Ex-procurador da Lava Jato deixa escritório de advocacia que negocia leniência da JBS

Por Painel

Primeira vítima O ex-procurador Marcello Miller, que deixou a força-tarefa da Lava Jato em Brasília para atuar no escritório que negociou a leniência da J&F, saiu da firma, da qual havia se tornado sócio. A saída teria acontecido após acordo entre ele e a direção da banca.

Tiro, porrada e bomba Miller foi alçado à linha de frente da polêmica sobre o acordo firmado pela Procuradoria-Geral da República com os donos da JBS e chegou a ser citado pelo presidente Michel Temer em duro discurso contra Rodrigo Janot. Nos bastidores, era acusado de ter atuado dos dois lados do balcão: na PGR, durante as negociações da delação e, depois, na defesa dos empresários.

Desconforto  O ex-procurador foi duramente criticado até por colegas do Ministério Público Federal por não ter respeitado uma quarentena. Como mostrou o Painel  em maio, o ex-braço-direito de Janot negociou por meses sua ida para o escritório Trench Rossi Watanabe. Ele pediu exoneração do MPF em 4 de março, três dias antes de Joesley Batista gravar conversa que pode derrubar o governo Michel Temer.

Desconforto 2 Com a escalada da crise política, há algumas semanas Miller começou a ser sondado sobre sua disposição em sair da banca.

Jamais O ex-procurador afirma que nunca atuou em investigação de qualquer empresa ligada ao grupo J&F. Por meio de sua assessoria, Miller informou ainda que pediu desligamento do MPF em 22 de fevereiro deste ano, com efeitos a partir do dia 5 de abril. O ato, porém, só foi formalizado no dia 4 de março. Miller também nega ter negociado por meses a migração para o escritório de advocacia.

Linha final A assessoria da J& F afirma que “o escritório Trench, Rossi e Watanabe Advogados prestou serviços para a J&F, porém o acordo de leniência foi fechado por outro, Bottini & Tamasauskas Advogados”. A banca que Miller integrava fez tratativas para a leniência. Após a polêmica, o acordo foi fechado por outro escritório.

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