Temer vai usar derrota na Câmara para cobrar PSB e PPS de olho em apoio à reforma da Previdência

Por Painel

Vai ter volta O governo vai usar a reprovação do pedido de urgência para a votação da reforma trabalhista na Câmara para cobrar fidelidade de ao menos dois partidos que atuam de maneira dúbia, o PSB e o PPS. O líder do PPS, sigla que tem dois ministérios, votou contra e liberou a bancada. No PSB, 19 dos 31 deputados presentes sabotaram o requerimento. Michel Temer não deu tom de crise à derrota, mas vai usá-la como antídoto para novas traições, de olho nas mudanças na Previdência.

Caça às bruxas As legendas serão questionadas sobre sua representação no governo. O PSB, por exemplo, tem o Ministério de Minas e Energia. “Nunca ocupou espaço semelhante nos governos Lula e Dilma. Se o partido não está feliz, a bancada de Minas vive cobrando uma pasta”, diz um auxiliar de Temer.

Piscou cedo Na Câmara, sobraram críticas ao presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que teria “cochilado” na articulação. André Moura (PSC-SE), líder do governo no Congresso, também foi alvejado, mas o Planalto limpou a barra: ele estava no Senado debatendo medidas.

Sem verba O Planejamento estuda limitar os reajustes salariais de funcionários de estatais neste ano a um índice inferior à inflação medida pelo INPC. Há técnicos na pasta que pregam ainda mais rigor: zero de aumento.

Pare agora O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) vai pedir vistas do projeto de abuso de autoridade, cujo relatório será apresentado por Roberto Requião (PMDB-PR) nesta quarta-feira (19).
Pegadinha Requião colocou no texto trecho que abre a possibilidade de qualquer cidadão que se sinta prejudicado pela atuação do Ministério Público ou do Judiciário alegar abuso de autoridade.

Infiltrado O dispositivo que pode retaliar investigadores preocupa a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba. Assim que Requião liberou o texto no sistema do Senado, Randolfe enviou cópia ao procurador Deltan Dallagnol.

Ninguém durma Movimentos da esquerda vão usar a insatisfação de sindicatos com as reformas para a ressuscitar o “fora, Temer” e o grito por eleições diretas. Dia 28, as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo vão se somar aos atos de greve e marchar até a casa de Temer em SP.

Alerta vermelho Operadores do mercado financeiro passaram os últimos dois dias fazendo projeções oficiosas sobre uma possível delação do ex-ministro Antonio Palocci (PT). Tentam preparar o ambiente para uma “reação rápida”, que evite a contaminação de todo o sistema.

Sonho meu Dentro do PT há uma expectativa de que Palocci desista da delação. Os menos otimistas direcionam apostas para fórmula quase irreal: que a proposta de colaboração dele poupe o partido e foque em suas relações com o empresariado.

Efeito cascata Empresas que não foram mencionadas diretamente, mas participaram de obras citadas na delação da Odebrecht, buscaram advogados no último fim de semana para estudar formas de propor colaboração à Justiça ou traçar linha de defesa.

Salve-se quem puder O movimento ocorreu em companhias que prestaram serviços à Petrobras e que participaram de obras no Distrito Federal e em São Paulo.

Retiro espiritual Delatado pela Odebrecht, o governador Geraldo Alckmin tem evitado atividades externas e limita sua agenda a despachos internos e eventos dentro do Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo.

Air Force One O prefeito João Doria (PSDB-SP) voou para Roma em sua aeronave particular, segundo aliados. Ele fez uma parada na Ilha do Sal para reabastecer.

Visita à Folha Roberto Kalil Filho, presidente do Conselho Diretor do InCor (Instituto do Coração) e Fabio Jatene, vice-presidente da instituição, visitaram a Folha, nesta terça-feira (18), onde foram recebidos em almoço. Estavam acompanhados de Rita Amorim, assessora de imprensa do InCor, e Sandra Brasil, diretora da Máquina Cohn & Wolfe.


TIROTEIO

Eliana Calmon disse que a Lava Jato chegará ao Judiciário. Está enganada: já chegou. E foi ao apontar caixa dois na campanha dela.

DO MINISTRO JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, corregedor nacional de Justiça, sobre entrevista à Folha na qual Calmon diz que a Justiça tem sido blindada.


CONTRAPONTO

Em nome do pai…

Na segunda (18), o ministro do STF Alexandre de Moraes dava palestra sobre segurança pública a empresários do Lide, quando indagou:
— Um dos chavões da segurança é: “Temos que acabar com a Polícia Militar”. E vai colocar o que no lugar?
— Pergunte ao Espírito Santo se ele quer que acabe com a polícia — emendou. Notando certa confusão, o magistrado esclareceu, arrancando risos da plateia:
–Não “O” Espírito Santo, aos capixabas. Embora Ele também pudesse responder!