Aliados aconselham Temer a rever plano de governo, adaptando-o ao novo tamanho da base

Por Painel

Fatos teimosos Michel Temer tem sido aconselhado a reorganizar o plano do governo para a economia, adaptando-o ao novo tamanho de sua base no Legislativo. Dentro do possível, iniciativas que requeiram o aval de três quintos do Congresso, como a PEC da Previdência, seriam substituídas por projetos de lei, que podem ser aprovados por maioria simples. O presidente mostraria que, caso sobreviva às denúncias de Rodrigo Janot, ainda teria capital político suficiente para tocar a agenda de reformas.

De A a Z Com as informações de que a proposta de delação de Eduardo Cunha implicará não só o presidente, mas a cúpula do Congresso, ganhou força entre aliados de Temer a tese de que, se insistir em rifar o presidente, a Câmara caminhará para um “haraquiri político”, dando o controle do país à Lava Jato.

No duro? No Congresso, peemedebistas têm dito que o PSDB erra ao achar que, abraçando o nome de Rodrigo Maia, criará uma ponte segura para 2018. Lembram que, se vingar, Maia será candidato à reeleição, dividindo o grupo que dá sustentação a presidenciáveis tucanos.

Fênix Em meio à expectativa de que Rodrigo Maia (DEM-RJ) se viabilize como sucessor de Temer, o DEM toca um processo de refundação da sigla. Quer dobrar a bancada na Câmara em 2018.

Moderados Hoje com 29 deputados em exercício, o DEM flerta com nomes do PSB e do PSD. Para conquistar novos integrantes, admite até reformular o programa do partido, colocando-o como de centro-direita.

Deu A erosão da base política de Temer coincidiu, novamente, com viagem do presidente ao exterior para o G20. Aliados recomendaram não repetir mais a aventura.


Millennial O presidente francês, Emmanuel Macron, chamou atenção pela informalidade. Pendurou o terno no espaldar da cadeira, falou com camisa branca, chamou Trump, dos EUA, de “Donald”. Honrou os 39 anos de idade, o caçula do G20.

Memória viva Em seu périplo pelo Senado, Raquel Dodge, indicada para a chefia da PGR, afirmou a parlamentares que, caso assuma o cargo, quer provocar o Supremo a reabrir o debate sobre a revisão da Lei da Anistia.

Agora vai Em 2010, a corte manteve a validade da lei que perdoou crimes políticos da ditadura. Em 2014, o PSOL entrou com novo pedido de revisão, mas o processo parou. Dodge disse a senadores ter a expectativa de que a atual composição do STF seja mais sensível ao tema.

Meu pessoal Dodge sinalizou a integrantes do Ministério Público Federal a intenção de colocar os procuradores Raquel Branquinho e José Alfredo de Paula Silva na coordenação força-tarefa da Lava Jato. Eles atuaram com o ex-procurador-geral Roberto Gurgel no mensalão.

Foco e fé A colegas o juiz Sergio Moro tem dito que o trabalho sobre a ação do ex-presidente Lula no caso do tríplex no Guarujá tem exigido bastante tempo e dedicação.

Aguardai O magistrado, responsável pela Lava Jato em Curitiba, não dá, porém, estimativa de quando deve proferir seu veredito. Petistas esperam uma decisão do juiz, considerado algoz de Lula, a qualquer momento.

Promessa é dívida Na Russia, Temer anunciou que havia promulgado acordo para evitar a dupla tributação. Os empresários, porém, continuam esperando a publicação do decreto. Sem ele, dizem, as multinacionais brasileiras concorrem em desvantagem naquele país.

Siga o mestre O já aquecido mercado de acordos de leniência ganhou um player de peso. Após a quarentena, o ex-ministro Valdir Simão (Planejamento e CGU), que regulamentou a lei que prevê o mecanismo, começou a captar clientes no mercado.


TIROTEIO

Eles são altamente qualificados, da academia e do mercado, mas tenho excesso de alternativas para substituí-los no banco.

DE PAULO RABELLO DE CASTRO, presidente do BNDES, sobre a saída de dois diretores da instituição por divergências com medidas anuncias por ele.


CONTRAPONTO

Zona de turbulência

No início da semana, um dirigente petista embarcou em um voo saindo de São Paulo para Brasília.

Enquanto a tripulação se preparava para a decolagem, a comissária se apresentou e anunciou que ela era a responsável pela equipe a bordo. Como de praxe, disse que o comandante tinha o prazer em receber os passageiros daquele voo e desejou a todos uma boa viagem.

Acostumado com os deslocamentos semanais à capital federal, o político só prestou atenção em duas partes da fala e, rindo, cutucou o passageiro ao lado:

— Quando os sobrenomes do piloto e da aeromoça são Serra e Mercadante, é sinal que estamos em risco.