Sob o olhar receoso dos que miram 2018, DEM consulta economistas e prepara texto sobre a crise

Por Painel

Mercado futuro Em meio a uma operação que pode quase dobrar o tamanho de sua bancada na Câmara, o DEM corre para preencher com algum conteúdo sua nova forma. Dirigentes da sigla — o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ), à frente — passaram as últimas semanas consultando economistas sobre o impacto da crise econômica e de medidas do governo Dilma Rousseff no “Brasil real”. A ideia é empacotar todas as informações em um livro, a ser lançado já sob a ótica da nova legenda.

Cartilha liberal O DEM também quer lançar um novo programa partidário. Vai defender o empreendedorismo e a simplificação tributária.

Não é com você Na tentativa de acalmar aliados, o DEM apresenta ao gosto do interlocutor as vantagens de seu crescimento. Em conversas com integrantes do governo destacou a tese de que, se chegar a uma bancada de 50 deputados, terá tamanho suficiente para superar o peso do PSDB na base aliada.

Nem com você Ao PSDB, parceiro eleitoral do DEM há mais de uma década, a sigla tem ressaltado que, unidos, os dois partidos somariam quase 100 parlamentares, tornando-se uma força que jamais poderia ser ignorada.

Missão de paz Os dirigentes da sigla que desembarcaram em São Paulo para falar com o governador Geraldo Alckmin negam que a tentativa de robustecer o DEM seja uma ameaça. “Não estamos preocupados em ser maiores do que A, B ou C”, afirma o presidente do partido, Agripino Maia (DEM-RN).


Insone Na China, em busca de investidores, o prefeito de SP, João Doria, manteve o hábito de despertar ainda durante a madrugada para trabalhar. Nesta segunda-feira (24), começou a responder mensagens às 4h35, no horário chinês.

Contragosto Gilmar Mendes, presidente do TSE, não está só nas críticas ao voto impresso. É quase consenso na Justiça eleitoral que a medida acarretará uma série de gastos desnecessários.

Barata tonta A oposição ao presidente Michel Temer vai fazer uma reunião, dia 1º de agosto, às vésperas da votação da primeira denúncia contra o peemedebista na Câmara. Divididas, as siglas que são contra o governo esperam chegar a um consenso sobre como agir no dia D.

Sim ou não? Integrantes do PC do B defendem marcar presença e pronunciar voto contra o peemedebista, mesmo sabendo que não haverá número para aceitar a denúncia de Rodrigo Janot. Integrantes do PT, por sua vez, pregam obstruir a sessão.

Próxima Os adversários do presidente precisariam de 342 votos para autorizar abertura de ação penal contra Temer. Eles admitem que não há apoio suficiente agora, mas apostam que o presidente não sobreviverá a uma segunda investida da PGR.

Sem fronteiras? A exemplo do que Dilma Rousseff tem feito para dar sua versão sobre o impeachment, aliados de Lula também querem internacionalizar o debate a respeito de sua condenação pelo juiz Sergio Moro.

Here, there… A ideia no partido é que os advogados do petista façam conferências internacionais sobre o caso e repitam lá fora a versão de que o ex-presidente é alvo de perseguição política.

Memória viva Aliados de Romero Jucá, Renan Calheiros e José Sarney lembram que, logo após o pedido de prisão dos três, o advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, perguntou à PGR se algum servidor havia auxiliado o delator Sérgio Machado a produzir os áudios que deram base à acusação.

Gaveta A indagação não foi respondida. O assunto voltou a ser debatido após a PF concluir que não há provas de obstrução de Justiça nos grampos feitos por Machado.


TIROTEIO

Como são livres, o PT e o PC do B podem fazer notas de apoio a Maduro, diferentemente da oposição de lá, que leva tiros na rua.

DO DEPUTADO MIRO TEIXEIRA (REDE-RJ), sobre as duas siglas que assinaram manifesto a favor do governo de Nicolás Maduro, presidente da Venezuela.


CONTRAPONTO

Siga o dinheiro!

Na semana passada, assim que desembarcou em Mendoza, na Argentina, para participar da reunião da Cúpula do Mercosul, a comitiva do presidente Michel Temer se apressou em ligar os telefones celulares, mas apenas um dos ministros conseguiu sinal para falar e receber mensagens: Henrique Meirelles, da Fazenda.

As outras autoridades ficaram instigadas com o privilégio do colega e gastaram algum tempo investigando o que ele havia feito de diferente para desbloquear o aparelho. Bruno Araújo (Cidades), então, provocou:

— Será que só o do Meirelles funciona porque é ele quem paga a conta? — perguntou, aos risos.