Após críticas a excessos do Judiciário, PT votará para manter Aécio Neves afastado do Senado

Por Painel

Pensando bem A bancada do PT no Senado, que protestou contra excessos do Judiciário quando o Supremo Tribunal Federal suspendeu o mandato de Aécio Neves (PSDB-MG), votará para mantê-lo afastado quando o caso for examinado pelo plenário, na terça (17). A tendência na Casa é favorável ao tucano e seus adversários não têm força para revertê-la, mas o PT quer explorar a oportunidade criada pelo Supremo com a decisão que submete ao Legislativo medidas como a que atingiu Aécio.

Caso concreto Os petistas argumentarão que, com a solução encontrada para o embate entre os dois Poderes, o Senado agora precisa analisar a gravidade das acusações que pesam contra Aécio na Justiça e não pode repetir o erro que, para eles, foi cometido quando o Conselho de Ética arquivou pedido de cassação do tucano, em julho.

Caravana A movimentação do PT deve ganhar adesões entre senadores independentes e dissidentes do PMDB. Aliados de Aécio no PSDB preveem uma votação difícil, mas acham que não haverá riscos para o tucano.

Menos mal Embora os congressistas continuem sujeitos a medidas judiciais que podem restringir o exercício de seus mandatos, a decisão do Supremo foi considerada positiva pelo advogado de Aécio, Alberto Toron. “Encontraram uma válvula para calibrar o sistema”, disse.

Plano de guerra O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), promete colocar em votação proposta de emenda constitucional que altera a tramitação de medidas provisórias logo após o feriado. Maia se irritou depois que o governo esvaziou a sessão em que seria votada a MP da leniência dos bancos.

Na fila… Pelo menos dez terminais operados por empresas privadas no porto de Santos (SP) estão com contratos vencidos, em situação parecida com a das áreas exploradas pelo grupo Rodrimar, investigado sob suspeita de favorecimento pelo presidente Michel Temer (PMDB).

… de espera Grupos empresariais poderosos como a Votorantim estão na lista de interessados em renovar os contratos. Por enquanto, o decreto de Temer que criou condições para isso beneficiou apenas um terminal da Petrobras e outro operado pela EcoRodovias, da construtora CR Almeida, alvo da Laja Jato.

Cadeira vazia Após aceitar convite do Instituto dos Advogados de São Paulo para um debate sobre direitos humanos e combate à corrupção, o general Sergio Etchegoyen, chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) do Planalto, cancelou sua participação no evento, marcado para quinta (19).

Honra ferida Em carta aos organizadores, o general revelou desconforto com as críticas feitas por advogados ao evento: “Me chocou profundamente a explícita manifestação de censura prévia, especialmente porque expressada em termos que denotam claro preconceito em relação aos militares”.

Em retirada O deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) alegou preocupação com segurança para cancelar em cima da hora um encontro que teria com 60 investidores reunidos pela corretora XP na quarta (11), em Nova York.

Para treinar Dias antes, Bolsonaro pediu à organização a lista de presenças e as perguntas que seriam feitas.


Alta tensão No fim de semana, Lula foi embora cedo de um churrasco na casa do deputado Paulo Pimenta (PT-RS), antes de evento do PT em Brasília. Alegou que tinha uma sessão de acupuntura.

No páreo Em jantar na casa do ministro Gilberto Kassab (Comunicações) há cerca de duas semanas, o senador José Serra (PSDB-SP) indicou a prefeitos de seis cidades do ABC paulista que não descarta a possibilidade de concorrer novamente ao governo do Estado em 2018.


TIROTEIO

Em matéria penal, existem hoje dois Supremos. Em homenagem à tão esquecida Constituição, a balança pendeu para evitar o confronto.

DO ADVOGADO ANTONIO CARLOS DE ALMEIDA CASTRO, sobre a decisão do STF que submete ao aval do Legislativo medidas do tribunal contra parlamentares.


CONTRAPONTO

Futuro do presente

Na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, na terça (10), encerrada a leitura do relatório sobre a indicação de Polyanna Ferreira da Silva para uma vaga no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), o presidente da comissão, Tasso Jereissati (PSDB-CE), avisou:

— A sabatina da senhora Polyanna realizar-se-á na próxima terça-feira, dia 17.

Marcada a data, virou para um colega:

— Gostou do “realizar-se-á”, senador?

E emendou:

— É mesóclise. Saiu sem querer. É de tanto ouvir — disse o tucano, fazendo ironia com o presidente Michel Temer.