Com sinal de que PSDB e DEM ficarão até desfecho no TSE, Temer tenta evitar que ‘plano B’ se viabilize

Por Painel

A força da inércia Com o acordo tácito de que terá o suporte do PSDB e do DEM até, ao menos, o desfecho de seu julgamento do TSE, em junho, o presidente Michel Temer trabalha agora para conter a construção de uma alternativa viável para substituí-lo no Planalto. A insegurança sobre o que viria com uma possível queda favorece sua permanência no posto. O governo jura ter o apoio do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), citado pela base aliada e partidos como o PT como uma opção.

Dois coelhos Caberia a Rodrigo Maia conduzir o processo de uma eleição indireta. Nesse cenário, aliados do deputado reconhecem que ele teria dois fatores a seu favor: já estaria no comando do país e ainda poderia negociar a cadeira de presidente da Câmara para angariar apoio.

Fico O deputado é tratado como aliado de primeira hora pela equipe do presidente. Um frequentador dos jantares na residência oficial da Câmara ressalta, porém, que o governo não tira o olho dele: sempre envia um ministro para acompanhar as conversas.

Sei não… Embora seja seu aliado, o PSDB olha a opção Maia com desconfiança.

Fio da navalha Ainda que o governo consiga sustentar, com laudo da Polícia Federal, que houve alguma edição no áudio feito por Joesley Batista com Michel Temer, aliados do presidente admitem que o peemedebista ganharia apenas fôlego jurídico, não político.

Senhor do tempo O diretor-geral da PF, Leandro Daiello, repete a célebre frase do ex-senador gaúcho Pinheiro Machado a quem o pergunta qual é o prazo para o fim da perícia do áudio: “Nem tão devagar que pareça afronta, nem tão depressa que pareça medo”.

Ironia do destino Em meio à polêmica sobre a gravação com Temer, o ministro Osmar Serraglio (Justiça) e Daiello confirmaram presença na Conferência Internacional de Ciências Forenses, que reunirá peritos do mundo inteiro, nesta terça (23).

Fora do cerco Na série de reuniões que comandou em seu instituto nesta segunda (22), Lula estimulou o PT a ampliar o debate sobre eleições diretas. Há a constatação de que, se a proposta for vista como uma bandeira da sigla, ela não vai prosperar.

Cadê o povo? O ex-presidente disse que, sem gente nas ruas, será difícil fazer o debate sobre novas eleições presidenciais avançar. Ainda indicou que o PT não deve estimular uma solução pela eleição indireta, via preferida por siglas como o PSDB.

Torcida velada Em privado, tucanos admitem que a melhor saída para a crise seria a cassação da chapa Dilma-Temer pelo TSE. Dizem que, dessa maneira, o presidente sairia por um “caminho constitucional”, abrindo espaço para “uma transição ajuizada”, garantindo “o andamento das reformas”.

Na história Movimentos sociais de esquerda, liderados pelas frentes Povo sem Medo e Brasil Popular, estão organizando comícios pelo país em defesa das diretas. O primeiro deles acontece no fim de semana, no Rio. Há articulação para um ato em São Paulo, nos moldes do de 1984, no Anhangabaú.

Fiquem comigo Assegurando que não vai renunciar, Michel Temer decidiu fazer uma ofensiva para reconquistar o apoio do empresariado. Entrou em contato com CNI (Confederação Nacional da Indústria), CNF (Confederação Nacional das Instituições Financeiras) e Fiesp.

Quase lá A direção da Fiesp estudava divulgar uma nota em apoio à tramitação das reformas. E só.

Aos poucos O presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), vai tentar colocar temas em votação com o discurso de que o Congresso não pode abandonar “a pauta que o Brasil precisa”.


TIROTEIO

Não foi ingenuidade quando, na calada da noite, recebeu um cidadão e não teve postura de líder que cuida da coisa pública.

DE CLAUDIO FONTELES, ex-procurador-geral da República, sobre a fala de Temer de que foi “ingênuo” ao receber Joesley Batista e não obstar a conversa.


CONTRAPONTO

Problema geográfico

Na reunião da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) no sábado (20), o deputado Carlos Marun fez uma defesa enfática do presidente Michel Temer e criticou a premiação recebida por Joesley Batista, dono da JBS:

— A nação está indignada. Como um áudio forjado resulta numa anistia que proporciona a criminosos embarcarem num avião para aterrissarem em Nova York e estarem lá se locupletando em belos jantares e sex shop?

Em seguida, o deputado fez uma ponderação. Disse que os passeios em si não são o problema:

— Não que eu tenha alguma coisa contra isso. Minha mulher está aqui, inclusive. Mas eles estão lá e nós aqui.