Partidos vão usar o fim de semana para definir se abandonam Temer; DEM e PSDB só agirão juntos

Por Painel

Por aparelhos As próximas 72 horas serão decisivas para o futuro do presidente Michel Temer. É o tempo que líderes de partidos que são os pilares de sua base no Congresso terão para decantar as acusações feitas por Joesley Batista, dono da JBS, ao peemedebista. PSDB e DEM decidiram que, se desembarcarem, o farão juntos. O gesto, por si só, aniquilaria o apoio a Temer no Parlamento. Segundo dirigentes do PSB, a semana já não deve começar com boas notícias: a sigla vai deixar o governo.

Linha direta Os presidentes do PSDB, Tasso Jereissati (CE), e do DEM, Agripino Maia (RN), combinaram de falar sobre a situação do governo neste domingo (21). Cientes de que o risco de debandada é altíssimo, aliados de Michel Temer decidiram passar o fim de semana em Brasília tentando segurar o efeito manada na base do governo.

Via expressa O PSB, que tem o Ministério de Minas e Energia, vai devolver a pasta. A executiva da sigla se reúne neste sábado (20) para referendar os termos de sua saída. O partido deve pregar a renúncia de Temer e o cumprimento da Constituição, ou seja: eleições indiretas.

Empurrão Afetou sobremaneira o humor dos parlamentares da base aliada editorial publicado pelo jornal “O Globo”, na tarde desta sexta (19), pregando a renúncia de Temer. “Sem a Globo, o presidente não tem como sobreviver”, provocou o senador Lindbergh Farias (PT-RJ).

De grão em grão Enquanto a OAB nacional não fecha posição sobre o futuro de Temer, 14 seccionais da entidade já se pronunciaram a favor do impeachment do presidente. A executiva da Ordem se reúne neste sábado (20), extraordinariamente, para tratar do tema.

Nota triste Com o clima pesado, recepcionistas do Planalto notaram que a apresentação da banda do Batalhão da Guarda Presidencial, que acontece toda sexta às 17h, foi mais longa do que de costume. No repertório, além do Hino Nacional, “Carinhoso” e “Aquarela do Brasil”.

Despertador Nas primeiras horas da manhã desta sexta (19), a cúpula do Planalto já havia recebido o resultado preliminar da perícia feita a pedido do governo no áudio de Joesley Batista com Temer. A análise levantou a possibilidade de que Joesley tenha enxertado ruídos para disfarçar os cortes.

Altas horas Os profissionais acionados pelo Planalto trabalharam a madrugada inteira na análise minuciosa do áudio. Com a confirmação de que a gravação foi editada, auxiliares de Temer oscilaram entre a euforia e o ódio. “A bolsa perdeu R$ 219 bilhões”, repetia um aliado do peemedebista.

Veredito Está nas mãos da presidente do Supremo, Cármen Lúcia, pautar discussão sobre um questionamento da Procuradoria-Geral da República a respeito de divergência entre o que diz a Constituição e o que diz um recente projeto de lei sobre vacância de cargo após o segundo ano de mandato.

Veredito 2 O relator da ação é o ministro Luís Roberto Barroso. Ele liberou o caso para votação em outubro do ano passado. Em tese, o Supremo pode definir de uma vez se, em caso de cassação pelo TSE, eleição direta seria a opção legal. Há divergência na corte, porém, sobre esse entendimento.

Sinais Magistrados observaram que, no editorial em que pregou a renúncia de Temer, “O Globo” pediu a observância da Constituição, o que foi visto como gesto na direção de eleições indiretas, conduzidas pelo Congresso. A aposta é que caberá ao Supremo estabelecer as regras para o processo.

Game over Integrantes do Senado dizem que não há dúvida de que a Casa vai cassar Aécio Neves, afastado do mandato após ser flagrado em grampo pedindo dinheiro a Joesley Batista.


TIROTEIO

Temer vai sair mais cedo ou mais tarde. A vaca foi para o brejo e levou a corda. A solução é eleição direta e nova Constituinte.

DO SENADOR ROBERTO REQUIÃO (PMDB-PR), que defende a renúncia do presidente ao mandato para que o país saia da crise e seja “passado a limpo”.


CONTRAPONTO

O mundo encantando da JBS

Em entrevista em 2014, Ticiana Villas Boas, mulher de Joesley Batista, dono da JBS, falava de seu casamento “com um empresário rico”.
Perguntada sobre o que era a melhor coisa de ter dinheiro, a então âncora do Jornal da Band respondeu:

— É não ter que fazer conta, poder sair para jantar na hora que quiser, no restaurante que quiser, poder reformar sempre a casa, ter funcionários…

E continuou:

— Tenho medo de sair da realidade. Por exemplo, quando chego em casa, o meu carro já está abastecido. Um dia percebi que não sabia o preço do litro da gasolina!