Empresários buscam o Planalto para reclamar de recursos travados no BNDES

Por Painel

Mãos fechadas Empresários levaram ao Planalto nesta terça (7) insatisfação com o que chamam de “caixa travado” do BNDES. A principal reclamação do grupo, formado principalmente por industriais, é a de que o banco precisa ter um papel mais ativo na recuperação econômica. Dizem que, após a Lava Jato, suas decisões ficaram “amarradas” e querem um comando que imprima mais celeridade às ações. Ainda reclamam dos R$ 100 bilhões que foram devolvidos ao Tesouro no ano passado.

Tô contigo No início do ano, quando já circulavam críticas no meio empresarial, a presidente do banco, Maria Silvia Bastos Marques, apresentou um balanço das ações a Michel Temer. E ouviu elogios do peemedebista.

Mapa Além de conseguir demonstrar força política ao iniciar as votações no Congresso pelo projeto mais simples — o da terceirização — o Planalto tem um benefício prático com a estratégia: pode mapear deputados dissidentes para enquadrá-los até a reforma da Previdência.

Muda mais Em conversas com deputados críticos à reforma, interlocutores de Temer têm feito um pedido: que sempre que o parlamentar for atiçar as bases contra o projeto, que deixe claro que o governo não está avesso a conversar sobre mudanças.

Sempre ele O ex-chanceler José Serra só chegou à posse de seu sucessor, Aloysio Nunes Ferreira, dez minutos depois de Temer já ter começado a falar, quase no fim do discurso do presidente. Apesar de habitual, o atraso foi sentido no Planalto.

Capilaridade O governo pensa em uma maneira de capitalizar as obras feitas em convênio de Estados e prefeituras com a União. Quer enfatizar a participação de recursos federais nos projetos.

Continência O deputado Capitão Augusto (PR-SP) presidia uma sessão na Câmara nesta terça (7) fardado quanto foi avistado por Jair Bolsonaro (PSC-RJ). “Agora sim temos presidente. Assume logo isso aí!”, gritou o colega.

A postos O Superior Tribunal de Justiça se prepara para receber os casos de quatro governadores a partir da segunda lista de Rodrigo Janot: Geraldo Alckmin (SP), Fernando Pimentel (MG), Luiz Fernando Pezão (RJ) e Raimundo Colombo (SC).

Dito e feito A 1ª turma do Supremo derrubou liminar que libertava um condenado por homicídio. O voto de Luís Roberto Barroso prevaleceu com o argumento de que decisão de Tribunal de Júri deve ser executada mesmo antes de julgamento de recurso.

Espelho O ministro Marco Aurélio Mello adotou linha oposta ao libertar o goleiro Bruno, após recurso da decisão do Tribunal de Júri de Contagem (MG), que o condenou a 22 anos de prisão. O caso ainda será submetido à primeira turma.

Até tu Apesar de o líder do PT na Câmara paulistana, Antonio Donato, ter dito que o partido não participaria de encontros com João Doria, três vereadores petistas foram à reunião com o prefeito: Eduardo Suplicy, Alessandro Guedes e Reis nesta terça (7).

Desequilíbrio Para vereadores da base, a posição dos petistas acendeu um alerta sobre a força da oposição a Doria — mas se mostraram satisfeitos com a disposição do prefeito em debater seu programa de desestatização.

Me ajuda a te ajudar O tucano Cauê Macris prometeu manter o PT na primeira secretaria da Assembleia de SP e entregar duas suplências na Mesa para o “bloquinho” se tiver o voto do grupo na disputa pelo comando da Casa. Ele é o favorito.

Pense bem O candidato do “bloquinho”, Carlos Cezar (PSB), disse ao PT que entregaria o mesmo. Petistas avaliaram que se apoiarem o candidato, que deve perder, ao menos, não arcariam com o custo de votar em um tucano.


TIROTEIO

Se o conselho diz representar a sociedade, precisa abandonar a questão política e ouvir dos beneficiários se querem ou não o projeto.

DE OSMAR TERRA, ministro do Desenvolvimento Social, sobre decisão de um conselho paulistano de não autorizar o programa Criança Feliz na cidade.


CONTRAPONTO

Que mundo é esse?

No jantar que Michel Temer promoveu no Palácio do Alvorada para apresentar aos deputados a reforma da Previdência, Henrique Meirelles decidiu pintar um quadro muito otimista do ambiente econômico.

Entre uma garfada e outra, o ministro da Fazenda falou sobre sua expectativa de que o PIB crescesse 2% neste ano e disse que já começava a ver sinais que permitiam a entrada de capital estrangeiro no país.

Atento, um dos convidados virou-se para Daniel Vilella — que, assim como Meirelles, é goiano — e disparou:

— Lá em Goiás já está assim, é? Porque no meu Estado ainda não vejo nada disso!