Aécio volta ao Senado sob pressão para renunciar ao comando do PSDB; sigla está perto de implodir

Por Painel

Barril de pólvora Aécio Neves (PSDB-MG) não deve esperar uma recepção calorosa de parte de seus correligionários na volta ao Senado. Logo após a votação que lhe devolveu o mandato, ala do tucanato reativou a cobrança para que ele renuncie à presidência do partido –da qual já está afastado. O mineiro encontrará uma sigla ainda mais dividida e conflagrada. A dúvida é se, pessoalmente combalido, terá condições de evitar a implosão da legenda na análise da denúncia contra Michel Temer.

Crise existencial Integrantes do PSDB começaram a questionar se o partido “ainda faz sentido”. O grupo que defende a manutenção do apoio ao governo diz que a sigla está acéfala. Há quem pregue que um colegiado dos seis governadores assuma o controle.

Trava Os governistas são contra a renúncia de Aécio. Ponderam que a saída do mineiro do comando da legenda abriria definitivamente o caminho para a reeleição de Tasso Jereissati (PSDB-CE), da ala anti-Temer.

#Gratidão Aécio ligou para agradecer aos senadores que votaram a favor da devolução de seu mandato. Um dos primeiros a receber o telefonema foi o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR).

#Tamosjuntos O parlamentar de Roraima foi ao Senado com os pontos de uma cirurgia de diverticulite no corpo. A pessoas próximas, justificou o sacrifício. Disse que se não aparecesse para defender o retorno de Aécio, os tucanos ficariam mudos.

Não me pertence O ex-senador Delcídio do Amaral, que foi preso por ordem do STF em 2015 e teve o encarceramento chancelado pelo plenário, protestou. “Se eu tivesse sido flagrado pedindo dinheiro, talvez ainda fizesse parte do Senado. O tempo de Deus haverá de fazer justiça!”

Bola da vez Delcídio foi acusado de obstruir as investigações. Ele avalia que “o desfecho do caso Aécio vai salvar a todos os partidos” e mostra a reação da política. “Vai sobrar para o PT. Mais especificamente para o Lula.”

Sai do forno A deputada Tereza Cristina (PSB-MS) apresenta o relatório do Funrural na terça (24). Contemplará demanda dos ruralistas: vai permitir a opção de contribuição à previdência por desconto em folha ou sobre a receita bruta da produção.

Volte sempre Após o último embate entre Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Michel Temer, a senadora Katia Abreu (PMDB-TO) organizou novo jantar para o presidente da Câmara, nesta terça (17). O encontro seria na casa de Alexandre Baldy (Pode-GO).

Qual é a dele? Integrantes do mercado financeiro estão tentando entender o que Maia pretende com seus atritos com o governo. Até Henrique Meirelles (Fazenda) foi indagado sobre o assunto.

Óleo de peroba Mesmo após ter admitido que o contrato que firmou com a J&F serviu de cortina de fumaça para pagamento de propina, Lúcio Funaro insistirá na ação em que cobra dinheiro do grupo por serviços prestados na fusão de frigoríficos.

Para toda obra Em sua delação, o doleiro diz que Joesley Batista propôs usar o contrato para justificar notas frias antigas. No final de setembro, a Justiça de São Paulo condenou a J&F a pagar R$ 16 milhões a Funaro, mesmo com a alegação do grupo de que o documento era fictício.

 

Tudo ele Eduardo Cunha (PMDB-RJ) ironizou as dezenas de menções que Funaro, seu ex-operador, faz a ele na delação. Disse a aliados que o doleiro o transformou no “posto Ipiranga” da Lava Jato.

Visita à Folha Antonio Carlos Pipponzi, presidente do IDV (Instituto para Desenvolvimento do Varejo), visitou a Folha nesta terça-feira (17). Estava acompanhado de Paulo Viarti, assessor de imprensa.


TIROTEIO

Para diminuir o número de desempregados, o governo agora decidiu inovar: passa por cima da OIT e formaliza o trabalho escravo.

DE JOÃO CARLOS GONÇALVES, o Juruna, secretário-geral da Força Sindical, sobre a portaria do governo que flexibiliza a fiscalização ao trabalho escravo.


CONTRAPONTO

Para todos os gostos

Durante a sessão da CPI da JBS desta terça-feira (17), o presidente da comissão, senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO), tentou conceder a palavra ao deputado Wadih Damous (PT-RJ), mas esbarrou, pela terceira reunião consecutiva, em sua profunda dificuldade de articular corretamente o nome do colega.

— É Wadih Damous, presidente. Hoje eu estou te ajudando, já que a cada sessão meu nome ganha nova pronuncia — brincou o petista, descontraindo a tensão disseminada no colegiado.

— Veja pelo lado bom, deputado, é um nome camaleão! — respondeu Ataides.