À frente do PSDB, Aécio engavetou manifesto do partido que pregava rigor contra corrupção

Por Painel

Esqueça o que escrevi No fim de abril, o PSDB paulista elaborou um manifesto que seria enviado a todos os filiados à sigla no país. Ele foi entregue ao então presidente da legenda, Aécio Neves (MG). A crise política, claro, engoliu a iniciativa e fez do material, até agora inédito, peça de ficção. “Fazer a boa política é sentir e repercutir a indignação da sociedade diante da trama que uniu empresários inescrupulosos e políticos corruptos”, diz. “São práticas (…) com as quais o PSDB jamais compactuou.”

Freios e contrapesos O manifesto dava força ao discurso contra a criminalização da política e condenava “tratar diferentes como iguais, inocentes como culpados”. Pedia, ainda, “principalmente nos casos relativos à Lava Jato”, compromisso “rigoroso com as leis e a prevalência da isenção e da racionalidade”.

Gaveta Aécio Neves, hoje alvo de pedido de prisão a ser julgado pelo STF, não chegou a dar aval ao texto. No fim do documento, o tucanato reafirmava a “confiança na integridade das nossas lideranças”.

Morte súbita A primeira turma do STF, na qual corre o processo de Aécio, ganhou o apelido de “câmara de gás” no meio jurídico, pelo rigor com que atua. O tucano solicitou a transferência do caso para o plenário.

Lembrai No pedido para que o STF remeta ao plenário da corte a decisão sobre a prisão de Aécio, o advogado Alberto Toron reforça que o próprio procurador-geral da República, Rodrigo Janot, havia solicitado que o caso fosse julgado pelo colegiado.

Vida nova Advogado de Dilma Rousseff no TSE, Flávio Caetano comemorou o encerramento de um ciclo com o fim do julgamento. Quando o caso começou, em 2014, ele não namorava. Agora está casado e espera o nascimento da primeira filha, em julho.

Não e não Líder do PMDB na Câmara, Baleia Rossi tentou convencer Marta Suplicy a aceitar o Ministério da Cultura até o último minuto. Mesmo com recusa anterior, insistiu na véspera do feriado.

Deu ruim O pedido de transferência de Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) da Papuda para a carceragem da PF, em Brasília, irritou a mulher do ex-deputado — agora, ele está em uma cela de 9 metros quadrados e não tem mais direito a banho de sol.

Quem manda Grávida de oito meses, Ana Seleme relatou a pessoas próximas que a defesa do peemedebista fez o pedido ao STF sem consultar Rocha Loures. Procurado, o advogado Cezar Bitencourt não retornou às ligações.

Profecia Uma ala do PT afirma que, com a possibilidade de novas delações e o atrito com a PGR, Michel Temer não chegará a 2018. Esses petistas dizem que “agosto será o mês dele, assim como foi o nosso”, em referência à queda de Dilma Rousseff.

Deixa disso Presidente do PP, Ciro Nogueira (PI) tentou demover Rebecca Garcia (PP) da ideia de entrar na disputa pelo governo do Amazonas contra Eduardo Braga (PMDB), em 6 de agosto.

Do outro lado Garcia foi vice na chapa do senador peemedebista nas eleições de 2014 e, depois da derrota, foi indicada pelo próprio Braga para comandar a Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) — de onde foi demitida no fim de maio.

Toma lá, dá cá A base de Geraldo Alckmin tem reagido à escassez financeira, que levou o governador paulista a praticamente paralisar o pagamento de emendas parlamentares aos deputados estaduais. Pequenas legendas têm declarado “independência” na Assembleia.

Oportunidade Nesse cenário, o PT decidiu começar a coletar assinaturas para instaurar uma CPI sobre a destinação de recursos para a educação. Para cumprir a lei, Alckmin contabilizou até repasses para o pagamento de aposentadorias na rubrica.


TIROTEIO

Depois de falar sandices para cirurgiões plásticos, ‘Deusllagnol’ tem que ser convidado agora para abrir o congresso de psiquiatria.

DO CRIMINALISTA ANTONIO CARLOS DE ALMEIDA CASTRO, o Kakay, sobre Deltan Dallagnol debater a Lava Jato na 37ª Jornada Paulista de Cirurgia Plástica.


CONTRAPONTO

Momento fofura

Em sessão no dia 16 de maio, o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), determinou que só oradores inscritos poderiam se manifestar em plenário. Roberto Requião (PMDB-PR), então, esperou a vez para falar:

— Presidente, obedecendo à sua orientação, eu não aplaudi a senadora Vanessa Grazziotin (PC do B-AM), mas registrem em ata o meu aplauso ao seu belíssimo pronunciamento — disse, aos risos, batendo palmas.

— É uma maneira mais educada de fazer a sua apreciação. Como vossa excelência é um senador conhecido nesta Casa pela sua meiguice, eu entendo! — ironizou Eunício.