Trecho da reforma política amplia doações em dinheiro vivo; TSE vê brecha para lavagem

Por Painel

Atalho perigoso Técnicos do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que estão analisando as propostas para a reforma política manifestaram profunda preocupação com trecho do relatório de Vicente Cândido (PT-SP) que prevê a liberação de doações em dinheiro vivo no valor de até R$ 10 mil. Hoje, o limite para esse tipo de operação é de R$ 1.064. A área da corte que fiscaliza prestações de contas nas eleições acredita que, se aprovado, o dispositivo abrirá uma avenida para o crime de lavagem de dinheiro.

Falha nossa Procurado, Cândido afirmou que o trecho foi incluído no relatório sem sua autorização e que vai mudar a redação para que seja mantida a regra atual.

Protegido O deputado também pretende tornar sigiloso, exceto para a Justiça Eleitoral, o nome daqueles que fizerem doações a candidatos. Na primeira versão de sua proposta, ele havia estabelecido o sigilo a pessoas físicas que contribuíssem com até três salários mínimos.

Precoce O relatório de Cândido ainda determina a possibilidade de haver arrecadação de recursos já durante as pré-campanhas. Os candidatos a candidatos, porém, não ficam obrigados a abrir uma conta bancária específica para receber os valores.

Empréstimo O texto diz que as doações serão efetuadas na conta do partido, que deverá destiná-los ao pré-candidato. Caso a pré-campanha não vingue, os postulantes terão de devolver os recursos aos doadores.

Eu quero Os convites para que Fernando Haddad faça palestras pelo país aumentaram depois que seu nome foi colocado como plano B do PT na disputa pela Presidência, caso o ex-presidente Lula seja impedido de concorrer.

Vou de bike Na quinta (17), o petista desembarca em Brasília para participar de um debate sobre mobilidade na Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara. Há chamados para eventos em outros cinco Estados: Maranhão, Pará, Espírito Santo, Santa Catarina e Minas.

Vai tarde Haddad esteve com o governador Paulo Câmara (PSB-PE) na semana passada. Na conversa, o pessebista avaliou que, a essa altura, é melhor mesmo que a ala do PSB que defende a aliança com o presidente Michel Temer saia da sigla para se somar ao DEM.

Acelera Aliados do ex-ministro Antonio Palocci (PT-SP) têm esperanças de que ele seja o próximo a fechar acordo de delação premiada com a Lava Jato, ainda na gestão de Rodrigo Janot à frente da PGR.

Mudança estratégica O presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, deve finalizar a troca de seu domicílio eleitoral do Rio para São Paulo nos próximos dias. Pretende se candidatar a federal.

Marcar território Jefferson esteve nesta segunda (14) com o deputado estadual Campos Machado (PTB-SP) e defendeu que a sigla, mesmo sendo aliada do PSDB, lance um nome ao governo paulista. Avalia que o prefeito de SP, João Doria — que é cotado para o posto — mira o Planalto.

Pregar a paz Na guerra fria entre Doria e o governador Geraldo Alckmin, Jefferson fica com o segundo nome. “Doria faz o discurso do Bolsonaro mais rebuscado. É o Bolsonaro intelectual. O país precisa de um conciliador.”

Tem quem queira O pastor Silas Malafaia enviou mensagem a Doria, estimulando-o a trocar o PSDB pelo DEM. O prefeito teria respondido que está “analisando”.

Vem pra rua A Justiça negou pedido do Sindicato dos Agentes Fiscais de Rendas de São Paulo (Sinafresp) para suspender blitze que orientam motoristas sobre o parcelamento de dívidas de IPVA, num programa idealizado pela Secretaria de Fazenda. “Não há demérito” na ação, diz a pasta. “Ao contrário. É serviço público.”


TIROTEIO

Esperar colher melancia em pé de maracujá é o mesmo que esperar austeridade de um governo liderado pelo PMDB e seus piores quadros.

DO EX-MINISTRO CIRO GOMES (PDT), sobre a revisão da meta fiscal, que tem gerado impasse entre as áreas econômica e política do governo Michel Temer.


CONTRAPONTO

Extrema-unção

Durante o jantar na casa do presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), semana passada, para discutir a reforma política, o deputado José Guimarães (PT-CE) apresentava argumentos contrários ao financiamento privado de campanha e dizia ser importante mexer no atual mecanismo de prestação de contas, que, segundo ele, faz com que candidatos cometam erros bobos.

Lá pelas tantas, citou o ex-presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, preso desde junho:

— Ele, que infelizmente não está mais entre nós…

Diante de olhares espantados, emendou:

— Que não está entre nós para debater essa reforma!