PT usará rejeição a Temer e apoio à antecipação de eleições para impulsionar candidatura de Lula

Por Painel

Quem sabe faz a hora Dois dados da última pesquisa Datafolha vão nortear a estratégia do PT para projetar a candidatura de Lula à Presidência: a alta insatisfação com o governo Michel Temer e o índice de 85% de apoio à convocação de eleições diretas. Os petistas centrarão fogo na propaganda pela antecipação da disputa de 2018, ainda que não acreditem que isso vá ocorrer. Querem ampliar a pressão sobre a Lava Jato e inflar o discurso de que qualquer ação contra Lula tem o objetivo de tirá-lo do páreo.

Check! A pesquisa confirmou a projeção de entusiastas da candidatura de Lula de que a divulgação das delações da Odebrecht teria efeito paradoxal sobre a imagem dele.

Bumerangue A avalanche de acusações aumentou o noticiário negativo sobre o petista, mas também lançou lama sobre a oposição. Isso, dizem aliados, deu vazão a uma espécie de pragmatismo eleitoral em fatia da população que avalia positivamente o legado econômico de Lula.

Órfã O bom desempenho do petista no Datafolha também vai acelerar o processo de isolamento de Dilma Rousseff dentro do PT. O ato no Rio Grande do Sul em que Lula apareceu ao lado dela não se repetirá em outros Estados.

É dela O governo está atento a esse movimento e tentará desidratá-lo. Vai explorar em mensagens nas redes sociais a “herança” deixada pela petista. “Quem pariu Mateus que o embale”, afirma um auxiliar de Michel Temer.

Ufanista Aliados do presidente dizem não ter medo de a rejeição ao governo dificultar a aprovação das reformas. “Não estamos preocupados com eleição. Temer não é candidato. Nosso candidato é o Brasil”, diz o ministro Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência).

Vigiai No PSDB, a pesquisa reforçou o nome de Doria como presidenciável. Além de ter baixa rejeição, os tucanos veem no prefeito um reflexo mais bem acabado do comportamento que o eleitorado conservador e anti-PT espera ver na eleição.

Custou caro O tucanato admite que errou ao deixar Jair Bolsonaro (PSC-RJ) correr de maneira acrítica. Avalia que, ao minimizar o potencial competitivo do militar e optar pelo silêncio, facilitou seu crescimento no campo da direita, que despreza ataques feitos por PT e PSOL.

Na coxia Apesar de ter minimizado o impacto da greve geral da última sexta (28), o governo mandou sinais de que quer retomar o diálogo. Paulinho da Força (SD-SP) disse que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), foi quem deu o recado.

Lições do passado Reunidos no aeroporto às vésperas da greve, ministros do governo Temer tentavam projetar o efeito político da manifestação. Um deles fez um alerta: “Dilma subestimou muito o poder do Paulinho”.

Didático O governo vai rediscutir a situação do PTN. O partido ganhou a presidência da Funasa, mas não entregou os votos na reforma trabalhista. Nesta terça, dois deputados do PTN e um do PMDB vão perder cargos no órgão. No Dnit, serão cortados cargos do PR e do PSB.

É guerra A base teria 411 integrantes se todos os deputados das siglas aliadas votassem com o governo. Como o número não se confirma no plenário, “é melhor ter 300 de Esparta”, diz um ministro.

Senhor da razão Aliados do governo no Congresso argumentam, porém, que as exonerações de indicados dos infiéis de nada adiantarão se o governo não adiar a tramitação da reforma da Previdência. Dizem que é preciso tempo para que a propaganda oficial chegue às bases eleitorais dos deputados.

Agora vai? O Canadá abriu consulta pública para medir o interesse de seus empresários num acordo comercial com o Mercosul. O Brasil torce há anos pelo negócio.


TIROTEIO

Mulher não existe como trabalhadora. É assim que ele vê o país. Temos de ser as primeiras a dizer que invisível é o Temer.

DA DEPUTADA MARIA DO ROSÁRIO (PT-RS), sobre Michel Temer ter dito ao Programa do Ratinho que governos precisam de marido para não quebrar.


CONTRAPONTO

Vocês que se entendam

O deputado João Carlos Bacelar (PTN-BA) levou ao plenário seu descontentamento com a postura do relator da reforma da Previdência, Arthur Maia (PPS-BA). Segundo ele, o colega não poderia admitir emendas ao texto feitas individualmente por um parlamentar. Antes de solicitar que Rodrigo Maia (DEM-RJ) apreciasse a questão, Bacelar lembrou que o ex-presidente da Casa, Luís Eduardo Magalhães, analisara questão similar no passado.
— Recolho a questão de ordem e prometo respondê-la, apesar de ser um problema, pelo que estou vendo, baiano: Vossa Excelência é baiano, o relator é baiano e o ex-presidente [da Câmara] é baiano — disse Rodrigo Maia.