Ministros do STF dizem que há jurisprudência para preservar provas de delações que forem rescindidas

Painel

Tu o disseste Certos de que a delação de Joesley Batista será rescindida, integrantes do STF que querem evitar o descarte de todas as provas colhidas pela JBS se armam para árdua batalha jurídica. O grupo buscou elementos na jurisprudência da corte. Duas ações relatadas pelo ministro Dias Toffoli — e confirmadas por colegiados no tribunal — pregam que, “ainda que o colaborador” perca benefícios, “suas declarações, desde que amparadas por provas idôneas,” poderão ser consideradas.

Precedente Toffoli deu dois votos neste sentido. Primeiro, em um habeas corpus que questionava a delação do doleiro Alberto Yousseff. Depois, em uma reclamação que está sob sigilo. No caso do HC, seu relatório foi aprovado por unanimidade pelo plenário da corte.

Há controvérsia Há forte mobilização entre aliados e advogados do presidente Michel Temer para emplacar a tese de que, por supostamente se tratar de uma gravação ilegal, o grampo feito por Joesley com o peemedebista poderia levar à anulação de todas as provas da delação.

São Tomé No rumoroso grampo que fizeram de suas inconfidências, Joesley Batista e Ricardo Saud, da JBS, cogitam convidar o ex-procurador Marcello Miller a participar de uma gravação com “o governador” e depois mencionam o nome “Pimentel”.

São Tomé 2 No diálogo, divertem-se cogitando fantasiar o ex-auxiliar de Rodrigo Janot de garçom ou advogado para que ele pudesse assistir a um flagrante. “Vou combinar isso. Aposto dez para um que ele aceita”, diz Saud.

Menu degustação Durante a conversa, Joesley e Saud saboreiam petiscos. Primeiro comem picanha aperitivo. Depois, sopa de lagostim.

Bode expiatório Aliados de Temer passarão a fustigar Rodrigo Janot. Dirão que a agenda do procurador impediu os avanços no país e a aprovação de reformas como a da Previdência — que sempre foi temida pelos parlamentares por ser impopular.

Tá no lucro Embora o discurso oficial do PT seja o de que o partido não faz “caça às bruxas” com os seus filiados, integrantes da cúpula da sigla têm defendido a expulsão de Antonio Palocci.

Última tacada Até aliados de Palocci dizem ter visto sintomas claros de desespero nas revelações feitas por ele ao juiz Sergio Moro, nesta quarta-feira (6). Mesmo sem garantia de que fechará delação, o ex-ministro admitiu crimes e implodiu a defesa do ex-presidente Lula.

Reacendeu O PT vai usar o depoimento de Lula a Moro, em Curitiba, na quarta (13), para reagir à denúncia apresentada por Rodrigo Janot. Fará um ato para receber o ex-presidente. Pretende reunir cerca de 5.000 pessoas no centro da capital.

Nada mudou Aliados de Janot dizem que o debate sobre o cancelamento dos benefícios concedidos aos delatores da JBS não alterou o cronograma da PGR. Trabalham para concluir a denúncia contra Temer e do que chamam de quadrilhão do PMDB na Câmara e no Senado.

A jato O impasse do autogrampo da JBS deve ter desfecho na PGR até esta sexta (8).

Vai que… O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) manterá uma agenda de viagens. Na próxima semana, vai a Uberlândia (MG). Encontrará prefeitos.

Virou mito No Grito dos Excluídos, desta quinta (7), a Central de Movimentos Populares vai exibir malas com notas falsas, em alusão aos R$ 51 milhões atribuídos a Geddel Vieira Lima (PMDB-BA).

Virou mito 2 Líderes do Congresso dizem que a foto da dinheirama que seria de Geddel tem mais impacto na população do que o áudio de Joesley. A apreensão agrava a situação do aliado de Temer, que pode considerar delação.


TIROTEIO

Geddel acumulou tanto graças à ‘distribuição’ de sua competência: ministro de Lula, diretor da Caixa de Dilma e homem forte de Temer.

DO DEPUTADO CHICO ALENCAR (PSOL-RJ), sobre os R$ 51 milhões atribuídos a Geddel Vieira Lima encontrados dentro de um apartamento em Salvador.


CONTRAPONTO

Cicatrizes da modernidade

No dia 10 de agosto, em reunião de uma comissão da Câmara, Luiz Couto (PT-PB) pediu a palavra para fazer um apelo aos colegas antes do início da ordem do dia:

— Senhor presidente, eu hoje levei três trombadas por causa de pessoas que estão no WhatsApp e não prestam atenção no caminho. Temos que fazer uma resolução para que, nessas áreas públicas, ele não possa ser usado.

À frente da comissão, o deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG) embarcou na brincadeira:

— Mas seria uma resolução restritiva de direitos…

— Mas acontece que há o direito de não ser trombado! — respondeu Couto, arrancando risadas.