Para aliados, impasse no PSDB e críticas do centrão ao Planalto ameaçam a governabilidade de Temer

Por Painel

Quebra-cabeças A junção dos cacos da cena política forma um retrato que inspira cuidados ao presidente Michel Temer. Se a ala que apoia o governo derrubar Tasso Jereissati da presidência do PSDB e preservar seus quatro ministros, o tucano cairá atirando — e o centrão continuará com fome de cargos. Se Temer, por sua vez, decidir sacar o partido da Esplanada, poderá contemplar os parceiros que lhe restam, mas ficará cada vez mais refém de siglas que têm o fisiologismo como gene dominante de seu DNA.

Pés de barro Para dirigentes de grandes partidos, o cenário é movediço e aponta para uma dificuldade crescente da manutenção da governabilidade no Congresso — e isso em meio à expectativa de uma segunda denúncia de Rodrigo Janot.

Deixe-me ir Presidente licenciado do PSDB, Aécio Neves (MG) se recolheu em meio à confusão que tomou conta de seu partido. Disse a aliados que usaria o fim de semana para pensar sobre o que iria fazer. Não cogita, por enquanto, renunciar ao posto na sigla e antecipar a escolha de novo dirigente.

Vai que cola Tucanos acreditam que até o início da próxima semana Tasso se convencerá de que o melhor será pedir para sair da presidência. Há uma ala no partido tentando mostrar ao senador que ele é “muito maior do que uma interinidade”.

Na fila Hoje, o mais cotado para assumir o posto é o deputado Giuseppe Vecci (GO).

Isca Os novos acenos da PGR ao ex-deputado Eduardo Cunha foram vistos nos meios político e jurídico como uma forma de os investigadores pressionarem o doleiro Lúcio Funaro, que era operador do peemedebista, a aceitar os termos propostos pela Procuradoria para selar o acordo de delação.

Misericórdia Funaro tenta negociar uma pena de prisão menor do que a PGR propõe.

Ciumeira Integrantes do Judiciário ficaram incomodados com a iniciativa da presidente do Supremo, Cármen Lúcia, de publicar portaria obrigando tribunais a divulgarem as folhas de pagamento de seus magistrados.

Menos Como já havia norma nesse sentido, membros de outras cortes acusaram a ministra de tentar faturar com a polêmica a respeito dos contracheques gordos.

Vem, companheira Dilma Rousseff vai a Salvador neste sábado (19). Desembarcará na capital baiana acompanhada da senadora Kátia Abreu, alvo de um pedido de expulsão do PMDB. Elas se reunirão com o ex-presidente Lula, que está em caravana pelo Nordeste.

Nosso guia A senadora vai discutir seu futuro político com os petistas durante um encontro na casa do governador da Bahia, Rui Costa.

Luz, câmera, ação A presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), ganhou um apelido dos colegas de partido por conta da série de transmissões ao vivo que tem feito nas redes sociais da caravana de Lula: “presidente Mídia Ninja”.

Alô, alô? Som! No início de julho, o ex-deputado Cândido Vaccarezza, preso nesta sexta-feira (18) pela Operação Lava Jato, esteve em Brasília para uma rodada de conversas com antigos colegas. Um dos encontros foi com o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).

Logo agora? No PT, partido do qual foi líder na Câmara, ninguém saiu em defesa de Vaccarezza. Ouvia-se apenas um questionamento entre os senadores da sigla após a prisão do ex-deputado: qual o motivo para a medida três anos depois do início das investigações?

Vai tu mesmo O PSC espera filiar o presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Paulo Rabello de Castro, em outubro. Ele é a aposta da legenda para 2018.


TIROTEIO

O programa é demagogo e hipócrita. E, por ser de um partido da base, o sentimento na Câmara é de tristeza, decepção e raiva.

DO DEPUTADO ROGÉRIO ROSSO (PSD-DF), sobre a repercussão da polêmica propaganda partidária do PSDB nas siglas que apoiam o governo Michel Temer.


CONTRAPONTO

Fato consumado

Depois de participar de um almoço na liderança do PT na Câmara, o ex-prefeito Fernando Haddad, que esteve na quinta-feira (17) em Brasília para um debate sobre mobilidade urbana, seguiu para o Senado.

No caminho, cruzou com o senador Paulo Paim (PT-RS), que conversava com um grupo de estudantes.

— Meu ministro! — cumprimentou Paim.

Os jovens, então, pediram para tirar uma foto ao lado dos petistas e, antes de o ex-prefeito seguir seu caminho, Paim deu um tapinha em seu ombro e falou:

— Prestem atenção! Se o Lula não puder ser candidato, ele aqui é o nosso plano B!