Joesley só pretende entregar gravações inéditas à PGR se acordo de colaboração não for rescindido

Por Painel

Cartas na mesa A prisão de Joesley Batista não pôs fim à tensa negociação entre a Procuradoria e o empresário. Após admitir aos investigadores que tem, sim, outras gravações ainda inéditas armazenadas no exterior, o dono da JBS avisa agora que só repassará o material à PGR se o acordo da J&F não for rescindido. Argumenta que não houve omissão de provas, já que o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF, concedeu, no último dia 1º, mais 60 dias para os delatores anexarem dados ao caso.

Aí é que está Joesley trabalhava com a tese de que os delatores não eram obrigados a repassar à PGR gravações e documentos nos quais julgavam não haver indícios de crimes. Os procuradores entendem que cabe a eles dizer se e onde há problemas.

Seta no alvo A contratação de Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, é em si um ato simbólico. “Eu vou fazer a advocacia do confronto. Não terei contato institucional com a Procuradoria. Se houver rescisão, eles já têm advogado: eu.” O criminalista é um crítico do uso ostensivo de delações na Lava Jato.

Prepara As polêmicas que circundam a colaboração da J&F devem ampliar a pressão sobre Fachin no Supremo. Aliados do presidente Michel Temer dizem que, se Rodrigo Janot errou ao acelerar a tramitação do acordo dos Batistas, o ministro do STF incorreu no mesmo pecado ao homologá-lo sem cautela.

Recordar é viver Esses aliados apontam que a PF só encontrou os áudios apagados por Joesley porque a defesa de Temer solicitou perícia no grampo que afetou o presidente. O exame não havia sido pedido por Fachin.

Vapt-vupt Cláudia Sampaio Marques, a procuradora designada por Janot para conduzir a investigação de suposta omissão de provas por parte da J&F, não participou da oitiva dos delatores.

DNA Sampaio é ligada a Raquel Dodge. Inicialmente, a indicação foi vista como uma forma de deixar a ala da nova chefe do MPF a par do caso.

Ensurdecedor Apesar de ressaltarem que Temer não expressa qualquer preocupação com o caso de Geddel Vieira Lima, integrantes do Planalto têm dito que é muito estranho o silêncio do ex-ministro sobre os R$ 51 milhões atribuídos a ele.

Raspa do tacho Os recursos que foram descontingenciados para pagar despesas da Receita Federal estão no fim. Integrantes do órgão avaliam que ele pode parar —o dinheiro acabaria nesta segunda-feira (11).

Raspa do tacho 2 Na última semana, para poupar o que tinha em caixa, a Receita cortou 50% da verba de fiscalização aduaneira; 75% dos recursos de passagens, diárias e custeio das superintendências regionais e 100% do valor destinado ao suporte e à aquisição de equipamentos de tecnologia.

Aclimatação O ministro da Justiça, Torquato Jardim, viaja nesta semana a Minas e ao Pará com o diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello. Rogério Garollo, atual número dois do órgão e favorito para a sucessão na PF também compõe a comitiva.

Estoura a pipoca Tudo na quarta (13): Sergio Moro ouvirá Lula em Curitiba, o TRF em Porto Alegre analisará recurso de José Dirceu e o STF julgará o pedido de suspeição de Rodrigo Janot feito por Temer.

Estamos juntos A cúpula do PT no Congresso vai acompanhar o ex-presidente Lula em seu segundo embate com Moro.

Pelo bolso A ausência de protestos no Sete de Setembro fez com que Temer e aliados dessem por sepultadas as pressões pela criação de uma alternativa ao imposto sindical. Eles acham que as entidades estão sem verbas para levar manifestantes a atos.


TIROTEIO

Janot, que já causou um estrago na economia, perde o bom senso de novo ao sentar-se com o advogado de Joesley em um sábado quente.

DO DEPUTADO DARCÍSIO PERONDI (PMBD-RS), sobre o flagra de “O Antagonista” do encontro de Rodrigo Janot com o criminalista Pierpaollo Bottini em um bar.


CONTRAPONTO

O que é seu está guardado

Na Comissão Mista de Orçamento, dia 12 de julho, o presidente do colegiado, senador Dário Berger (PMDB-SC), passou a palavra ao colega Ataídes Oliveira (PSDB-TO), que iria apresentar parecer sobre um projeto.

— Presidente, no momento em que eu for debater o relatório, gostaria de ir até a mesa — disse.

Logo em seguida percebeu que precisava se explicar:

— Mas, por favor, eu não quero a cadeira de vossa excelência, evidentemente!

O contexto forçou o comentário adicional. A oposição havia ocupado a mesa diretora do plenário, no dia anterior, para impedir a votação da reforma trabalhista.