Dissidentes do PSB pedem troca de comando do DEM para fechar migração; demanda trava acordo

Por Painel

Barriga de aluguel Diante da resistência do DEM em aceitar mudanças em seu comando, a migração de dissidentes do PSB está ameaçada. Deputados que participam das articulações dizem que os socialistas pediram a saída do senador Agripino Maia (DEM-RN) da presidência do partido. Querem que o prefeito de Salvador, ACM Neto, assuma a nova formação da sigla. A demanda não foi bem recebida. Agora, os integrantes do PSB esticam a corda: não vão topar o papel de “infladores do DEM”, afirmam.

Quem queira Em meio ao embate, Álvaro Dias (PR), líder do Podemos no Senado, convidou 12 deputados do PSB para um jantar na semana passada. Disse que o seu partido está de portas abertas ao grupo. A conversa animou os dissidentes socialistas.

Para onde vamos O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), chamou uma reunião de líderes para a manhã desta terça-feira (29). Vai tentar costurar um acordo em relação à reforma política.

Virou pó Deputados que acompanham as negociações dizem que o impasse é tão grande que há risco de até a recriação da cláusula de barreira e o fim das coligações proporcionais não vingarem.

Retoque de raiz Um dos mais velhos da bancada do PMDB na Câmara, o deputado Carlos Bezerra (MT), 75, correu para tingir os cabelos quando soube que os “cabeças-pretas” de seu partido iriam se reunir em um almoço.


Dos nossos Bezerra, que tem uma longa lista de indicados no governo, foi o porta-voz dos peemedebistas que reclamaram de falta de espaço na gestão de Michel Temer. “Esse é o nosso Carlos Graúna!”, brincaram os colegas de partido.

Vai que cola Em passagem por Uberaba (MG), semana passada, o governador Geraldo Alckmin fez um aceno ao líder do PSD na Câmara, Marcos Montes: disse que estaria disposto até a apoiar a candidatura do ministro Gilberto Kassab (Comunicações) ao governo de SP para ter o partido ao seu lado em 2018.

Mais um A Procuradoria-Geral da República enviou o caso relacionado a Flávio Dino (PC do B) ao STJ. O governador do Maranhão é citado na delação da Odebrecht e nega irregularidades.

Restam dois Agora só faltam chegar à corte os pedidos da PGR relacionados às citações dos governadores Luiz Fernando Pezão (PMDB-RJ) e Geraldo Alckmin (PSDB-SP).

Mensageiro do caos O advogado Rodrigo Tacla Durán pediu para adiar seu depoimento à Comissão de Segurança Pública da Câmara para 26 de outubro. Ele promete mostrar aos deputados provas do que vem dizendo.

Que se come frio Os novos relatos de Durán fizeram políticos que foram alvo de delatores da Lava Jato afirmarem que o “feitiço de Sergio Moro virou contra o feiticeiro”. O juiz responsável pela operação em Curitiba diz que as acusações do advogado são “absolutamente falsas”.

Não mexa Deputados do Nordeste avisaram ao governo que deixarão de votar com Michel Temer na Câmara caso o Planalto não encontre uma forma de manter a Transposição do Rio São Francisco fora do processo de privatização da Eletrobras.

Deixa pra lá Integrantes da tropa de choque de Temer já admitem que será muito difícil a retomada da discussão da reforma da Previdência no Congresso. Eles têm incentivado o Planalto a deixar as mudanças da aposentadoria de lado e tocar a agenda de privatizações e concessões.

Chega chegando O Planalto espera que, durante a visita de Aloysio Nunes (Relações Exteriores), o chanceler francês, Jean-Marc Ayrault, reitere o apoio à entrada do Brasil na OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e à candidatura do país a membro permanente do Conselho de Segurança da ONU.


TIROTEIO

Moro agora afirma que não se deve dar valor à palavra de um acusado. Só nos resta dizer: pimenta nos olhos dos outros é refresco.

DO CRIMINALISTA ALBERTO TORON, sobre Rodrigo Tacla Duran, ex-advogado da Odebrecht, acusar amigo do juiz Sergio Moro de intervir em acordo na Lava Jato.


CONTRAPONTO

Inimigos, inimigos, negócios à parte

O presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), colocou em votação na quinta-feira (24) requerimento de urgência do projeto que acaba com o sigilo das operações do BNDES. O peemedebista indagou líder a líder sobre a orientação do voto.

— Como vota a minoria, senador Humberto Costa (PT-PE)? — perguntou, sem obter resposta.

— Como vota o governo, Romero Jucá (PMDB-RR)?

— Vota ‘não’ — respondeu Jucá, fora do microfone.

Foi a brecha para Humberto Costa pedir a palavra:

— Presidente, a minoria vota ‘não’. Ela vota com o governo — concluiu, levando o plenário às gargalhadas.