Lula diz a aliados que não vai ‘esmorecer’ e PT veta discussão sobre um plano B para 2018

Por Painel

A jararaca vive O ex-presidente Lula aproveitou as ligações de aliados para dar um recado claro: “Não vou esmorecer”. No PT é proibido falar em plano B. A sigla avalia que Sergio Moro calculou mal não só a pena, mas também o timing da condenação do petista. Vai estimular a comparação com escândalos recentes, como a mala de propina de Rodrigo Rocha Loures, e reafirmar que, se necessário, irá ao STF pelos direitos políticos de Lula. Só veem dois cenários: ou ele será candidato ou preso político.

Às ruas Movimentos de esquerda ligados ao partido já articulam uma série de manifestações contra a decisão de Moro. A ideia é fazer uma maratona de atos nas principais capitais do país, em todas as regiões.

Nos tribunais O PT decidiu atacar a sentença de Moro não só politica, mas também juridicamente. Advogados do ex-presidente e criminalistas ligados à sigla passaram o dia esquadrinhando a decisão do juiz.

Espinha dorsal A defesa identificou, por exemplo, que Moro citou a delação de Delcídio do Amaral. A fala do ex-senador foi desacreditada na terça (11) pelo procurador Ivan Marx. Ao pedir o arquivamento de outra investigação contra Lula, Marx alegou que o ex-presidente só foi mencionado porque Delcídio queria fechar o acordo.

Mobiliza geral Toda a bancada do PT no Congresso foi chamada para encontro com Lula nesta quinta (13), em SP. Senadores e deputados vão comparecer em peso.

E eu com isso? Aliados de Michel Temer dizem que a condenação de Lula favorece o presidente em ao menos dois pontos: divide o noticiário negativo sobre a crise e reacende o espírito de corpo do Congresso por dar fôlego ao discurso de que há uma ofensiva contra a política.

Céu aberto A chance real de o petista — candidato mais competitivo nas pesquisas sobre a eleição de 2018 — ficar inelegível muda fortemente a equação que norteia as estratégias de siglas que têm pré-candidatos. O PSDB, por exemplo, perderia seu principal antagonista.

Nas urnas Tucanos que estão intimamente conectados à disputa pelo Planalto confessam que o melhor cenário seria Lula candidato e derrotado. Só assim, dizem, ele perderia a aura de mito.

Mão lava a outra Líderes do centrão voltaram a cobrar que Michel Temer desaloje o PSDB do governo. Após pressionarem suas bancadas a fechar questão pela rejeição da denúncia contra o peemedebista, reafirmaram a ele que os tucanos, no comando de quatro ministérios, não merecem o espaço que ocupam.

Rir para não chorar A indefinição do PSDB foi alvo de piada na reunião em que o PMDB decidiu fechar questão pela rejeição da denúncia contra Temer. Um deputado interrompeu o encontro para dizer que havia acabado de saber que os tucanos resolveram punir quem “descumprisse a determinação de ficar em cima do muro”.

Conta não fecha Aliados de Temer apontam o risco de a denúncia contra o presidente não ser votada antes do recesso. Dizem que, ao estabelecer que a sessão só será iniciada com 342 deputados em plenário, Maia colocou um sarrafo alto demais.

Carapuça Num momento em que vários integrantes do MPF são criticados pelo exibicionismo, o ex-procurador-geral Roberto Gurgel, aliado de Raquel Dodge, disse que a nova chefe da PGR “personifica a principal característica do trabalho do Ministério Público: a sobriedade”.

Visita à Folha Marcos da Costa, presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de São Paulo, visitou a Folha nesta quarta (12). Estava acompanhado de Taís Borja Gasparian, advogada, e Marili Ribeiro, gerente de comunicação da OAB.


TIROTEIO

Rodrigo Maia tem sido correto em suas atribuições. A Constituição e o regimento não podem ser rasgados. O resto é intriga.

DO DEPUTADO ROGÉRIO ROSSO (PSD-DF), que critica os que “querem desestabilizar o país” com a tese de que o presidente da Câmara conspira.


CONTRAPONTO

Só pensam naquilo

Em reunião da bancada do PRB na Câmara, nesta terça (11), o deputado Sérgio Reis (SP) pediu a palavra ao ministro Marcos Pereira (Indústria), presidente licenciado do partido, para anunciar que vai disputar a reeleição.

Ao justificar a decisão, o sertanejo disparou:

— Pô, preciso de mais quatro anos para poder trabalhar porque até agora só votamos impeachment.

Um colega ficou sem entender:

— Como assim, Sérgio?

O cantor provocou:

— O que foi que fizemos aqui até agora além de votar os processos contra Dilma, Cunha e Temer?