Meirelles atua para evitar rebaixamento de nota do Brasil, mas recebe sinalização pessimista

Por Painel

Expectativa frustrada Henrique Meirelles (Fazenda) passou parte dos últimos dias falando com agências de classificação de risco na tentativa de evitar um rebaixamento da nota brasileira. Segundo relatos de pessoas próximas, o ministro sentiu que o adiamento da votação da reforma da Previdência acabou com qualquer expectativa de que a proposta seja aprovada em 2018. E, sem ela, os olhos dos analistas se voltaram aos perdões de dívidas e isenções aprovados pelo Congresso nas últimas semanas.

Onde pega Há preocupação de que o pacote de bondades afete a arrecadação do governo, o que contribuiria para a imagem de uma economia mais frágil.

Efeito cascata A dificuldade do governo em articular sua base também fez com que analistas do mercado passassem a duvidar da viabilidade de uma candidatura de centro. As apostas hoje estão centradas em cenários que projetam a disputa pela Presidência entre Lula (PT), Jair Bolsonaro (PSC) e Marina Silva (Rede).

Vira, virou O Planalto trabalha para reverter o clima de descrença e pediu para os ministros encurtarem o recesso. A ideia é intensificar as articulações pró-reforma a partir do dia 15 de janeiro.

A postos Relator do texto da nova Previdência, Arthur Maia (PPS-BA) tem dito que vai tirar apenas duas semanas de folga. Pretende voltar a Brasília no início de janeiro para retomar as negociações em torno das regras para a aposentadoria.

Estamos prontos A Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal se reúne na quinta( 21) para propor novas mobilizações contra a reforma. A direção da entidade quer panfletagem nos aeroportos e na frente de residências de parlamentares.

Homem a homem Luiz Carlos Macedo, da direção da Condsef, quer também espalhar outdoors nos Estados para apontar os que votam pela nova Previdência com palavras de ordem como “se botar para votar, o Brasil vai parar”.

Nem queria Aliados do governador Geraldo Alckmin dizem que ele já se convenceu de que uma aliança com o PMDB está praticamente descartada. O grupo do tucano começa a se armar, pois diz ver sinais de que o partido do presidente Michel Temer fará de tudo para fragilizar a candidatura do PSDB.

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Só eles? Nesse cenário, ganha corpo no tucanato o discurso de que ficar sem o PMDB, quem tem como principal ativo seu tempo de propaganda eleitoral na TV, não é necessariamente ruim. A tese parte do princípio de que a legenda de Temer teria ficado estigmatizada pelas denúncias sobre sua cúpula.

Calcanhar de Aquiles O deputado estadual José Américo (PT-SP) recolhe desde a semana passada assinaturas para tentar abrir uma CPI do Rodoanel. Até agora, conseguiu o apoio de 18 colegas. Precisa de 32.

Meu padrinho Márcio França (PSB) se apresentará na campanha pelo governo de São Paulo como “o vice de Alckmin”. Segundo pesquisas, o vínculo com o tucano agrega pontos ao socialista.

Fominha Eduardo Suplicy (PT-SP) incomodou correligionários ao ir na quarta (13) ao lançamento informal da candidatura da vereadora Juliana (PT-SP) ao Senado. Como ele próprio quer concorrer à Casa, o gesto foi visto como uma tentativa de abocanhar os dois espaços disponíveis na chapa.

De fora O comitê gestor do Simples Nacional resolveu excluir os contadores da lista de atividades que poderiam se enquadrar no MEI, o programa de microempreendedores individuais.

Bom para mim A decisão caiu nas graças da Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis mas, para os críticos, acabou restringindo a concorrência.


TIROTEIO

O candidato da base pode não ter o nome de Temer tatuado na testa, mas trará no corpo todas as marcas do governo do retrocesso.

DO DEPUTADO PAULO TEIXEIRA (PT-SP), sobre a avaliação de Rodrigo Maia de que, em 2018, o nome governista não defenderá o presidente, mas as reformas.


CONTRAPONTO

Coordenador de colônia de férias sofre…

Na sessão do Senado de quinta-feira (14), o presidente da Casa, Eunício Oliveira (PMDB-CE), colocou uma série de projetos em votação para encerrar o ano. Em meio ao esforço concentrado, Paulo Rocha (PT-BA) avisou que não havia acordo a respeito de três itens da pauta.

— Se não há consenso, vou retirá-los — consentiu o cearense.

Vitorioso, o senador petista desandou a conversar com os colegas. Tomou um puxão de orelha bem-humorado do presidente.

— Senador Paulo Rocha, eu vou colocar os projetos na pauta de volta! — disse Eunício, que emendou:

— Brincadeira! O último dia é dia de descontração.