Em apelo, Aécio pede para não ser condenado pelos pares sem ter a chance de apresentar defesa

Por Painel

A última súplica “A única coisa que peço é o meu direito de defesa. Permitam que eu apresente a minha defesa. Não posso ser condenado sem ter essa chance.” É com esse discurso que Aécio Neves (PSDB-MG), afastado do mandato pelo Supremo, tentou sensibilizar os poucos colegas do Senado com quem falou nos últimos dias. O tucano tem dito que prefere receber logo o veredicto de seus pares. A Casa pode definir nesta terça (17) se suspende a determinação do STF que o apartou do plenário.

Avalista Consultado por Aécio, Sepúlveda Pertence, ex-presidente do Supremo, chancelou a linha adotada pelo tucano. “Natural que o parlamentar tenha, antes da decisão do Senado, que vale por uma verdadeira condenação, o direito de defender-se.”

Caminho estreito Aécio sabe que a situação é extremamente delicada. Não arriscou prognóstico sobre o placar de seu caso aos aliados. Disse apenas que não gostaria de ver a situação se arrastar indefinidamente.

Margem de erro Espera-se que cerca de 15 senadores não compareçam à sessão desta terça (17), o que aumentaria a chance de uma derrota do mineiro. Ele precisa de 41 votos. Por isso, há quem defenda que a votação seja transferida para quarta (18).

Novo round A competência da Primeira Turma do Supremo para decidir sobre o caso será questionada em plenário. O vice-presidente do Senado, Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), deve ser o autor.

Dono do mundo Portaria publicada no Diário Oficial submete as nomeações dos cargos comissionados mais altos da administração federal, níveis 6 e 5, ao ministro Eliseu Padilha (Casa Civil).

Dois pesos Pessoas próximas a Gustavo Ferraz, o ex-diretor-geral da Defesa Civil de Salvador preso na operação que também levou Geddel Vieira Lima para a cadeia, estranharam o tratamento dispensado pelas autoridades ao assessor de Lúcio Vieira Lima, Job Ribeiro Brandão, que foi alvo de busca e apreensão nesta segunda (16).

Duas medidas Ferraz foi preso após a Polícia Federal encontrar suas digitais em sacolas que armazenavam os R$ 51 milhões apreendidos em um bunker de Geddel, na Bahia. Job também teve digitais identificadas pela PF no local, mas não foi alvo de mandado de prisão.

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Desleixo A liberação de vídeos sigilosos das delações de Lúcio Funaro e Pedro Corrêa para a Câmara suscitou toda a sorte de teorias da conspiração. Na melhor das hipóteses, o ministro Edson Fachin liberou os documentos no mês passado sem avaliar exatamente o que estava remetendo aos deputados.

Página virada Numa demonstração de que a crise foi contornada, o Planalto e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), fizeram um acordo para votar nesta terça (17) a urgência do projeto da leniência dos bancos.

Papel timbrado Pelo acordo, mesmo que a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara abra sessão para debater a denúncia contra o presidente Michel Temer, os trabalhos serão suspensos para o plenário se dedicar ao texto da leniência, que é patrocinado pelo democrata.

Na mira Três dias antes de ser demitido do Ministério do Trabalho, semana passada, André Roston, então chefe da divisão de combate ao trabalho escravo, deixou pronta a chamada lista suja, um cadastro com nomes de 132 empregadores que mantêm funcionários em condição análoga à escravidão.

Na mira 2 Portaria publicada nesta segunda (16) pelo ministro Ronaldo Nogueira centraliza e dificulta a divulgação da relação.

Visita à Folha Raul Jungmann, ministro da Defesa, visitou a Folha nesta segunda-feira (16), a convite do jornal, onde foi recebido em almoço.


TIROTEIO

Entre o risco de eventual injustiça e a exigência de transparência absoluta, ficaria com esta, que considero aspiração nacional.

DO SENADOR ÁLVARO DIAS (PODE-PR), sobre a nova chefe da PGR, Raquel Dodge, defender que delações fiquem sob sigilo até a aceitação da denúncia.


CONTRAPONTO

Pela harmonia entre os poderes

O senador Dário Berger (PMDB-SC) tentava desesperadamente organizar a fila dos colegas que queriam discursar durante a sessão da Comissão Mista de Orçamento que analisava a revisão da meta fiscal, no dia 29 de agosto, quando começou a ser provocado.

Para cessar a disputa pelos microfones, disse que faria o possível para que todos falassem e passou a palavra a Pedro Fernandes (PTB-MA), que atuou como porta-voz dos deputados:

— Quero fazer um apelo! Converse com o presidente da Congresso, o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), porque o senhor está intolerante com a Câmara!