Preocupado com desarranjo na base, Temer vai arbitrar pessoalmente as disputas por cargos

Por Painel

No atacado e no varejo Preocupado com o desarranjo em sua base, Michel Temer decidiu retomar a maratona de audiências com parlamentares. Vai mediar pessoalmente as negociações com dezenas de deputados que têm se queixado da demora do Planalto em resolver as disputas por cargos. Tenta conter a insatisfação do centrão e distanciar-se da crise que dominou o tucanato. Prepara o terreno para a pauta econômica, mas também atua para reorganizar seu time, pois sabe que deve ser alvo de nova denúncia.

No palitinho O presidente vai fazer de seu gabinete, nesta semana, uma espécie de ouvidoria parlamentar. Com os ministros da Casa Civil, Eliseu Padilha, e da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy, quer, de início, definir o destino de cargos que estão na mira de mais de um partido.

Vai que vai O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), avisou a aliados que, se a comissão que analisa a reforma política não concluir a votação do projeto que recria a cláusula de barreira e acaba com as coligações proporcionais, ele deve levar a proposta diretamente ao plenário.

Boa vontade Há também uma disposição em votar uma nova fórmula para o Refis, numa sinalização ao governo.
Tem para hoje Ainda não há votos para aprovar o chamado “distritão misto”. O modelo fortalece partidos que têm eleitorado cativo, como o PT, é bem visto no PMDB e aceito pelo PSDB, mas esbarra no interesse de caciques do centrão.

Onde pega Embora parte do Congresso apoie o avanço da PEC que restabelece o financiamento privado, um dos entraves para a aprovação da proposta está no artigo que proíbe a reeleição dos presidentes da Câmara e do Senado — independentemente da legislatura.

Os punidos Se o texto fosse aprovado como está, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Eunício Oliveira (PMDB-CE) não poderiam ser reconduzidos aos postos se disputassem a reeleição em 2018.

Mexidão Mantido o impasse, parlamentares propõem aprovar um “conjugado” — cláusula de barreira e fim das coligações na Câmara; financiamento privado no Senado — com a regulamentação, via lei ordinária, de um teto para a doação.

Quem chamou? Embora a presença de Dilma Rousseff na caravana de Lula pelo Nordeste não estivesse nos planos do PT, a ex-presidente deve participar de atos ao lado de seu padrinho político no Rio Grande do Norte, entre os dias 27 e 28.

Casquinha Dilma estará em Natal na quinta (24). Fará uma palestra sobre o Brasil pós-impeachment. Avalia esticar a viagem para acompanhar parte do giro de Lula.

Cola comigo Em conversa com o ex-presidente e com Dilma, no sábado (12), Kátia Abreu (PMDB-TO) recebeu a garantia de que o PT vai apoiá-la na disputa pelo governo do Estado em 2018.

Indivisíveis Guilherme Boulos, do MTST, diz que Lula é a “maior liderança social do Brasil”. “Tenho respeito por ele e por seu papel histórico.” Sobre o cartaz que adornou uma de suas palestras em SP, e que tratava o petista como um ator da “velha política”, disse que a peça foi escrita por estudantes.


Erva daninha Para Boulos, há, “dentro da própria esquerda”, quem queira “semear intriga e divisão”.

Prepara Os questionamentos à decisão do juiz Sergio Moro de levantar o sigilo de conversas entre Lula e seus familiares voltarão à pauta do CNJ em um mês.

Vapt-vupt Aécio Neves (MG) é pressionado a reassumir o PSDB — ainda que por apenas uma hora — e escolher entre Flexa Ribeiro (PA) e Giuseppe Vecci (GO) um novo presidente para a sigla.


TIROTEIO

No estilo esqueçam o que escrevi, FHC critica o presidencialismo de cooptação. Justo ele, que carrega a emenda da reeleição em sua história.

DA SENADORA GLEISI HOFFMANN, presidente nacional do PT, sobre o ex-presidente tucano ter sugerido a inclusão do termo na propaganda partidária do PSDB.


CONTRAPONTO

Gravem para a posteridade

Na sessão em que o Congresso homenageou os 80 anos da UNE (União Nacional dos Estudantes), no último dia 10, o senador José Serra (PSDB-SP) fez um longo discurso. Ao final, foi elogiado pela senadora Vanessa Grazziotin (PC do B-AM), que presidia a Mesa.

— Foi um belíssimo depoimento, de fato, da lavra de quem dirigia a UNE no período da ditadura… Eu não sabia que Vossa Excelência se encontrava na cidade de Manaus, minha querida capital, no dia do golpe!

— Foi muito antes do seu nascimento! — disse Serra.

— Muito antes! É muito bom que esse registro seja feito!– brincou Grazzition.