Às vésperas de nova denúncia, Dilma usará aniversário do impeachment para atacar Temer

Por Painel

Apesar de você Dilma Rousseff vai usar o aniversário de seu impeachment, nesta quinta-feira (31), para bombardear o governo de Michel Temer e reverberar, às vésperas da nova denúncia de Rodrigo Janot contra o peemedebista, o discurso de que ele integra uma organização criminosa. A petista fará, no Rio, o ato “O Brasil um ano depois do golpe”, ao lado de militantes e artistas. Dirá que o sucessor impôs uma agenda de retrocesso social e desmonte do patrimônio, com “risco à soberania nacional”.

Caravanas O cantor Chico Buarque está entre os convidados para o ato de Dilma.

Chumbo grosso Pessoas próximas ao operador Lúcio Funaro garantem que sua proposta de delação premiada implicará praticamente todos os aliados de Temer no PMDB e apontará o presidente como beneficiário de desvios da Caixa e de dinheiro escondido no exterior.

Nem vem Temer sempre disse que jamais teve relação com o doleiro. Aliados do peemedebista, hoje em dia, quando questionados sobre o novo delator, rebatem: “Lúcio o quê? Quem?”.

Vai que cola Os advogados de Lula vão acusar o juiz Sergio Moro de cerceamento de defesa por ele ter negado o pedido para que Rodrigo Tacla Durán fosse ouvido como testemunha do petista.

Duas medidas A defesa de Lula vai usar o discurso de que, com a decisão, Moro se contradiz. Os advogados vão dizer que a palavra de um criminoso serve para condenar; já a palavra de um acusado não serve para esclarecer fatos relevantes da Lava Jato.

Deixe-o A Procuradoria-Geral da República pediu ao STJ o arquivamento de apurações sobre a citação do governador do Maranhão, Flávio Dino (PC do B), na delação da Odebrecht.

Deixe-o 2 Dino foi acusado de ter recebido recursos de caixa dois e propina. Ele sempre apontou inconsistências e erros nos relatos dos delatores da empreiteira.

E o Oscar vai… O filme “Polícia Federal — A Lei É Para Todos” agradou a boa parte dos delegados da corporação que integraram a força-tarefa original da Lava Jato em Curitiba. Márcio Anselmo disse que “sintetizaram momentos legais, apesar de condensarem três anos de trabalho em duas horas”.

Vai pipocar Sergio Souza (PMDB-PR), presidente da Comissão de Agricultura da Câmara, avisou a aliados que vai pautar na próxima quarta-feira (6) projeto de lei que disciplina o porte de arma de fogo nas propriedades rurais.

Vai pipocar 2 A proposta libera o porte para trabalhadores ou donos de áreas rurais maiores de 25 anos. Prevê o uso nos limites da propriedade. A licença seria para “proteção pessoal e patrimonial”. Pelo texto, uma das exigências para obtê-la é atestado de bons antecedentes.

De mão beijada O ministro Henrique Meirelles (Fazenda) trabalha para finalizar o acordo de recuperação fiscal do Rio. Explica-se: Rodrigo Maia (DEM-RJ), precioso aliado da pauta econômica no Congresso, é do Estado e ocupará a Presidência até o dia 6 de setembro.

Tome aí O Planalto tentou colocar um ponto final nas reclamações do PMDB da Câmara por mais espaço no governo. O partido indicou Henrique Pires para comandar a Secretaria de Saneamento do Ministério das Cidades. Ele já atuou na Funasa.

Bloco na rua Depois de jantar com prefeitos do ABC paulista, o governador Geraldo Alckmin esteve, nesta terça (29), com cerca de 30 gestores de municípios de SP.

Data venia Amigos de Delcídio do Amaral negam que ele tenha afirmado em delação que Dilma sabia de propina em Pasadena. Ele tratou da impossibilidade de o Conselho da Petrobras desconhecer o negócio.


TIROTEIO

É mais fácil Kim, o gordinho da Coreia, se entender com Trump, do que construírem um consenso aqui para a reforma política.

DO DEPUTADO SILVIO COSTA (PT DO B-PE), sobre a dificuldade de os líderes da Câmara chegarem a um acordo a respeito das regras para a eleição de 2018.


CONTRAPONTO

Telefone sem fio

Na sessão do Congresso Nacional desta terça (29), a oposição tentou a todo custo dificultar o andamento da votação dos vetos presidenciais que estavam trancando a pauta. Os adversários do governo contestaram a falta de quórum e obstruíram os trabalhos.

Em determinado momento, a pressão dos oposicionistas foi tanta que o presidente Eunício Oliveira (PMDB-CE) ficou atordoado. Perdido em meio às falas simultâneas, olhando de um lado para o outro, indagou:

— Alô, alô, quem está falando?

Sua tentativa de identificar o dono do microfone minimizou a tensão e levou o plenário às gargalhadas.