Em embate velado com Maia, Temer vai fazer forte aceno ao mercado financeiro após denúncia

Por Painel

Ao sabor da plateia Com a expectativa de enterrar nesta quarta (25) a última denúncia de Rodrigo Janot, Michel Temer quer fechar a semana com um forte aceno ao mercado financeiro. Até sexta (27), além de alardear o resultado dos leilões do pré-sal, vai editar a MP de privatização da Eletrobras. As ações serão casadas com o discurso que o presidente fará após o juízo da Câmara. Dirá que não haverá paralisia e que vai retomar a agenda de onde parou quando explodiu a delação de Joesley Batista.

Soa como música Temer sabe que o apoio do PIB é um dos pilares de sua sustentação no Planalto. É a esse nicho que faz aceno agora, quando precisa mostrar força em seu embate com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), pela condução da pauta econômica.

Ninguém viu O peemedebista vai reforçar a comunicação do governo para ressaltar ações que implementou e que avalia terem se perdido. Sua equipe credita o fenômeno ao monopólio da discussão na mídia sobre as duas denúncias das quais ele foi alvo.

Estranho no ninho O presidente, que patrocinou lei facilitando a emissão de títulos de propriedade rural, pediu ao deputado Paulinho da Força (SD-SP) que o leve em um assentamento nas próximas semanas.

Rir para não chorar Temer aparenta estar mais leve e chega a fazer graça da própria impopularidade. Ao final de reunião nesta terça (24), Paulinho pediu para fazer uma foto com ele. “Viu como eu estou melhorando?”, respondeu. “Até você quer fazer foto!”

Planilha Em jantar com os líderes da base aliada, no Alvorada, segunda-feira (23), Temer repassou os votos dos 513 parlamentares.

Pequeno gesto O governo montou duas frentes de negociação com a base. Aos mais fiéis, os agrados. Aos que não querem se expor, pediu que marquem presença para alcançar o quorum de votação e deixem o plenário.

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Para o saco O ministro Ricardo Lewandowski, do STF, rejeitou o pedido de abertura de investigação preliminar feito pela PGR sobre o suposto esquema montado pela JBS para tentar comprar decisões no STJ por meio da advogada Renata Araújo, filha da desembargadora Maria do Carmo Cardoso.

Quero saber A solicitação de investigação foi feita por Raquel Dodge após a presidente do STJ, Laurita Vaz, pedir que o caso fosse esclarecido. Três ministros da corte foram citados em mensagens da advogada. O caso foi publicado pela “Veja”.

Explique-se A defesa do ex-presidente Lula entrou com uma representação na OAB de São Paulo questionando o fato de a Lava Jato ter quebrado o sigilo telefônico de Glaucos da Costamarques para levantar as ligações feitas entre ele e o escritório Teixeira, Martins e Advogados, do qual era cliente.

Levantou poeira O pedido é para que a ordem apure a responsabilidade dos envolvidos e faça um desagravo em favor dos advogados.

Elefante na sala O impasse entre Aécio Neves (PSDB-MG) e Tasso Jereissati (PSDB-CE) nem sequer foi abordado em almoço da bancada tucana no Senado, nesta terça (24). Os dois decidiram tratar do caso, a sós, em um jantar.

Já era tempo Aliados de Geraldo Alckmin comemoraram o lançamento do site anunciando sua pré-candidatura à Presidência. Esperavam uma ofensiva do governador frente aos movimentos do prefeito de São Paulo, João Doria. Avaliam que a reação demorou, mas foi acertada.

Aguarde e confie Doria sempre faz questão de repetir duas frases quando fala de seu futuro na política: “Estamos no jogo” e “adversidade só me anima”.


TIROTEIO

Só se a comissão encontrou essa situação em outro país, porque, no Brasil, a Previdência Social é, sim, altamente deficitária!

DO SENADOR GARIBALDI ALVES FILHO (PMDB-RN), ex-ministro da Previdência, sobre relatório do senador Hélio José (Pros-DF) que sustenta não haver déficit.


CONTRAPONTO

Prioridades

A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado ouviu quatro convidados em audiência pública nesta terça (24) sobre projeto que prevê a redução da maioridade penal. Diretora da ONG Human Rights Watch no Brasil, Maria Laura Canineu agradeceu o convite a Edison Lobão (PMDB-MA), presidente da comissão.

— Queria agradecer também os meus colegas de mesa, colegas de trabalho e os movimentos presentes…

— Eu iria agradecer os demais parlamentares presentes, mas, infelizmente, não temos mais parlamentares. O senador contou que eles estão cansados da matéria.

Vanessa Grazziotin era a única na sessão.