A aliados, Dilma manifesta preocupação com crise e diz que ‘tudo isso é muito ruim’ para o país

Por Painel

Dia após o outro A ex-presidente Dilma Rousseff não externou revanchismo ou deleite ao assistir à deterioração da governabilidade de Michel Temer, homem que a sucedeu no Palácio do Planalto após o impeachment e a quem credita boa parte da responsabilidade pelo “golpe” que julga ter sofrido. Com quem conversou, Dilma, em tom grave, manifestou preocupação com a escalada da crise política no país. “Tudo isso é muito ruim”, disse a um interlocutor. “Olha o que eles fizeram com o Brasil.”

Choque Dilma ficou especialmente assustada com os termos da conversa entre Temer e Joesley Batista, da JBS. Aliados contam que a petista se espantou com a tranquilidade com que o empresário narrou crimes diante do presidente.

Parada Com o agravamento da crise política, Dilma decidiu suspender viagem que faria esta semana para a Inglaterra. Ela prega a convocação de eleições diretas.

Agravou A decisão da OAB de pedir o impeachment de Temer agravou a situação política do presidente, admitem aliados. Advogado do peemedebista, Gustavo Guedes criticou a velocidade com que a entidade tomou a decisão.

Lamento “Foram três dias desde a revelação dos fatos, dois dias de formação da comissão, um dia para o relator elaborar seu voto e nenhum dia para a defesa do presidente”, disse Guedes.

Luz, câmera… A cineasta Petra Costa, que estava finalizando seu documentário sobre o impeachment de Dilma, voltou a Brasília para filmar a crise no governo Temer.

… ação Na quinta-feira (18), Petra e sua equipe acompanharam o furor no Congresso, com pedidos de impeachment, especulações sobre renúncia e discursos em defesa do peemedebista.

Pausa estratégica Dividido, o PSDB vai aguardar alguns dias para decidir sobre possível desembarque do governo. Se deixar Temer, dirá que ele perdeu as condições de conduzir as reformas.

Calma lá Interlocutores da JBS tentam rebater a versão de que os irmãos Batista estão se divertindo em Nova York após abrirem crise política no Brasil. Ressaltam que Wesley Batista não saiu do país desde a homologação da delação e que mantém expediente no escritório do grupo.

Incerto Quanto a Joesley, dizem que viajou para o exterior depois de receber ameaças diretas à sua família. O empresário passou três dias em Nova York, mas deixou a cidade há uma semana com filha, neto e outros parentes.

Jogo pesado Joesley teria sido orientado pelas autoridades a não informar seu paradeiro nem aos mais próximos, por receio de interceptações telefônicas ilegais. Na delação da empresa, foram citados nomes da PM e de políticos suspeitos de ligação com as milícias do Rio.

Grupo seleto Cerca de 15 profissionais compõem o setor de perícias em audiovisual e eletrônica do Instituto de Criminalística da PF. Esse grupo vai analisar a conversa de Joesley com Temer.

Tipo exportação Em meio à mais grave crise do governo Temer, o relator da reforma trabalhista na Câmara, Rogério Marinho (PSDB-RN), vai nesta segunda-feira (22) a Genebra defender na OIT (Organização Internacional do Trabalho) as mudanças propostas pelo governo.

Tipo exportação 2 A reforma foi denunciada pelo Ministério Público do Trabalho ao organismo estrangeiro com base em uma convenção que garante o direito de sindicalização e de negociação coletiva. Marinho tentará evitar que o Brasil seja formalmente questionado sobre o caso pela OIT.

Na Folha A partir desta segunda-feira (22), o senador Aécio Neves (PSDB-MG) deixa de publicar coluna na página A2 do jornal.


TIROTEIO

A pinguela ruiu. Somente uma ponte feita com diálogo, espírito público e patriotismo sustentará a democracia brasileira.

DO DEPUTADO SILVIO TORRES (PSDB-SP), sobre a crise política no governo de Michel Temer e o caminho para manter a “esperança” de superá-la.


CONTRAPONTO 

Laços do passado

Após a megaoperação policial conjunta do governo do Estado e da Prefeitura de São Paulo na cracolândia, neste domingo (21), o governador Geraldo Alckmin deixava a região central da cidade acompanhado de secretários.

Quando Alckmin entrava no carro, um morador gritou:

— Olha ali o Mário Covas! — em referência ao ex-governador, padrinho político de Alckmin, morto em 2001.

O tucano sorriu e, em seguida, virou para os secretários Floriano Pesaro (Desenvolvimento Social) e David Uip (Saúde), que o acompanhavam:

— Isso é que estar atualizado com tudo de mais importante que acontece no país!