Empresários dizem a Temer que ele deveria cobrar mea culpa da PF sobre coletiva da Carne Fraca

Por Painel

Ajoelhar no milho A preocupação com o impacto que a queda nas exportações de carne pode ter na economia dominou o jantar que Michel Temer teve, nesta quinta (23), com alguns dos maiores empresários do país. O presidente disse que tem feito tudo o que está ao seu alcance para minimizar as restrições à mercadoria nacional, mas foi cobrado a ser mais enfático. Disseram a ele que é preciso pedir um mea culpa público da Polícia Federal sobre a coletiva que apresentou a Operação Carne Fraca ao mundo.

Más notícias O assunto mobiliza pela magnitude das cifras e dos números movimentados pelo setor, que responde por seis milhões de empregos. O Planalto já recebeu aviso de que a JBS, por exemplo, não vê alternativas a não ser começar a demitir.

Pague o pato Henrique Meirelles (Fazenda) telefonou irritado para o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, para reclamar da nova leva de anúncios promovida pela entidade sob o mote: “o que é isso, ministro?”. As propagandas questionam a disposição do governo de aumentar impostos para equilibrar as contas públicas.

Assim não Meirelles ficou incomodado com a “fulanização”. Disse a auxiliares que a Fiesp poderia reclamar à vontade, mas não precisava tê-lo transformado no centro da polêmica.

A real Na Fazenda, técnicos dizem que o que realmente incomoda a Fiesp é a reoneração de alguns setores que têm isenção fiscal. Para eles, a entidade se agarra à imagem de que luta contra impostos porque a causa é pop.

Divã Articuladores do governo vão usar este fim de semana para analisar a votação da terceirização na Câmara. Querem entender por que, apesar da vitória por 231 votos, não chegaram perto dos 308 necessários para aprovar a reforma da Previdência.

Deixa disso Deputados que aprovaram a terceirização se irritaram com a possibilidade de o projeto ser suavizado pelo Senado. Não só eles. Em jantar, nesta quinta (23), empresários disseram a Temer que o texto votado na Câmara é o ideal.

Panos quentes Com o impasse, o Planalto busca alternativas. Uma proposta é manter o texto da Câmara até o fim e deslocar as propostas que estão no projeto do Senado para a reforma trabalhista.

 

Cenas explícitas O fato de João Doria (PSDB) ter exibido a marca de um de seus projetos em jogo de futebol com transmissão nacional provocou profundo desconforto em aliados do governador Geraldo Alckmin (PSDB).

Ele sabia A propaganda –bancada pelo dono da Ultrafarma, Sydney Oliveira– foi anunciada por um auxiliar de Doria aos demais secretários em sua última reunião com toda a equipe.

Começou Com a disputa por protagonismo, veio o fogo amigo. Aliados de Alckmin dizem que o projeto Trabalho Novo, de Doria, é uma cópia de ação lançada pelo Estado, em 2003, para empregar adolescentes da antiga Febem no Mc Donald’s.

Vai vendo Donos de páginas anti-PT notaram uma mudança no comportamento de sua base social nas redes. Antes quase unanimidade entre esses usuários, a hashtag #Bolsonaro2018 começou a sofrer com a concorrência da #Doria2018.

São Tomé O governo sabia que a CNBB se manifestaria contra a reforma da Previdência. Representantes da entidade estiveram no Planalto no início da semana e conversaram com auxiliares de Temer dois dias antes de emitirem uma nota crítica.

Penitência O presidente foi convidado a assistir a encenação da Paixão de Cristo na cidade-teatro de Nova Jerusalém, em Pernambuco. Auxiliares de Michel Temer dizem que ele ainda não decidiu se vai ao evento.

 


TIROTEIO

Gosto de Doria, mas foram impróprias as falas dele sobre o presidente de honra do PSDB, que apenas fez uma análise conjuntural do partido

DO PRESIDENTE DO PSDB, SENADOR AÉCIO NEVES (MG), sobre o prefeito de São Paulo ter dito que Fernando Henrique Cardoso errou ao prever sua derrota


CONTRAPONTO

Jogando para a plateia

O presidente Michel Temer discursava no lançamento do Portal Único do Comércio Exterior, no Palácio do Planalto, nesta quinta-feira (23), quando decidiu interromper a própria fala.
Ele fez a pausa logo após sucumbir à tentação de usar uma de suas já famosas mesóclises, “dar-se-ia”, em meio a comentários sobre a melhora no ambiente econômico.
— Peço perdão. Dar-se-ia, não. Se daria.
Diante dos risos que sucederam a correção, Temer explicou, ainda no microfone, o motivo do esforço para mudar seu estilo:
— É para não ser criticado, né? Acham que é feio…