Ministro Marco Aurélio, do STF, conclui voto sobre prerrogativa da PF para firmar acordos de delação

Por Painel

Direitos iguais Marco Aurélio Mello, do STF, concluiu o voto sobre a ação que questiona a prerrogativa da Polícia Federal para firmar acordos de delação. O ministro já deu indícios em plenário de que é favorável ao aval para a corporação fechar colaborações. A peça será liberada para pauta semana que vem e promete mobilizar o universo de investigação no país. Foi a Procuradoria-Geral da República que levantou a questão e apontou inconstitucionalidade, numa tentativa de travar negociações da PF.

Passa a bola Caberá à presidente do STF, Cármen Lúcia, a definição da data para o julgamento. “Queremos acelerar a apreciação do tema e definir a queda de braço”, disse Marco Aurélio.

Freud explica No dossiê que o Planalto elaborou sobre a delação de Lúcio Funaro estão destacados trechos em que o doleiro faz observações sobre a personalidade do presidente Michel Temer. Elas vão no sentido oposto à imagem que Joesley Batista traçou do peemedebista.

Quem é você? Funaro, que assume nunca ter sido próximo do presidente, diz que “Temer não é uma pessoa de fazer pressão”. “Ele não é um ‘player’ como era o Cunha, de pressionar e chegar e pôr na mesa”, avalia. Joesley disse mais de uma vez que o presidente “não tinha cerimônia” para pedir dinheiro.

Fominha O relatório sobre os vídeos de Funaro também destaca trecho em que ele fala do ex-ministro Geddel Vieira Lima. “O Geddel… eu acho que ele não dividia o que recebia, está errôneo”, avalia Funaro. “Não posso afirmar que, do dinheiro que eu repassei, ele deu parte para o Temer.”

Piscar de olhos Pessoas próximas ao doleiro indicam que ele pode deixar a prisão em dezembro deste ano ou, no máximo, janeiro de 2018.

Em ação Com a perspectiva de ter, desta vez, menos do que os 263 votos que salvaram Temer da primeira denúncia, o Planalto montou uma operação para convencer os deputados contrários ao presidente a não irem votar.

Deus nos acuda O pior cenário para Temer seria um placar com mais votos contra do que a favor. Ainda que seja insuficiente para levar a denúncia adiante –o que demandaria 342 votos–, resultado tão adverso denotaria extrema fragilidade.

Dano colateral No minuto seguinte à votação da denúncia, dizem aliados de Temer, ele precisará reavaliar sua base e a equipe ministerial. Até para forçar o presidente a fazer uma reforma, integrantes do centrão estimulam defecções controladas.

CEO Um resultado mais enxuto obrigaria o peemedebista a ceder espaços. É nessa seara que cresce a teoria de que, em acordo com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), Temer deveria optar por uma gestão compartilhada com o Congresso.

Escolha seu lado Líder do PMDB na Câmara, o deputado Baleia Rossi (SP) diz que, passada a votação, o Planalto tem que governar com a nova base. “Não dá para aceitar que aqueles que votarem contra continuem com as benesses do governo.”

Sonho meu Líderes do PT começaram a defender que o partido lance a dupla Fernando Haddad e Eduardo Suplicy ao Senado no ano que vem. A avaliação é a de que, assim, haveria chances de o partido conquistar as duas vagas de SP.

A regra é clara Caso o senador Aécio Neves (MG) renuncie à presidência do PSDB, o partido terá 24 horas para definir um substituto. O estatuto determina que a escolha se dê entre os vices.

Vamos juntos Tasso Jereissati (CE), que hoje comanda a sigla interinamente, é um dos oito vices, mas a ala que apoia Aécio avisa que, se ele cair, atuará para o cearense não herdar o posto.


TIROTEIO

É uma demonstração do machismo baixo e vulgar, até porque a mulher também produz testosterona, só não é a nossa prioridade.

DA EX-SENADORA HELOÍSA HELENA (REDE-AL), sobre Ciro Gomes (PDT-CE) ter dito que a eleição à Presidência de 2018 precisará de hormônio masculino.


CONTRAPONTO

Cacique Cobra Coral

No plenário da Câmara, na quinta-feira (19), o deputado Evair de Melo (PV-ES), que presidia a sessão, fez um pedido no mínimo inusitado ao passar a palavra ao colega Bohn Gass (PT-RS):

— Concedo a palavra ao deputado Bohn Gass. E aproveito para fazer um apelo: autorize aquela chuva do Rio Grande do Sul a subir de novo. Quero que ela vá para o Espírito Santo!

Antes mesmo de o colega responder, Melo decidiu ampliar a demanda:

— Aliás, é um apelo que eu estou fazendo a todos os parlamentares gaúchos! Dividam um pouco conosco!