Cármen Lúcia expressa preocupação com crise entre Poderes e avalia que STF sairá desgastado

Por Painel

Remediado está Presidente do STF, Cármen Lúcia não escondeu de ninguém nesta segunda (2) seu cansaço e preocupação com o impasse instaurado entre a corte e o Senado após a decisão que afastou Aécio Neves (PSDB-MG). Ciente de que o veredito será derrubado pelos políticos, a ministra conversou com colegas. Disse ter dormido pouco e avaliou, com lamento, que o Supremo sairá desgastado do episódio. O tribunal não deve mais versar sobre o assunto em liminares. Ao plenário, a palavra final, dia 11.

Efeito dominó Integrantes dos universos jurídico e político ponderam que, se o Supremo vetar a deliberação do Legislativo sobre o afastamento, o “caso Aécio” pode se repetir nos Estados, disseminando a queda de braço entre Poderes.

Beijo, tchau Em meio à polêmica, o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), avisou que vai se ausentar da Casa por uma semana. A partir de quinta (5), Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), primeiro-vice-presidente, assume o posto.

Limpar o terreno Eunício fará uma viagem para comemorar os 60 anos da mulher. Para evitar especulações, auxiliares de Cunha Lima pediram que ele comande a sessão em que será votada a suspensão de Aécio.


Ritmo de festa No sábado (30), Eunício comemorou o próprio aniversário, em Brasília. Serviu garrafas do vinho italiano Tignanello, vendido por até R$ 800. A estrela do buffet foi uma lagosta cearense.

Lenha na fogueira O deputado Efraim Filho (DEM-PB) finalizou parecer favorável à proposta que acaba com o foro privilegiado para crimes comuns, com exceção dos chefes de Poderes. Ele é o relator do texto na Comissão de Constituição e Justiça.

Primeiro eu Agora, a proposta está pronta para ser votada pelo colegiado. O Senado já aprovou a matéria. O assunto voltou à tona com a reabilitação do debate da ação que trata sobre o mesmo tema no plenário do STF.

Não passarão O deputado Betinho Gomes (PSDB-PE) foi o portador do pedido ao presidente da CCJ, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), para que Bonifácio de Andrada (PSDB-MG) fosse destituído da relatoria da nova denúncia contra o presidente Michel Temer. Não teve sucesso.

Meus sinais No encontro com Temer, nesta segunda (2), Geraldo Alckmin disse que cabe apenas a Bonifácio a decisão de permanecer ou não como relator. O Planalto viu a fala pública do governador a respeito da denúncia como um sinal de que ele não protagonizará nova ofensiva sobre o governo.

Olho do futuro O apoio à ala anti-Temer na votação da primeira acusação rendeu a Alckmin forte antipatia no PDMB. Agora ele mira 2018. Aliados comemoraram o empate com João Doria no Datafolha. “Essa pretensa candidatura é fogo de palha que vai se apagar”, disse Barros Munhoz (SP) sobre o prefeito.

Juntos… Em recente conversa com o ministro Gilberto Kassab (Comunicações), Marcos Pereira (Indústria) sugeriu que os partidos do centrão se unissem em torno da candidatura de Henrique Meirelles (Fazenda) à presidência em 2018.

… chegaremos lá Presidente nacional do PRB, Pereira disse o grupo não pode mais “ficar a reboque” do que chama de grande siglas.

Vai ter luta O MBL prepara documentário sobre o impeachment. Que lançar o filme em março de 2018. O roteiro é do escritor Guilherme Fiuza. “A intenção é passar nossa narrativa sobre o impeachment, mostrar a verdade, para contrastar o discurso de golpe”, diz Kim Kataguiri.

Quem paga? Segundo Kataguiri, coordenador do MBL, o projeto será bancado com doações e usará vídeos e fotos coletados por eles.


TIROTEIO

Se o Estatuto do Desarmamento for revogado, como querem deputados, maior a chance de tiroteios e vítimas em massa no Brasil.

DE IVAN MARQUES, diretor-executivo do Instituto Sou da Paz, sobre o vínculo entre ataques como o que ocorreu em Las Vegas e a liberação do porte de arma.


CONTRAPONTO

Vultos da república

Cristovam Buarque (PPS-DF) discursava no plenário do Senado, nesta segunda (2), sobre um áudio atribuído a ele que circulou nas redes. Pegou o fato como gancho para criticar o perigo das “fake news”.

Quando estava prestes a concluir a fala, se confundiu e disse que passaria a palavra ao “senador Demóstenes”, que foi cassado em 2012, acusado de pôr o mandato a serviço do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Telmário Mota (PTB-RR), que estava inscrito para discursar, fez troça:

— De cachoeira só conheço a que passa no meu lago, lá perto de casa, um igarapezinho… Não conheço outra. Então, é o senador Telmário que vai falar!