Adiamento de votação fortalece lobby de Judiciário e procuradores por reforma da Previdência amena

Por Painel

Água entre os dedos O adiamento da votação da reforma da Previdência deu fôlego ao lobby de corporações por mudanças que amenizem o impacto do texto sobre os servidores públicos. Na manhã desta quinta (14), pesos-pesados do Judiciário foram à residência do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), pedir por uma regra de transição para quem ingressou no funcionalismo antes de 2003. Ministro do STJ, Marco Aurélio Bellizze esteve no local em nome da Associação dos Magistrados Brasileiros.

De dupla O ministro do STJ foi à reunião acompanhado do presidente da ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República), José Robalinho Cavalcanti. O STJ é responsável pelo julgamento de algumas autoridades com foro, como governadores. Congressistas ficam com o STF.

Recado dado Além de Bellizze e Robalinho, participaram da conversa o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil), o secretário de Previdência da Fazenda, Marcelo Caetano, e o relator da reforma, Arthur Maia (PPS-BA).

Deu jogo Procurado, Bellizze disse ter saído do encontro com a sensação de que “o caminho para o diálogo está aberto”. Robalinho afirmou que foi convidado por Maia. Horas depois da reunião, o relator da reforma admitiu que uma revisão no projeto para os que ingressaram antes de 2003 está em gestação.

Quem são? Servidores que entraram antes de 2003, hoje, se aposentam com o salário integral e ainda incorporam os reajustes concedidos a quem está na ativa.

Só para a foto Empresários convocados ao Planalto na terça (12), um dia antes de Romero Jucá (PMDB-RR) anunciar o adiamento da votação das novas regras para aposentadoria, ficaram irritados com o movimento. Dizem que, agora, o PT terá dois meses para detonar a proposta.

Minha parte Pré-candidato ao governo de SP pelo PSDB, Luiz Felipe d’Avila vai patrocinar uma campanha a favor da nova Previdência. A partir desta sexta (15), espalhará banners defendendo a proposta pela Esplanada dos Ministérios, em Brasília.

Então é Natal Pessoas próximas a Lúcio Funaro esperam que ele deixe a Papuda na segunda (18). Ele viajará direto para São Paulo, onde vivia com a família.

Virou zona Um advogado do Rio Grande do Norte protocolou no TSE, na terça (12), ofício em que registra a intenção de disputar prévias no PSDB com o governador Geraldo Alckmin (SP) para ser candidato a presidente.

Duas vias José Geraldo Forte também entregou o documento no diretório nacional tucano, em Brasília. Diz que, “por meio das prévias para a escolha do nosso candidato em 2018”, o PSDB “alcançará unidade nunca antes vista em um partido na história da política brasileira”.

Nada consta Ao negar mais um pedido de suspeição feito pela defesa do ex-presidente Lula, o juiz Sergio Moro negou ter recebido qualquer remuneração para participar de um evento da Petrobras, dia 8. Disse que a estatal pagou apenas passagens e hospedagem.

Marca registrada Mesmo sob forte pressão jurídica, Lula começou a convidar quadros próximos a ele para ajudar em seu plano de governo. O ex-ministro Nelson Barbosa será um dos responsáveis pela parte de economia.

Expansionista Presidente do PDT, Carlos Lupi avalia com cautela os efeitos que uma eventual condenação do petista surtiriam na candidatura de Ciro Gomes ao Planalto. Sua sigla quer lançar candidatos majoritários em todos os Estados. Gabriel Chalita será sondado para o Senado ou o governo de SP.


Pelas beiradas Por enquanto, o PDT só vislumbra alianças com o PT em três Estados: Bahia, Ceará e Piauí.


TIROTEIO

Votar contra a reforma é votar contra o Brasil. Em fevereiro, a nova Previdência precisa ser aprovada. A nação não pode mais esperar.

DE PAULO SKAF, presidente da FIESP, sobre a votação das novas regras de aposentadoria ter sido adiada para 2018 por falta de apoio na Câmara.


CONTRAPONTO

Dose do próprio veneno

No momento em que o Senado deliberava o nome de Christianne Dias Ferreira para a direção da Agência Nacional de Águas, na quarta (13), Renan Calheiros (PMDB-AL) avisou a Eunício Oliveira (PMDB-CE) que estava com problemas para votar.

— Caí em uma armadilha do sistema digital — disse o alagoano, ex-comandante da Casa.

— Feito por Vossa Excelência! — rebateu Eunício.

— Exatamente… Mas eu estou tentando mudar o meu voto, e não consigo, senhor presidente!

— É que, por determinação sua, ainda presidente, em votação secreta, por segurança, não se muda voto!