PSDB interdita debate sobre saída do governo; Aécio faz gesto pró-Alckmin ao Planalto em 2018

Por Painel

Colar os cacos Com a derrota do grupo que pregava o desembarque do governo Michel Temer, capitaneado por Tasso Jereissati (CE), a cúpula do PSDB vai interditar, neste momento, novos embates sobre o abandono de cargos. A divisão no partido se tornou tão intensa que suas alas travaram uma batalha própria, paralela à do presidente, na votação sobre a denúncia na Câmara. Estava em jogo não só futuro do peemedebista, mas a queda de braço entre Jereissati e Aécio Neves (MG), que venceu.

Saldo devedor A tentativa de impor um fim ao impasse em torno da aliança com Temer foi informada ao governador Geraldo Alckmin, que pregou o desembarque e acabou levando o crédito pela decisão do líder da bancada, Ricardo Tripoli (PSDB-SP), de orientar deputados do partido a votar contra Temer.

Para nada Alckmin e Aécio falaram pelo telefone nesta quinta (3), para discutir o resultado. Aliados do paulista admitem que o placar do tucanato na votação o deixou exposto. O resultado também fez com que Tasso perdesse força no jogo de pressão para forçar a renúncia de Aécio à presidência da sigla.

Quem pode A decisão de manter Tasso como presidente interino do PSDB foi classificada como um “gesto de grandeza”, em “nome da pacificação” por um deputado que votou a favor de Temer.

A bola é sua Integrantes da legenda em SP dizem que, na tentativa de acalmar o terreno, Aécio fez um aceno a Alckmin. Disse ao governador que o PSDB deve, ainda em dezembro, em sua convenção nacional, anunciar o candidato ao Planalto em 2018.

Ainda é cedo Uma definição em dezembro seria um entrave para o prefeito de SP, João Doria, que disputa internamente com Alckmin e teria de assumir que pretende deixar a administração quase um ano antes da eleição.

Sem freio Doria falou para 460 empresários em Curitiba, nesta quinta (3). Segunda (7), vai para a Bahia. Fará palestra e será homenageado.

Tempo que urge O presidente Michel Temer vai se reunir com o núcleo duro do Palácio do Planalto neste fim de semana para estabelecer uma agenda de prioridades no Congresso e um cronograma de ação para a tramitação da reforma da Previdência.

Na ativa O governo vai definir como encaminhar a votação de medidas provisórias que considera prioritárias. Estão na linha de frente matérias que tratam do Refis, da reoneração da folha e de terras para estrangeiros.

Teve troco Dois dias após a vitória na Câmara, começaram as retaliações a integrantes da base que votaram contra o presidente. A exoneração de Gustavo Adolfo Andrade de Sá da diretoria de Administração e Finanças do Dnit será publicada no “Diário Oficial” desta sexta (4).

O padrinho Ele foi indicado para o cargo pelo deputado Wellington Roberto (PR-PB), que votou contra Temer. O pedido de punição partiu do ministro dos Transportes, Maurício Quintella (PR).

Siga o mestre O Planalto espera que as outras siglas da base façam pente-fino em suas bancadas, identifiquem os traidores e peçam a cabeça de seus indicados no governo.

Colo de mãe Depois de ser destituído da liderança do Podemos por ter votado a favor de Temer na quarta (2), Alexandre Baldy (GO) foi procurado pelo PMDB. A sigla também espera atrair Carlos Henrique Gaguim (Podemos-TO), que foi fiel ao presidente.

Vira o disco Deputados que trabalham para encorpar o DEM pediram que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), acelere a tramitação da reforma política.

Para já Atuam para que o parecer sobre as mudanças nas regras eleitorais seja votado na comissão que analisa o tema na semana que vem.


TIROTEIO

Michel Temer teve praticamente os mesmos votos que Eduardo Cunha quando foi eleito, em fevereiro de 2015, para presidir a Câmara.

DO ADVOGADO FLÁVIO CAETANO, comparando os 263 votos favoráveis ao presidente na votação da denúncia com os 267 deputados que elegeram Cunha.


CONTRAPONTO

Se não pode vencê-los… 

Com o fim do recesso, parlamentares voltaram a disputar os microfones do Congresso. No Senado, nesta quarta-feira (3), Roberto Requião (PMDB-PR) esperava para ser chamado, quando José Medeiros (PSD-MT) concedeu mais tempo para Vanessa Grazziotin (PC do B-AM) concluir o discurso.

— É um prazer escutar a senadora –, brincou Requião.

Em seguida, perdeu a vez para Humberto Costa (PT-PE), que tem prioridade por ser líder.

Resignado, o peemedebista ironizou:

— Excelência, escutar o senador Humberto Costa é um deleite para este plenário!