Decisão de adiar deliberação sobre Aécio abre brecha para o STF enquadrar de vez o Legislativo

Painel

Salto no escuro O Senado tentou não esgarçar os fios da crise ao adiar deliberação sobre a decisão do STF que afastou Aécio Neves (PSDB-MG). Assumiu, com isso, altíssimo risco. Os que articularam o recuo disseram torcer para que o plenário da corte mude o entendimento. Se a expectativa não se confirmar, o Legislativo ficará diante de situação ainda mais grave. Fará seu juízo após um acórdão — não de uma turma, mas de todo o Supremo — que colocará uma espada sobre a cabeça dos pares investigados.

O que Deus quiser Relator de recurso impetrado por Aécio, o ministro Edson Fachin comentou com pessoas próximas no Supremo, antes de recusar o pedido, que vê o cenário atual como uma “situação limite”. Mesmo o passo atrás dado pelo Senado não é visto por pessoas alinhadas a ele como solução.

Pior dos mundos Não há cenário mais incômodo para a corte, explicam esses aliados de Fachin, do que decidir uma questão em tese com um caso concreto como pano de fundo. Hoje, o STF tende a derrubar o afastamento.

Minha parte Fachin liberou a ação que definirá o futuro de Aécio para julgamento sem que ela estivesse completamente instruída. Faltava um parecer da AGU. Fez isso a pedido da presidente, ministra Cármen Lúcia. Queria dar sinal de boa vontade.

Aquecimento Suplente de Aécio, Elmiro Nascimento (DEM), ex-prefeito de Patos de Minas, disse estar “na expectativa de uma decisão”. Embora, acrescente, respeite muito o tucano e acredite em sua inocência.

Fora do baralho Presidente interino do PSDB, Tasso Jereissati (CE) desmontou toda a estrutura de comunicação erguida por Aécio na sigla. Ele não renovou o contrato da empresa que cuidava da área há seis anos.

Sob nova direção Tasso dispensou as equipes que faziam a assessoria de imprensa, o site do partido, o monitoramento de redes sociais, o clipping diário e a produção de conteúdo de rádio. Vai contratar a Ideia Big Data.

Perdas… A deputada Maria do Rosário (PT-RS) solicitou à CCJ uma audiência pública para ouvir o diretor-geral da PF, Leandro Daiello, sobre o caso do reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, Luiz Carlos Cancellier de Olivo, que se suicidou nesta semana. Ele era alvo de investigação e chegou a ser preso coercitivamente.

… e danos A petista diz que o caso levanta o debate sobre a violação de direitos. Ela também pede para ouvir Eugênio Aragão, ex-ministro da Justiça, e Deborah Duprat, subprocuradora-Geral da República. Nesta terça (3), o ex-presidente Lula citou Cancellier em discursos e emitiu nota lamentando sua morte.

Tô na pista Visto como alternativa do PT caso Lula não possa ser candidato, o ex-prefeito Fernando Haddad passará dois dias desta semana na Paraíba, fazendo palestras. Ele tem mantido uma rotina de viagens. Segue conselho do ex-presidente, que o orientou a rodar o país.

Nem vem A família de Haddad resiste à ideia de uma nova aventura eleitoral.

Não gostei Em jantar com deputados estaduais do DEM na segunda (2), João Doria (PSDB-SP) foi cauteloso ao comentar os resultados do último Datafolha. Segundo relatos, o prefeito disse que era muito cedo para traçar qualquer cenário.

Calma lá Doria costuma citar pesquisas como fator relevante para a decisão do PSDB sobre o candidato ao Planalto em 2018. Ele apareceu no levantamento com o mesmo índice de intenção de voto de seu rival no partido, o governador Geraldo Alckmin.

A jato Em reunião com vereadores nesta terça (3), o prefeito de SP disse que o próximo projeto a ser encaminhado para a Câmara Municipal é o que sela a venda do autódromo de Interlagos.


TIROTEIO

Vivemos em um país em que temos que provar o óbvio: competência não depende da cor da pele. A condenação mostra isso.

DE JUVENAL ARAÚJO, secretário especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, sobre a condenação de Jair Bolsonaro por danos morais a quilombolas.


CONTRAPONTO

Força do hábito

O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) conversava com um grupo de jornalistas na entrada do plenário do Senado, nesta terça-feira (3). Falava sobre a importância de a Casa votar o caso do colega Aécio Neves (PSDB-MG), que foi afastado do mandato e submetido a recolhimento noturno por decisão da Primeira Turma do Supremo.

Em meio à fala de Renan, um segurança pediu que os jornalistas se deslocassem para outro local porque estavam obstruindo a passagem.

— Espere um pouco… Deixe a imprensa obstruir — pediu o alagoano. Logo em seguida, emendou:

— Já estão obstruindo tanta coisa por aqui!