Governo Temer vai alardear resultados da reforma agrária e pedir comparação com era petista

Por Painel

Arar a terra… Numa tentativa de começar a melhorar a imagem de Michel Temer e preparar o terreno para 2018, o Planalto vai alardear resultados da gestão do peemedebista em uma seara muito vinculada ao PT: a reforma agrária. O governo incluirá dados sobre a emissão de títulos de propriedade rural em sua série de propagandas. Números do Incra apontam que a distribuição de áreas a pequenos agricultores mais do que dobrou em relação ao governo Dilma Rousseff: cerca de 14 mil, só em 2017.

Acredite se quiser O comparativo de Temer diz que, em 2013, Dilma distribuiu 6.665 títulos de propriedade. Em 2006, na era Lula, 6.821. No último ano da petista, 2015, 1.632. Os números serão usados nas peças “Pare e Compare”, que apresenta feitos do pós-impeachment.

Nova frente O roteiro está sob os cuidados do marqueteiro de Temer e do PMDB, Elsinho Mouco. Cabe a ele a missão de minimizar a rejeição ao presidente e ampliar o capital do governo para 2018.

Nada de bom pega Publicitários que fazem estudos para pré-candidatos ao Planalto dizem que a missão de Mouco é quase impossível. Pesquisas qualitativas feitas por eles indicam que a rejeição a Temer tornou-se sólida.

Geni Nas palavras de um marqueteiro, é como se reprovar o presidente fosse “politicamente correto”.

Entre nós Os ministros Mendonça Filho (Educação) e Torquato Jardim (Justiça) conversaram informalmente sobre a polêmica a respeito de ações da PF em universidades. Com jeito, o primeiro disse que o combate à corrupção é prioridade, com respeito aos marcos legais.

Ossos do ofício Desde que assumiu o posto, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), mudou-se com a família para a residência oficial da Casa, em Brasília. Há alguns dias foi obrigado a deslocar todo mundo. Descobriu uma infiltração e passou a usar o local só para reuniões políticas.

Copo meio cheio Com a perspectiva de condenação de Lula, líderes de partidos alinhados ao PT dizem que a pulverização de candidaturas pode abrir caminho para a criação de um frente similar à do Uruguai, que reú- ne siglas de esquerda e organizações da sociedade civil.

Para o futuro A defesa da candidatura do petista à Presidência continua sendo a principal pauta do PT para o próximo ano, mas a avaliação é que Manuela D’Ávila (PC do B), Ciro Gomes (PDT) e Guilherme Boulos, que pode ser candidato pelo PSOL, ajudarão a construir o pós-Lula.

Junto e misturado Os defensores da tese querem organizar uma grande coalização que reúna partidos, sindicatos, movimentos sociais, intelectuais e artistas em torno de um programa único.

O x da questão Presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira diz que, com Lula inelegível, “haverá um grau de insegurança muito grande para aqueles que desejarem apoiá-lo no primeiro turno”.

A força do povo De olho em Joaquim Barbosa, Siqueira pondera que, caso não consiga filiar o ex-presidente do STF, sua sigla fará ampla “avaliação política e eleitoral” para escolher um aliado. A reação da população à eventual condenação de Lula pesará na decisão do partido.

X

Dá liga O vice-governador de São Paulo, Márcio França (PSB), tem dito que é muito possível que o PC do B o apoie na disputa pela sucessão de Geraldo Alckmin no Estado em 2018. Seria uma reedição do “bloquinho”, grupo que, na era petista, reuniu PSB, PC do B e PDT na Câmara.

Tudo menos isso Economistas que têm participado de reuniões com Jair Bolsonaro (PSC-RJ) dizem que ele deveria votar a favor da nova Previdência. O pré-candidato resiste.


TIROTEIO

O tempo é amigo e inimigo: trabalha contra, pois as eleições se aproximam, mas permite uma maior conscientização da sociedade.

DO DEPUTADO ARTHUR MAIA (PPS-BA), relator da reforma da Previdência na Câmara, sobre o adiamento da votação da proposta para fevereiro de 2018.


CONTRAPONTO

Tenho que manter a minha fama…

O governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) foi a Mogi das Cruzes (SP), na quinta (14), acompanhar o início das obras de duplicação da rodovia Pedro Eroles, conhecida como Mogi-Dutra.

Questionado por jornalistas sobre uma possível candidatura à Presidência, ele só despistava. Os repórteres decidiram, então, tentar uma abordagem diferente:

— Governador, há alguns meses o senhor disse que só seria candidato à presidência do Santos Futebol Clube, mas agora o time já elegeu um presidente…

O tucano nem cogitou descer do muro:

— Pois é, perdi essa oportunidade!