Defesa de Cunha diz que PGR falseou tradução de documentos da Suíça e pede que TRF investigue

Por Painel

O diabo nos detalhes A defesa de Eduardo Cunha sustenta em apelação ao TRF que a PGR falseou a tradução de documentos enviados pela Suíça para fazer com que o peemedebista respondesse por evasão de divisas. Os advogados perceberam que outro réu deixou de ser acusado do delito porque a prática não é crime naquele país. Decidiram enviar os papéis do exterior a três peritos, que apontaram erro na versão dos procuradores. O equívoco teria viabilizado a condenação do ex-deputado pela transgressão.

Letra miúda Os advogados de Cunha, Pedro Ivo Velloso e Ticiano Figueiredo, sustentam que o ex-deputado foi condenado pelo delito em primeira instância porque o juiz disse não ter identificado “com clareza” qualquer condicionamento da Suíça à acusação de evasão de divisas.

Letra miúda 2 Os defensores contrataram tradução juramentada de três peritos para esclarecer trecho que trata do assunto. Na transcrição da PGR, a Suíça autoriza o Brasil a processar e julgar o acusado “pelos crimes por ele cometidos na Suíça”. Já na dos especialistas, “pelas infrações que lhe são imputadas na Suíça”.

Ele decide “A falsa tradução favorece a percepção inverídica de que a Suíça não teria condicionado a investigação a infrações tipificadas em sua legislação”, dizem os advogados. Eles pedem ao relator da Lava Jato no TRF, João Pedro Gebran Neto, que suspenda julgamento do recurso e abra apuração sobre o caso.

Prepara A CPI da JBS tem na manga um pedido de condução coercitiva do ex-chefe de gabinete da Procuradoria-Geral da República Eduardo Pelella, caso ele não compareça no dia 22 à comissão para prestar depoimento.

Para lembrar A convocação de Pelella, braço direito de Rodrigo Janot, foi aprovada pela CPI no dia 31 de outubro. Em setembro, o procurador já havia sido convidado a falar na comissão, mas não aceitou o pedido.

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Vai ter luta A oposição na Alerj quer forçar a abertura de processo na Comissão de Ética contra Jorge Picciani (PMDB-RJ), preso nesta quinta (16). O grupo sabe que não têm número para manter o presidente da Casa encarcerado, mas quer desgastá-lo.

Do zero A comissão, porém, nem sequer foi instalada na Alerj.

Dois coelhos O presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), indicou o deputado Alexandre Baldy (GO) para a chefia do Ministério das Cidades. Baldy vai se filiar ao PP no dia 25 e é próximo a Rodrigo Maia (DEM-RJ). O presidente Michel Temer avalia o nome.

Esquece Líderes da base já enviaram recados ao Planalto de que as mudanças na Esplanada dos Ministérios não serão suficientes para alavancar a aprovação da reforma da Previdência.

Quem perde Os deputados avaliam que há risco de a Câmara assumir o ônus das mudanças e o Senado depois engavetar a proposta para não enfrentar o tema em ano eleitoral.

 

Melhor não Um dos roteiros da campanha publicitária do governo sobre a nova reforma da Previdência batia nas altas aposentadorias do Judiciário. Palacianos barraram o script de imediato. Argumentaram que, assim que fosse ao ar, uma liminar judicial seria baixada para suspender a veiculação da peça.

Prepara o terreno Presidente do Conselho Nacional do Sesi, João Henrique de Almeida Sousa esteve com Temer no Planalto, na segunda (13). O peemedebista consultou o correligionário sobre a Secretaria de Governo. Sousa tem forte relação com o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil).

Nosso nome Líderes da base aliada na Câmara, porém, declaram apoio a Carlos Henrique Menezes Sobral, chefe de gabinete da pasta.


TIROTEIO

O Congresso tem o dever de avançar no debate do fim do foro, sob pena de não poder reclamar daquilo que abriu mão de construir.

DE EFRAIM FILHO (DEM-PB), relator da proposta que acaba com a prerrogativa, sobre a retomada do debate na Câmara às vésperas de o Supremo analisar o tema.


CONTRAPONTO

Propaganda eleitoral gratuita

Em sessão do Senado na segunda (13), Cristovam Buarque (PPS-DF), que vai se licenciar do mandato, fazia um discurso em defesa do ensino profissionalizante e da necessidade de capacitar os jovens antes do ensino superior. Dirigiu-se a Roberto Muniz (PP-BA) para elogiá-lo por tese semelhante.
— A sua fala tem sido aqui sempre na defesa dessa ideia de eficiência. Espero que continue. Recentemente, falei e escrevi que a eficiência é progressista…
Muniz não perdeu a chance:
— Agradeço! Especialmente porque o meu partido é justamente o ‘Progressistas’! — brincou.