PSDB e DEM avaliam que, com Lula no páreo em 2018, haverá pressão para rompimento com Temer

Por Painel

A sorte está lançada Às voltas com projeções sobre 2018, dirigentes do PSDB e do DEM admitem que as decisões mais estratégicas de suas legendas estão atreladas a um fator externo: o ex-presidente Lula. Avaliam que, se a condenação do petista não for confirmada em segunda instância até maio, as chances de a Justiça barrar sua candidatura depois são mínimas. Com ele no páreo, haverá forte pressão pelo rompimento da aliança com Michel Temer, especialmente entre parlamentares do Nordeste.

Âncora Segundo o último Datafolha, na região, reduto eleitoral mais poderoso de Lula, a reprovação a Temer alcança 77%.

Vida ou morte O futuro do ex-presidente também é alvo de debate no PT. A sigla avalia que, se disputar, o petista terá vaga garantida no segundo turno. Se for barrado, porém, precipitará um processo profundo de renovação na legenda.

Quem vai? Os petistas não acreditam que o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) consiga ultrapassar 15% dos votos. Sem citações na Lava Jato e com forte apelo conservador, João Doria (PSDB-SP) seria o rival mais perigoso.

Para frente Dirigentes do PT já programam uma segunda caravana para Lula. Após o giro pelo Nordeste, querem levá-lo ao Sul e a regiões metropolitanas do Sudeste.

Tudo novo de novo A ex-senadora Marina Silva gravou na semana passada o programa da Rede, que vai ao ar dia 29. A propaganda pedirá o fim “do monopólio dos partidos que levam para a política o autoritarismo de direita e de esquerda”.

Todos por um Marina pregará, ao seu modo, a pacificação nacional, mote de Temer e, mais recentemente, de Geraldo Alckmin. Dirá que “o território de ódios e mentiras não constrói nada.”


Vai que cola Com a moral dos partidos em baixa, a Rede dirá que não pretende ser a sigla “da salvação nacional”, mas “um movimento”. “Como uma ‘ola’ em um estádio.”

Na porteira As tratativas para o acordo de colaboração de Daniel Gonçalves, ex-superintendente do Ministério da Agricultura no Paraná, estão próximas de um desfecho. Caberá ao ministro Dias Toffoli, do STF, decidir se a delação será homologada.

Venham todos Apontado na Operação Carne Fraca como chefe de um esquema de pagamento de propinas, Gonçalves cita em sua proposta de delação nomes do PMDB no Paraná, entre eles Osmar Serraglio, ex-ministro da Justiça de Temer, que nega qualquer ilicitude.

Na manga A defesa de Fábio Faria (PSD-RN) anexou ao pedido de anulação da colaboração de Ricardo Saud, da JBS, novos documentos que indicariam inconsistências no relato do delator.

Veja bem Saud disse à Lava Jato que discutiu o pagamento de R$ 10 milhões em propina para a eleição do governador Robinson Faria (PSD-RN), pai de Fábio Faria, em um jantar na casa de Joesley Batista, em SP. Segundo ele, a mulher do governador, Julianne, esteve presente.

Check in Fábio Faria juntou comprovantes de passagens de viagens de Julianne a SP. Quer mostrar que ela só esteve na capital em novembro, depois, portanto, da eleição.

Vi primeiro Com um orçamento de US$ 50 milhões, a Superintendência de Comunicação de Itaipu tornou-se um dos postos mais cobiçados por aliados do governo após a votação da denúncia contra Michel Temer.

É meu O chefe da área foi indicado por Rubens Bueno (PPS-PR), que votou pelo afastamento do presidente. Como retaliação, o governo decidiu exonerar seu afilhado, mas o PSD clamou pela permanência. Agora, o ministro Ricardo Barros (Saúde) dá sinais de que quer escolher novo titular para o posto.


TIROTEIO

João Doria sorri para todos os lados. Adora a poligamia política e topa tudo para chegar à Presidência da República em 2018.

DO EX-GOVERNADOR ALBERTO GOLDMAN, vice-presidente do PSDB, sobre os flertes do DEM e do PMDB com o prefeito de SP, que cogita disputar o Planalto.


CONTRAPONTO

Prós e contras

Na quinta (10), durante sessão no Senado, o presidente da Casa, Eunício Oliveira (PMDB-CE), tentou passar a palavra à senadora Simone Tebet (PMDB-MS), mas, dirigindo-se à colega, cometeu um equívoco e anunciou o nome de Blairo Maggi, ministro da Agricultura, um dos políticos mais ricos do país.

Alertado sobre a confusão, o peemedebista brincou:

— Chamei Blairo Maggi?Quero deixar claro que estou transferindo o patrimônio do ministro para a senhora!

Em meio aos risos do plenário, Eunício continuou:

— A senadora Simone disse que, se for para isso, ela aceita a herança!