Gestos de Temer a Doria ampliam desconforto de Alckmin com a movimentação do prefeito

Por Painel

Que se come frio A crise que quase pôs fim ao governo Michel Temer continua causando estragos no PSDB. Com a última série de acenos a João Doria, o presidente aprofundou o desconforto entre o prefeito de SP e Geraldo Alckmin. Temer atribui ao governador a responsabilidade pelos 11 votos que tucanos paulistas deram por seu afastamento na Câmara. Nesta semana, como prova de que guarda o placar na memória, fez elogios a Doria, abriu-lhe uma porta no PMDB e despejou verbas na capital.

Narciso João Doria garante a aliados que sair do PSDB não está em seus planos, mas não deixou de registrar que as mensagens de que seria bem-vindo no DEM e no PMDB eram um “reconhecimento” ao seu trabalho.

Para dentro O prefeito também enviou sinais a dirigentes do PSDB de que considera um erro a sigla definir candidatura presidencial em dezembro deste ano. Explica-se: com este calendário, programado por Aécio Neves (PSDB-MG), Doria teria que anunciar o desejo de deixar a prefeitura com menos de um ano de mandato.

Me gusta Já o governador Geraldo Alckmin, em longa conversa com o senador mineiro, elogiou a iniciativa. Ele esteve na casa de Aécio, na quarta-feira (9), por quase duas horas. O calendário, como está posto, ajuda a manter sua candidatura como a mais provável no PSDB.

Deixa para depois Integrantes da tropa de choque de Temer na Câmara já avisaram ao presidente que não dará para votar a reforma da Previdência no prazo que o governo espera — até outubro.

Nebuloso Líderes da base aliada retomaram as conversas com suas bancadas nesta semana e relataram ao Planalto que, hoje, não há nenhuma chance de as mudanças nas regras de aposentadoria passarem no plenário.

Bola dividida Embora Temer garanta a sindicalistas que a medida provisória da reforma trabalhista sairá até o início de setembro, a ordem no Planalto é deixar a edição do texto para abril de 2018.

Melhor não saber A minuta que vem sendo elaborado pelo governo não inclui um novo mecanismo de financiamento às centrais. Esta é a principal demanda das entidades que buscam uma maneira de substituir o extinto imposto sindical.

Tiete Crítico ferrenho do presidente Michel Temer, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) vai recepcionar a caravana de Luiz Inácio Lula da Silva em seu Estado, ao lado do filho, que é governador. O petista inicia o giro pelo Nordeste dia 16.


Classe média sofre O alagoano levou colegas de Congresso às gargalhadas ao chegar atrasado ao jantar oferecido pelo presidente do Senado para discutir a reforma política, na terça (8). Disse que seu voo demorou a decolar e emendou: “Ser baixo clero é um desastre!”

Ao que importa Assim que saiu de longa reunião sobre a meta fiscal, nesta quinta-feira (10), o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), embarcou para o Rio. Foi acompanhar, no Engenhão, a partida do Botafogo na Copa Libertadores. Ele é torcedor fanático do time.

Sem chance O governo já se convenceu de que não há chance de melhorar a situação fiscal por meio do aumento de impostos.

Linear Em reunião nesta quinta (10) com os líderes do governo no Congresso e na Câmara, o Planalto definiu que nenhum deputado que votou contra Temer na Câmara manterá aliados em postos do governo.

Na ponta da língua O discurso será o de que, em última instância, os que votaram pela denúncia de Rodrigo Janot estavam endossando a deposição do presidente. No fim da noite, mais de 60 cargos já estavam na lista de substituições.