Após testemunho de Palocci, dirigentes de siglas aliadas ao PT debatem plano para eleição sem Lula

Por Painel

Terra de ninguém Sob impacto do depoimento de Antonio Palocci, dirigentes de siglas que são aliadas históricas do PT decidiram iniciar, ainda em reserva, discussões sobre o rumo que tomarão em 2018. Eles não veem chances de o ex-presidente Lula ser candidato à Presidência e argumentam que não há substituto — nem mesmo um nome ungido pelo petista — que consiga unificar a esquerda. A ordem agora é pensar no próprio plano B. Sem Lula no páreo, argumentam, todos largam do mesmo patamar.

Não para Os aliados do PT avaliam que o pior não é o que Palocci disse a Sergio Moro, na quarta (6), mas o que ele ainda vai falar. Para esses políticos, o que o ex-ministro e integrante da cúpula do PT fez “foi uma ‘avant-première’” do arsenal que possui.

Frio e calculado Diversas expressões que causaram furor público no testemunho de Palocci — entre elas o famoso “pacto de sangue” da propina — já haviam sido ditas por ele aos procuradores com quem negocia uma intrincada delação premiada, em Curitiba.

Tem quem queira Um trote do deputado Fábio Faria (PSD-RN) no colega Dudu da Fonte (PP-PE) foi a sensação de Brasília neste Sete de Setembro. O potiguar, famoso na Câmara pelas imitações, telefonou ao pernambucano fingindo ser Lula.


Tem quem queira 2 Faria gravou a brincadeira e distribuiu a outros colegas. Simulando a voz do petista, disse a Dudu que gostaria de conversar e perguntou se ele estava em Brasília. “Presidente, que saudade!”, ouviu como resposta.

Jogo duro Num último esforço para aprovar o distritão misto, os articuladores da reforma política propõem — em troca do novo sistema eleitoral — aprovar só a cláusula de barreira. Se não der certo, avisam, passa a cláusula com 2% e o fim das coligações proporcionais.

Trava PMDB e PP estão convencidos. PT, PRB e PR são os partidos que mais resistem à troca do modelo.

Segundo round A Lava Jato em Curitiba chamou Luiz Eduardo Soares —o executivo que ajudou a Odebrecht a movimentar recursos no exterior e virou um dos 78 delatores da empresa— para prestar novos depoimentos.

Ajuste de mira A força-tarefa quer que ele aponte as instituições financeiras que ajudaram a movimentar dinheiro sujo dentro do Brasil.

Vejo brechas Os advogados do presidente Michel Temer acreditam que, com a reviravolta na delação da J&F, podem reverter na Justiça a derrota do presidente em ação contra Joesley Batista por calúnia e difamação.

O jogo virou Em junho, um juiz rejeitou a demanda de Temer, que recorreu. Ato seguinte, em resposta elaborada por sua defesa, Joesley se fiou em seu acordo para criticar a ofensiva.

O jogo virou 2 O empresário disse que o presidente usava a queixa-crime para intimidá-lo pois estava inconformado “com os termos do acordo de colaboração”.

Deixe-me O relator da Lava Jato no Supremo, ministro Edson Fachin, ficou mais calado e reflexivo nas horas que antecederam os pedidos de prisão de Joesley Batista, Ricardo Saud e Marcello Miller, no fim da noite de sexta (8).

Já foi pior Aos que questionaram a agilidade com que a PGR solicitou o encarceramento de Miller, aliados de Ângelo Goulart Villela, o outro procurador que acabou encrencado com a Lava Jato, lembram que ele teve o pedido prisão expedido sem sequer ser ouvido.

Prioridades Acusado de receber propina para repassar informações a executivos da J&F, Villela só prestou o primeiro depoimento para dar sua versão dos fatos mais de 50 dias após ter sido preso.


TIROTEIO

Ter hoje no PSDB duas candidaturas tão qualificadas e diferentes é solução. A partir de fevereiro, a coisa muda. Vira problema.

DO DEPUTADO MARCUS PESTANA (PSDB-MG), sobre a disputa entre os tucanos João Doria e o Geraldo Alckmin pelo posto de presidenciável da sigla em 2018.


CONTRAPONTO

Não fez, mas poderia ter feito!

Crítico ferrenho do PT, o senador Magno Malta (PR-ES) subiu na tribuna do plenário para dizer que “concordava pela metade” com uma fala em que o petista Lindbergh Farias (RJ) criticava o sucateamento das universidades.

— O que fica triste para mim é que, logo em seguida, ele fez um discurso defendendo Maduro! — completou.

Lindbergh, que não havia feito referência a Nicolás Maduro ou à Venezuela em seu discurso, estranhou.

— Onde foi que eu fiz esse discurso aí? — gritou o fluminense, fora do microfone.

— Não, acho que não foi um discurso, não. Foi só uma palavrinha… — recuou Malta, aos risos.