Resultado de julgamento do STF sobre Janot e Temer pode influenciar outras ações da Lava Jato

Por Painel

A ponta do iceberg É consenso que o STF não declarará Rodrigo Janot suspeito de atuar contra Michel Temer. A incógnita agora é sobre como os ministros vão votar na questão de ordem que susta qualquer nova ofensiva do MPF enquanto não houver decisão sobre a validade da delação da J&F. Nesse quesito, ninguém arrisca placar. Eventual veredicto a favor do presidente, alertam integrantes da corte, poderá impactar ações, inclusive da primeira instância, que citam acordos de colaboração.

Fio da meada Uma vitória da tese que favorece Temer poderia ser citada como jurisprudência para denúncias que contemplam trechos da delação do ex-senador Delcídio do Amaral, por exemplo. Ela também é alvo de contestação. O ex-presidente Lula é um dos implicados.

Inflamável O forte clima de confronto que se instalou no Judiciário após a reviravolta no acordo da J&F virou piada no Congresso. Parlamentares dizem que, depois de varrer a política, os tribunais entraram na fase da autofagia.

Sem recibo Criticado por Gilmar Mendes em sessão de turma do STF nesta terça-feira (12), o ministro Edson Fachin não esboçou reação beligerante. Disse a amigos ter visto uma “agressão gratuita”, mas não indicou qualquer disposição para revide.

Briga de rua A nota em que o STJ solicita investigação dos relatos publicados pela revista “Veja” que apontam tentativas da J&F de influenciar sentenças deflagrou crise na corte. Em mensagem a colegas, o ministro João Noronha criticou duramente a presidente Laurita Vaz.

Sensível “Laurita, se você não tem coragem e estrutura para defender os membros da Casa (…), não os exponha”, disse Noronha, que é citado na reportagem. “Não ofenda mais aqueles que já vêm sendo injustamente atacados.”

Voe Rodrigo Janot não quer deixar para sua sucessora na PGR, Raquel Dodge, a decisão sobre os novos termos da colaboração Joesley Batista e Ricardo Saud. Atua para fechar o caso até sexta (15).

Expliquem-se Os dois delatores da J&F vão prestar depoimento, na quinta-feira (14). Falarão no inquérito aberto a pedido da presidente do STF, Cármen Lúcia, sobre a citação a ministros da corte no diálogo que implodiu a colaboração do grupo.

Antídoto Michel Temer fará pronunciamento no Planalto quando Rodrigo Janot apresentar nova denúncia contra ele. O foco do discurso será o ex-procurador Marcello Miller. O peemedebista dirá que a tese de perseguição está materializada na conduta do ex-auxiliar da PGR.

Canta para subir O presidente recebeu novo passe de João de Deus uma semana antes de Janot anunciar o revés na delação de Joesley. Aliados atribuem o infortúnio do dono da J&F à “mão boa” do médium, que já havia dado socorro a Temer na votação da primeira denúncia.

Ajuste fino Dirigentes de siglas da base do governo têm direcionado a atuação dos nomes escalados para a CPMI da JBS. Eles avisaram que não querem “politizar” as discussões. Traduzindo: partido não ataca partido. Os alvos são os delatores e a PGR.

Em causa própria Logo após a comissão que vai analisar o projeto que regulamenta o teto do funcionalismo ser instalada, representantes de entidades ligadas a juízes e procuradores começaram a bater nos gabinetes dos parlamentares.

Sem fantasia Maria do Rosário (PT-RS) propõe a proibição de mudança no nome de partidos após o registro no TSE. Só siglas que façam fusão estariam autorizadas a trocar de alcunha. Diz querer evitar que “finalidades eleitoreiras” deem novas roupas a velhos personagens.

No cangote O governador Geraldo Alckmin irá a Minas na segunda-feira (18). O prefeito de SP, João Doria, avisou que quer visitar o Estado na semana seguinte.

Visita à Folha Rodrigo Garcia, secretário da Habitação do Estado de São Paulo, visitou a Folha nesta terça (12). Estava acompanhado de Roger Ferreira, assessor de imprensa.


TIROTEIO

Os quadrilhões que emergem do pântano da corrupção estão cada vez mais ‘encantuados’ com a verdade trazida pelos investigadores.

DA EX-SENADORA MARINA SILVA (REDE-AC), sobre o inquérito da PF que acusa Michel Temer de participar do chamado quadrilhão do PMDB da Câmara.


CONTRAPONTO

Passa a receita! 

Durante ato de artistas no Congresso contra o decreto que extingue a Renca, nesta terça (12), o líder do PR, deputado José Rocha (BA), tentava a todo custo tirar uma foto ao lado de Susana Vieira.

O assessor do parlamentar se aproximou da atriz:

— Susana, tira uma foto aqui com o líder?

— Que líder? Do PSOL, da Rede?

— Não, o líder do PR, mas o PR é tranquilo…

— Querido, aqui não tem ninguém tranquilo, não. Só o Temer, que parece tomar um Frontal maravilhoso!