Ao negociar livro, Cunha disse que foi alvo de ‘cabo de guerra’ entre Lula e Temer

Por Painel

Meias palavras Na nota que escreveu da cadeia, Eduardo Cunha contou apenas metade de sua versão sobre os dias que antecederam a abertura do impeachment de Dilma Rousseff. Às vésperas da prisão, em 2016, almoçou com o dono da editora Matrix, Paulo Tadeu. Negociava a publicação de seu livro. Destacou um ponto como o mais interessante: disse que foi alvo de um “cabo de guerra” entre Lula e Michel Temer antes de abrir o processo. Prometeu detalhar as ofertas feitas pelos dois lados.

Tem mais No texto redigido no complexo penal, segunda (17), Cunha disse que antecipou a Temer o parecer em que autorizava a abertura do impeachment. A reunião com a Matrix em que citou ação de Lula para que agisse na direção oposta foi no aeroporto de Congonhas, dois dias antes de ele ser preso. Procurada, a assessoria do ex-presidente disse que não comentaria.

Com algemas A editora tenta manter as negociações, mesmo após a prisão de Cunha. Um aliado do ex-deputado faz a ponte. O último recado, porém, foi de que ele não conseguiria terminar de escrever a obra no presídio.

Conexões Alexandre Barreto de Souza, auditor do TCU nomeado por Temer para a presidência do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), foi um dos membros da corte que atuou na negociação que evitou a anulação dos acordos de leniência fechados pela Lava Jato.

Preciso saber As notícias sobre suposto desinteresse do Ministério Público Federal em firmar acordo de leniência com a Engevix na investigação que apura irregularidades nos fundos de pensão fez a empresa procurar formalmente o órgão.

Digo sim O procurador Anselmo Henrique Lopes garantiu que as negociações com a empreiteira continuam. A Engevix tenta acordo com o MPF há mais de um ano.

Ação… Em forte campanha virtual contra o projeto que pune o abuso de autoridade, procuradores da Lava Jato agora são alvo de um contra-ataque nas redes. Começou a circular foto, com Deltan Dallagnol em destaque, sob o título: “Os Intocáveis”.

… e reação O texto da imagem ironiza benefícios do Judiciário. “Ninguém toca nos 1.001 auxílios, nem nos 20 dias de recesso, nos 60 dias de férias por ano e muito menos no cumprimento do teto constitucional”.

A mão que afaga Michel Temer agradeceu, por telefone, empresários que defenderam ações enfáticas a favor da reforma da Previdência. No evento do Lide, sexta (21), Antônio Imbassahy (Secretaria de Governo) fez ligação para que o presidente falasse, por exemplo, com Rubens Ometto, da Cosan.

Em último caso Para evitar desgaste, o governo decidiu só solicitar aos partidos que troquem integrantes da comissão especial que discute mudanças nas regras de aposentadoria se o placar piorar até o dia da votação.

Deixa estar O Planalto avalia, por exemplo, que deslocar Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), um dos críticos da proposta, traria muito mais prejuízo pelo barulho que ele faria no plenário do que o estrago de um voto a menos no colegiado da Câmara.

São Tomé O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), exibiu à bancada do PTN uma foto do despacho de Eliseu Padilha (Casa Civil) com a nomeação do novo presidente da Funasa. A sigla esperou tanto pela indicação que só acreditou vendo.

Não existe vazio Nomes que se consideravam fora da disputa por cargos majoritários em 2018 vislumbram participar da eleição após a avalanche disparada pela Lava Jato. Andrea Matarazzo (PSD-SP) está nesse grupo.

Perdeu Depois que João Doria acabou com a impressão do “Diário Oficial”, o Sindicato dos Gráficos obteve liminar que reverte as 400 demissões na Imprensa Oficial.


TIROTEIO

Tentando se proteger de juízes, procuradores e policiais, parlamentares se esquecem que em 2018 o eleitor é quem vai usar sua autoridade.

DO SENADOR CRISTOVAM BUARQUE (PPS-DF), sobre os colegas do Congresso que defendem a aprovação do projeto de lei que pune o abuso de autoridade.


CONTRAPONTO

Vai que não volta 

O governo avaliava votos para a reforma da Previdência na Câmara e diagnosticou poucas adesões na bancada de Pernambuco.

Um auxiliar propôs, então, que o presidente Michel Temer pedisse a um dos quatro ministros do Estado que se afastasse do cargo para voltar à Câmara, garantindo voto a favor do texto.

Quando percebeu que seu nome era o que surgia na roda de apostas, o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, retrucou:

— Logo eu?!

Sua sigla, o PSB, resiste ao texto e foi alvo de cobranças por fidelidade por tê-lo indicado à pasta.