PT faz estudos sobre eleitor de Bolsonaro; deputado se tornou ‘ideia poderosa’, dizem aliados de Lula

Por Painel

Mapa da guerra A consolidação de Jair Bolsonaro na segunda colocação das pesquisas sobre a disputa de 2018 fez com que o PT encomendasse uma série de levantamentos para decifrar o potencial daquele que, ao menos por enquanto, desponta como o principal rival de Lula. Os petistas admitem que “a ideia que ele representa” tornou-se poderosa com a agudização da crise: uma pauta moral, com apelo entre evangélicos e cuja bandeira do combate à violência a qualquer custo é o abre-alas.

Cerco O mapeamento encomendado pelo PT inclui pesquisas qualitativas, quantitativas e análises de redes sociais. Os dados mostraram Bolsonaro com força no Rio e em Estados com tradição no agronegócio. Seu eleitor é engajado e está alheio a qualquer estrutura partidária.

Radicais livres Bolsonaro conta com uma rede de divulgadores que se dispõe a tirar dinheiro do próprio bolso para organizar atos e fazer propaganda das plataformas dele. O estudo indica que a base do deputado tem capilaridade em diversos setores vinculados à segurança.

X da questão Para se contrapor a Bolsonaro, a direção petista está à procura de um projeto para a redução da violência que tenha efetividade, mas não esbarre no autoritarismo.

Braços do povo Algumas propostas de Lula para a área econômica estão praticamente fechadas. Ele defenderá a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5.000.

Custo-benefício Para aliados do ex-presidente o impacto na arrecadação será pequeno e a medida ampliará o poder de compra de fatia expressiva da população.

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Pé na estrada Jair Bolsonaro vai ao Amazonas nos dias 12 e 13 de dezembro.

Ponta do lápis Sub-relator de assuntos financeiros da CPI da JBS, Hugo Leal (PSB-RJ) quer rever critérios para o cálculo de multas aplicadas pelo Cade a empresas que cometeram irregularidades.

Não compensa Leal já apresentou um projeto sobre o tema na Câmara. Diz que a multa tem que ser alta o suficiente para dissuadir o potencial infrator. “Ele tem que ter conhecimento de que será punido por valor nunca inferior à vantagem auferida com a irregularidade.”

Somente só A convenção do PSDB deste sábado (9) ratificou a sensação de isolamento dos tucanos. Aliado histórico, o DEM faltou à festa. A deputada Cristiane Brasil (RJ), que representou o PTB e o pai Roberto Jefferson, deixou o ato antes de Geraldo Alckmin discursar.

Dois pés no chão Alckmin reconheceu as desconfianças sobre sua viabilidade na disputa de 2018 em seu discurso e prometeu reação. Também deu sinais de que não deixará Jair Bolsonaro (PSC-RJ) navegar sozinho na pauta da segurança pública.

De A a Z Pesquisas encomendadas pelos tucanos apontam segurança e saúde como prioridades. A pauta do combate à violência dialoga com todo o eleitorado, do mais pobre ao mais rico.

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Cara e crachá Em reunião recente com Michel Temer, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), viu o peemedebista receber uma lista com o número de votos a favor da reforma da Previdência. Perguntou: “Te entregaram os nomes?”.

Nua e crua O democrata explicou em seguida: “Número não adianta. Para saber se o levantamento está certo, temos que ver quem é quem”. O Planalto quer saber se recebeu dados inflados.

Novo front Após patrocinar forte mobilização para barrar projeto no Senado, a Uber inicia campanha contra trechos do decreto que regula o aplicativo na capital paulista. Um terço dos 150 mil motoristas que atuam na cidade podem ter que parar de rodar.


TIROTEIO

Na tentativa de aprovar a Previdência a todo custo, Temer qualquer dia chama de volta o Rodrigo Rocha Loures, com mala e tudo.

DO DEPUTADO MIRO TEIXEIRA (REDE-RJ), sobre o Planalto devolver cargos aos deputados infiéis para tentar aprovar as mudanças nas regras de aposentadoria.


CONTRAPONTO

Bloqueio criativo 

O deputado Carlos Manato (SD-ES) presidia sessão extraordinária da Câmara no último dia 29 quando chegou o momento de passar a palavra ao Major Olímpio (SP), um colega de partido que dias antes havia ganhado destaque na imprensa por ter hostilizado o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, durante uma cerimônia de formatura de agentes penitenciários.

— Deputado Major Olímpio, vossa excelência tem a palavra, mas não pode falar nem do Alckmin nem da Polícia do seu Estado!

Em uma reação bem-humorada, Olímpio admitiu:

— Mas assim vou acabar ficando sem assunto!