CPI acerta depoimento de ex-diretor da J&F e vai tentar usá-lo para expor o ministro Edson Fachin

Por Painel

Com quem andas? Relator da Lava Jato, Edson Fachin está na mira da CPI da JBS. O colegiado marcou para a próxima semana o depoimento do ex-diretor de relações institucionais da J&F, Ricardo Saud. Hoje delator, ele teria auxiliado Fachin a contatar parlamentares em 2015, quando o ministro foi submetido a uma sabatina no Senado para poder assumir a cadeira no STF. Integrantes da comissão já têm em mãos trecho do autogrampo de Joesley Batista em que ele e Saud citam o magistrado.

Aperitivo O nome de Fachin aparece em contexto confuso na conversa de Saud com Joesley. O ex-diretor da J&F diz que vai “fazer igual Fachin (…)” e “beber até 5 horas da manhã”.

Menu principal Integrantes da CPI decidiram pressionar Saud a explicar sobre o que estava falando e se fazia referência a um suposto jantar de Fachin com Joesley quando o ministro estava em campanha para o STF.

Data venia Quando surgiram as especulações sobre a ajuda de Saud a Fachin, o ministro afirmou, em nota, que não contou com o auxílio de qualquer empresa ou grupo em seu processo de indicação ou de confirmação para o cargo de ministro do STF.

Quase foi Na véspera da votação que devolveu o mandato a Aécio Neves (PSDB-MG), aliados do tucano procuraram dirigentes do Senado com o discurso de que, para garantir a derrubada da decisão do STF que o afastou do Congresso, ele toparia se licenciar da Casa.

Quase foi 2 A proposta foi descartada no momento para evitar desmobilização de aliados. Agora subiu no telhado por conta da ofensiva de Tasso Jereissati (PSDB-CE), que cobrou a renúncia de Aécio da presidência do partido.

É bom, mas custa O PT lançará uma campanha para arrecadar doações para as caravanas do ex-presidente Lula. O esforço é parte de uma mudança na estratégia do partido, que decidiu rever a forma de buscar recursos. Passará a fazer pedidos focados em grandes temas.

Estreia A vaquinha será lançada nesta sexta-feira (20), na reunião da Executiva da sigla. Haverá mobilização nas redes a partir da próxima semana, com imagens da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, de líderes petistas e das viagens de Lula.

Meu tempo O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), continuará atuando em frentes aparentemente opostas na relação com o Planalto. Ele não atrapalhará a tramitação da denúncia contra Michel Temer, mas vai impor sua própria pauta.

Slogan O grupo alinhado ao democrata diz que, daqui para frente, ele tem que ser o “CEO do Brasil”. Temer, dizem, assumiria “a presidência do conselho”.

Menos Maia tem dito que não deixará de dialogar com a oposição. Esta semana, conversou com Renan Calheiros (PMDB-AL). O senador, aliás, vive drama familiar. Renan Filho, governador, prega que o pai seja mais ameno com o presidente, mas ele segue subindo o tom.

Faz a hora O governador Geraldo Alckmin (PSDB) aproveitou a polêmica em torno da decisão de João Doria de incluir a farinata na agenda da prefeitura de SP para ressaltar o “Bom Prato”, programa estadual que oferece refeições a R$ 1. Autorizou a abertura de restaurantes em três cidades.

Minha raia Nos últimos dias, o prefeito fez uma série de gestos ao establishment político. Deu declarações a favor de Temer e chegou a falar contra a necessidade de Aécio Neves (PSDB-MG) renunciar à presidência do PSDB.

Olhai além Com isso, Doria tenta recuperar terreno entre os que se assustaram com seu distanciamento de Alckmin e afastar a pecha de que não seria confiável.


TIROTEIO

A Câmara e o Senado anteciparam o terror do Halloween e aumentaram irresponsavelmente a sensação de falta de coesão e rumo no país.

DO SENADOR CRISTOVAM BUARQUE (PPS-DF), sobre congressistas devolverem o mandato a Aécio Neves e votarem pelo arquivamento da denúncia contra Temer.


CONTRAPONTO

Professor Girafales 

Um grupo de crianças da cidade de Posse, interior de Goiás, visitou o Congresso nesta quinta (19). No Salão Verde, a monitora pediu ao deputado Rogério Rosso (PSD-DF), que havia acabado de dar uma entrevista, que tirasse uma foto com as crianças. O parlamentar disse que topava, mas só se respondessem a algumas perguntas. Prometeu doces para quem acertasse.

— Quem é o governador de Goiás?

Uma das crianças respondeu de imediato:

— É o JK, o Juscelino Kubitschek!

— Não! É o Marconi Perillo (PSDB), mas todo mundo vai ganhar chocolate!