PMDB quer tirar autor de relatório pró-denúncia de todas as comissões que ele ocupa na Câmara

Por Painel

Mão pesada O PMDB quer fazer o deputado Sérgio Zveiter (RJ) pagar caro por ter dado parecer a favor da denúncia de Rodrigo Janot contra Michel Temer. A bancada do partido na Câmara estuda removê-lo não só da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), onde foi relator do processo contra o presidente, mas de todos os outros colegiados em que ele atua como representante da sigla. A punição será usada como exemplo. A legenda quer deixar claro que não vai tolerar traição ao presidente.

Check list Filho de ex-ministro do STJ, Zveiter atua em três comissões especiais da Câmara, uma delas discute projeto que trata de eleições em tribunais de segundo grau. O deputado também integra dois colegiados externos — um deles discute a crise no Rio, seu berço eleitoral.

Cartão vermelho O PMDB também punirá os deputados que faltarem, sem justificativa, à sessão de votação da denúncia contra o presidente Michel Temer. A sanção será a perda das funções partidárias — a indicação de membros de comissões é prerrogativas das legendas.

Estamos juntos O ex-presidente José Sarney fez questão de interromper as comemorações de seus 46 anos de casamento para, do Maranhão, telefonar para o Palácio do Planalto e felicitar Temer e seus principais ministros pela vitória na CCJ.

Pare agora Tasso Jereissati (CE), presidente interino do PSDB, está sob fogo cerrado. Esta semana tentou marcar a toque de caixa reunião da Executiva para definir a data de nova convenção, mas foi repreendido e recuou.

Elefante e cristais Mesmo parlamentares que defendem a continuidade de Tasso no comando do PSDB dizem que o cearense “exagerou” e deu fôlego aos que dizem que ele age como “um coronel”.

Sem reserva O impasse é grave. Tasso já deixou no ar que pode abandonar o posto se continuar se sentindo contrariado. Ele ocupa a cadeira deixada por Aécio Neves (MG) após o escândalo da JBS.

Estica e puxa Advogados do ex-deputado Eduardo Cunha estiveram na Procuradoria-Geral da República esta semana, mas não entregaram aos investigadores os anexos da proposta de delação do peemedebista.

Até o limite As negociações entre o Cunha e os procuradores estão sendo muito duras. De um lado, a PGR diz que os relatos, até agora, não seriam promissores. Do outro, aliados de Cunha dizem que ele é o único capaz de dar a Rodrigo Janot a bala de prata para derrubar Temer.

Segundo round No próximo dia 21 haverá audiência do caso que apura se a Odebrecht comprou para o ex-presidente Lula o terreno em que ele iria construir seu instituto. Nesta data, o juiz Sergio Moro deve definir quando o petista prestará novo depoimento a ele.

Fôlego Com aval do Ministério Público Federal, Lúcio Funaro conseguiu mais prazo para ficar na carceragem da Polícia Federal, em Brasília. Usará o tempo para terminar de escrever os anexos da sua proposta de delação.

Fale-me mais Funaro deveria ter voltado para a Papuda na sexta (14), mas teve autorização para retornar na quarta (19). No mesmo dia está agendado novo depoimento ao juiz da 10ª Vara, Vallisney de Oliveira, o que determinou a prisão do ex-ministro Geddel Vieira Lima.

Vai na frente… Rodrigo Janot será a atração de um debate sobre combate à corrupção e cooperação internacional, na quarta (19), em Washington, em evento do instituto Atlantic Council.

… que tô chegando Crítico de métodos da Lava Jato, o ministro Torquato Jardim (Justiça) também viaja para os EUA na próxima semana. Assina convênio para a implantação de novas tecnologias em segurança pública.


TIROTEIO

O engenheiro Barros precisa parar de fingir que é ministro da Saúde. Sofre da síndrome da arrogância, com sinais de incompetência.

DO DEPUTADO CHICO D’ÂNGELO (PT-RJ), sobre Ricardo Barros ter afirmado na quinta-feira (13) que “médico precisa parar de fingir que trabalha”.


CONTRAPONTO

Nem com reza brava!

No dia seguinte à tumultuada sessão em que a reforma trabalhista foi aprovada no Senado, o senador Otto Alencar (PSD-BA), que comandava a Comissão de Ciência e Tecnologia, contou que sugeriu ao presidente da Casa, Eunício Oliveira (PMDB-SE), a contratação de um capelão para fazer orações antes do início das votações.

Cristovam Buarque (PPS-DF), então, pediu a palavra para fazer um adendo:

— Hoje, estamos tão radicalmente divididos, que, se alguém rezar o Pai Nosso, outros vão ficar contra!

— É mesmo… — respondeu Alencar, que continuou:

— Então vamos apelar para a Ave Maria. É o jeito!