionou Lula.

Nem aí “Faço política com ‘P’ maiúsculo. Estou aqui em parceria, sem medo daqueles que possam nos criticar, sem receio de absolutamente nada”, encerrou Eunício.

Lá e cá Lula fez um aceno ao mercado quando disse que não quer ser visto como “radical”. A fala foi uma contrapartida. Há cerca de dois meses, representantes de grandes investidores procuraram a senadora Gleisi Hoffmann (PR), presidente do PT, para uma conversa.

Mais que palavras A sigla viu o gesto como um sinal de que o mercado poderia ter decidido reavaliar o impacto de uma eventual eleição de Lula em 2018. Mas o encontro ocorreu antes de o TRF-4 marcar o julgamento do ex-presidente –o que voltou a cercar o pleito de dúvidas.

Quem dá mais Advogados e ministros que conhecem os trâmites do TRF-4 arriscam que o voto de ao menos um dos três desembargadores será pela absolvição de Lula.

Vai ter luta O PT bateu martelo e decidiu lançar o ex-ministro Celso Amorim candidato ao governo do Rio. O presidente do partido no Estado, Washington Quaquá, avisou que quer ser candidato ao Senado no lugar de Lindbergh Farias.

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Por você… Apesar de irritado com a fome de Jair Bolsonaro por cargos no partido, o presidente do Patriota, Adilson Barroso, cogita se licenciar do comando da sigla para que o filho do presidenciável, Flávio Bolsonaro, a assuma. Prometeu decidir nesta sexta (22) se topa a troca.


Sem fundo “Ele [Bolsonaro] quer ser dono de partido. Mas não precisa disso para ter a garantia de que será candidato. Tem a minha palavra… Só vou disputar a deputado federal”, diz Barroso.

Passar bem Na nota em que desmentiu qualquer aceno a Bolsonaro, o PSL/Livres disse que o deputado “representa o autoritarismo e a intolerância (…), sendo a antítese completa das nossas ideias”.

Padrinho mágico O presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), é hoje o principal entusiasta de uma candidatura de Rodrigo Maia (DEM-RJ) ao Planalto com o apoio do centrão.

Carros e bois A cúpula do DEM tem se irritado com as sucessivas insinuações do MDB e agora do próprio presidente Michel Temer de que ele pode concorrer à reeleição em 2018. Acham que isso interdita a construção, a sério, de outro projeto.

Fogo de palha Embora tenha dito que vai concluir o mandato e ficar na prefeitura até 2020, pessoas próximas a João Doria garantem que nada mudou. Até março ele decide se deixa o cargo para disputar o comando do governo do Estado –ou algo mais– na eleição de 2018.


TIROTEIO

Meirelles tem que descer do palanque. Quer correr atrás de votos para a Previdência ou para a candidatura? Assim, atrapalha tudo!

DO DEPUTADO MARCUS PESTANA (MG), secretário-geral do PSDB, sobre os gestos que o ministro da Fazenda tem feito para viabilizar seu nome em 2018.


CONTRAPONTO

Cadê a câmera escondida?

Durante debate sobre “fake news” no Conselho de Comunicação Social do Senado, dia 12, Rodrigo Cebrian, documentarista e diretor de TV, começou sua fala com um agradecimento pelo convite:

— Quando fui chamado a participar do seminário, pensei até que fosse uma ‘fake news’ em si. Recebi um e-mail sob o tratamento de ‘ilustríssimo’ para falar no Senado Federal!

— Achei tudo meio estranho. Corri para checar as informações e era verdade mesmo. Avisei minha mulher e minha filha, que duvidaram! Minha credibilidade não anda muito boa em casa!