Suspeita sobre Miller coloca em xeque outras delações; investigados falam em flagrante armado

Por Painel

Chaga exposta A suspeita de que o ex-procurador Marcello Miller atuou dos dois lados do balcão — municiando investigados com informações em uma frente e liderando apurações na outra — coloca em xeque não só a delação da JBS, mas ao menos dois outros acordos que ele capitaneou e que se desenrolaram em molde semelhante ao dos irmãos Batista. Sérgio Machado e Nestor Cerveró também conquistaram o título de colaboradores após gravarem, de maneira oculta, políticos e autoridades.

Perdas e danos Os políticos que foram alvo da delação da JBS partirão para a tese de que os flagrantes obtidos pela PGR foram armados por Miller em parceria com os irmãos Batista, o que poderia anular o acordo.

Sei o que você fez O trabalho do procurador-geral, Rodrigo Janot, também será questionado. Investigadores da Polícia Federal já diziam, antes da explosão do escândalo envolvendo Miller, que o prazo em que a delação da JBS foi fechado era “atípico”.

Efeito dominó Em depoimento em junho de 2016, o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró mencionou Miller. Ao explicar o contexto da gravação que seu filho fez com o ex-senador Delcídio do Amaral — determinante para ele conseguir a delação — disse que “o Marcelo falou (…): ‘só com seu depoimento não vou reabrir o caso'”.

Efeito dominó 2 Depois, Cerveró afirmou que a iniciativa de grampear Delcídio foi de “Bernardo com a — vamos lá — com a sugestão do próprio procurador”. Interpelado, voltou atrás. Disse ter se expressado mal.

Voa A crise na PGR deve acelerar o processo de expulsão de Marcello Miller da Ordem dos Advogados do Brasil. A investigação sobre a atuação do ex-procurador será anexada ao processo que corre no Conselho de Ética da entidade no Rio de Janeiro.

Por falar nisso Fachin decretou sigilo, no último dia 30, de outra gravação feita acidentalmente pelos delatores da JBS, atendendo a solicitação de Francisco de Assis e Silva, que era diretor jurídico do grupo, e também firmou acordo de colaboração.

Bis! No pedido, Silva alegou que a gravação tinha diálogos entre advogado e cliente — no caso ele, uma defensora e Joesley. Esta também trata dos rumos da apuração.

Duas canoas Cotado para substituir Leandro Daiello na direção-geral da Polícia Federal, Rogério Galloro foi indicado pelo Ministério da Justiça ao Comitê Executivo da Interpol. Na sexta-feira (1º), houve um evento para oficializar o apoio da pasta a seu nome.

Façamos As declarações do ministro Gilmar Mendes pautaram as conversas dos que defendem mudanças nas regras eleitorais. Ele disse que, sem a reforma política, o STF vai proibir coligações.

Quem manda Em meio ao embate com o afilhado João Doria, o governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) será recebido para um jantar na casa do presidente em exercício, Rodrigo Maia (DEM-RJ), nesta terça (5), em Brasília.


Timing perfeito Além da bancada do PSDB, Maia convidou líderes da base para o encontro com Alckmin. O jantar acontece depois de o DEM ter acenado a Doria e no momento em que aliados do governador tentam reagir às investidas do prefeito.

Realidade virtual Alckmin não consegue mais esconder o incômodo com os gestos do afilhado. Tem repetido frase que atribui a Fernando Henrique Cardoso. Diz que o prefeito de São Paulo governa pelo “Instagram”.

Visita à Folha O senador Álvaro Dias (Podemos-PR) visitou a Folha nesta segunda-feira (4). Estava acompanhado da deputada federal Renata Abreu (SP), presidente nacional do Podemos, e de Cláudio Camargo, assessor de imprensa.


TIROTEIO

O Ministério Público retirou prerrogativa do Legislativo estadual. Se continuar assim, teremos o legislador de causas próprias.

DE PAULO FIORILO, presidente do PT paulistano, sobre o procurador-geral de Justiça de SP ter reajustado o valor de gratificações de servidores do órgão.


CONTRAPONTO

Salve-se quem puder

No dia da tumultuada votação dos vetos presidenciais que trancavam a pauta do Congresso, na terça (29), o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), discutiu com parlamentares.

No meio da confusão, um grupo de deputados conversava no fundo do plenário e o líder do PMDB da Câmara, Baleia Rossi (SP), disse a Danilo Forte (PSB-CE), rindo:

— Agora eu entendi porque você saiu do PMDB do Ceará! — numa referência à irritação de Eunício no dia.

Na terça, nem o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), escapou das alfinetadas do correligionário cearense.