Acordo entre TCU e Lava Jato deve levar Odebrecht, Camargo e Andrade a fazer recall de leniência

Por Painel

Segunda chamada Odebrecht, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez, as três grandes empreiteiras que fecharam acordo de leniência com a Lava Jato, devem ser chamadas a prestar novos esclarecimentos, com foco nas irregularidades apuradas pelo Tribunal de Contas da União na usina de Angra 3. O recall será motivado por entendimento firmado entre a força-tarefa e o ministro do TCU Bruno Dantas, relator do processo que apura fraudes nas obras eletromecânicas do empreendimento no Rio.

Jeitinho A área técnica do TCU recomendou que o ministro declarasse a inidoneidade de todas as sete empresas que participaram das obras em Angra 3. Dantas, então, procurou integrantes da Lava Jato em Curitiba para evitar que o entendimento do tribunal inviabilizasse os acordos de leniência firmados pela força-tarefa.

União estável O acerto entre o ministro e a Lava Jato prevê que as empresas que fizeram leniência terão 60 dias para refazer explicações sobre Angra 3. O julgamento do caso no TCU está marcado para quarta-feira (22). O dano calculado é de cerca de R$ 400 milhões.

Venha Dirigentes do PMDB querem filiar o líder do governo no Congresso, André Moura (PSC-SE), à sigla, mas nem todo o partido está disposto a recebê-lo. É preciso convencer o governador Jackson Barreto, rival de Moura em Sergipe, e o senador Renan Calheiros (AL), que já fez ataques ao deputado.

Futuro Aliado de Eduardo Cunha e representante do “centrão”, Moura quer disputar o Senado em 2018 e conta com a simpatia dos outros sete deputados do Estado.

Precaução Presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE) decidiu adiar a votação da nomeação do subchefe de assuntos jurídicos da Casa Civil, Gustavo Rocha, para o Conselho Nacional do Ministério Público depois que governo farejou articulação de Renan Calheiros para derrubar o nome indicado por Michel Temer.

Negócios à parte Visto como aliado número um do governo, o PSDB da Câmara promete dar trabalho ao ministro Henrique Meirelles (Fazenda) em reunião sobre a reforma da Previdência, na terça (21). Líder da sigla, Ricardo Tripoli (PSDB-SP) diz que “há pontos importantes que podem ser melhorados”.

Estica e puxa Sob pressão após o relator da reforma da Previdência, Arthur Oliveira Maia (PPS-BA), sinalizar que pretende acabar com benefícios concedidos a instituições filantrópicas, o governo passou a admitir a possibilidade de fazer uma mudança mais amena.

Poker face O ministro Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência) reconheceu que o nervosismo no leilão para concessão de aeroportos durou até o último segundo. “Falei com o leiloeiro… Do jeito que fala, pausadamente, eleva a tensão no ambiente ao nível de um jogo disputado de pôquer!”

Assim não O Palácio do Planalto ficou extremamente irritado com o que considerou um estardalhaço sem precedentes feito pela Polícia Federal na divulgação da Operação Carne Fraca, que atingiu gigantes do setor de carnes.

Batedor de carteira O discurso de aliados de Michel Temer é o de que a PF transformou um caso de suborno a fiscais “punguistas” e fraudes localizadas em um problema sistêmico, com ampla repercussão internacional.

Dói no bolso Na tentativa de não perder muito dinheiro, o governo se prepara para enviar missões ao exterior para dirimir a ideia de que a carne brasileira é podre.

Recordistas Juntas, JBS e BRF, duas das atingidas pela Carne Fraca, doaram R$ 384,9 milhões a políticos em 2014. Só a primeira, dona da Friboi, distribuiu R$ 366,8 milhões entre 25 partidos.


TIROTEIO

É impressionante como parte do PMDB e do PP rigorosamente cumpre aquele ditado popular que diz que a carne é fraca. 

DO DEPUTADO FEDERAL SILVIO COSTA (PT do B-PE), sobre a Operação Carne Fraca, que aponta pagamento de propina a filiados desses partidos.


CONTRAPONTO

Só pensa naquilo

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), viajou ao Rio de Janeiro, na terça (14), a convite da Academia Nacional de Medicina para acompanhar a solenidade de posse de Paulo Hoff, eleito membro titular na cadeira nº 58 da Secção de Medicina. Hoff é diretor-geral do Instituto do Câncer do Estado.

Alckmin, que é médico, foi questionado por um dos presentes sobre o que aprendera naquela noite, em meio às cabeças mais ilustres da medicina brasileira.

O governador disparou:

— Sempre aprendo muito nesses encontros, mas hoje vim aprender com Paulo Hoff como ganhar uma eleição.