Planalto interrompe pagamento de emendas antigas em 2017 e inquieta base aliada

Por Painel

Tem, mas acabou Em meio aos esforços para recompor as relações com o Congresso, o Planalto se depara com mais um ingrediente que deve gerar insatisfação de sua base. Em 2017, o governo ainda não liberou recurso algum para as obras que haviam sido indicadas por emendas dos parlamentares em anos anteriores e já estavam em execução. A justificativa é a de sempre: falta dinheiro. A queixa crescente, que vem principalmente de prefeitos e deputados, já chegou a ministros de Michel Temer.

Vida que segue O Planalto informa que tem “trabalhado para efetuar a primeira liberação de recursos com a prioridade devida”, mas que “não é possível, neste momento, definir data” para o pagamento inicial do ano.

Tempo presente As emendas do Orçamento de 2017 tampouco foram pagas, mas a previsão inicial já era a de que os desembolsos só começariam em março.

A gente entende Apesar das queixas da classe, o presidente da Frente Nacional dos Prefeitos, Márcio Lacerda, disse ao ministro Antonio Imbassahy que a ajuda do governo a políticos pode esperar diante da crise econômica e da necessidade de reformas.

Paciência “Lógico que os prefeitos precisam das suas emendazinhas, mas o país precisa sacudir essa crise”, argumenta Márcio Lacerda.

Dá que é meu Assim que surgiu a possibilidade de André Moura ocupar a liderança do governo no Congresso, o PMDB reivindicou de volta a Procuradoria da Câmara, que o partido havia cedido ao deputado quando ele deixou de ser líder de Temer na Casa.

Palavras cruzadas Há no próprio Planalto a avaliação de que pode existir conflito de interesses caso o criminalista Antônio Cláudio Mariz assuma uma assessoria especial para tocar a questão prisional sem se afastar de casos em que advoga.

Esse aí passou Temer não precisa, necessariamente, seguir esse entendimento.

Na gaveta Rodrigo Maia arquivou, no fim de fevereiro, um dos pedidos de impeachment contra Temer. A ação tinha ainda como alvo ministros do STF e até vereadores.

Contando Dos seis pedidos já feitos contra o presidente, três foram engavetados e três continuam em análise.

Sem vaca amarela Impressionou envolvidos no processo de tomada de depoimentos dos delatores da Odebrecht a irritação do ministro Herman Benjamin, do TSE, com o vazamento do conteúdo dos depoimentos tão logo as oitivas foram encerradas.

Sem escala A menos que alguém frete um avião,os envolvidos na maratona de depoimentos terão de pegar o mesmo voo entre Salvador e Brasília na segunda (6) — o único que atende ao horário apertado da turma que acompanhará as duas sessões.

Muda mais O governo quer publicar neste mês portarias que alteram regras de funcionamento do Minha Casa, Minha Vida. Uma delas evitará condomínios com até 4.000 unidades, como existem hoje, e limitará os conglomerados a 500 casas.

Via expressa Outra vai simplificar a contratação de unidades em pequenos municípios, cujas prefeituras precisavam, até então, fazer a ponte com construtoras.

Azedou O governo de Minas não gostou nada da resposta do Ministério da Fazenda de que não há acerto de contas a ser feito — o Estado pedia à pasta para que um crédito de ICMS fosse compensado antes de iniciar a renegociação de sua dívida.

Caminho único “Tudo hoje acaba no Supremo. Morreu a política na mão de tecnoburocratas. Não é o jeito mineiro de resolver as coisas”, disse o advogado-geral do Estado, Onofre Batista, que deve recorrer à corte para tentar reaver os recursos.


TIROTEIO

Se for previdente, Temer recua da reforma da Previdência. Ou dependerá de providência divina para sobreviver na política.

DO DEPUTADO ORLANDO SILVA (PC DO B-SP), sobre a resistência de parlamentares, mesmo da base aliada, a aprovar a proposta do governo Michel Temer.


CONTRAPONTO

Salvo pela grelha

Ansioso para voltar ao Brasil depois do exílio, no final dos anos 1970, José Serra estudava em Princeton (EUA) e se aproximou de Paulo Francis, que morava em NY.

O comentarista o ajudava a articular com conhecidos no Itamaraty seu retorno ao país e Serra dava uma força com números que Francis precisasse checar.

Em um sábado, o jornalista foi visitar o amigo, que planejava recebê-lo com um churrasco. Ao chegar em casa, Serra percebeu que a churrasqueira quebrara e se desculpou, envergonhado. Francis, sincero, respondeu:

— Não se preocupe, Serra. Fico feliz, porque detesto churrasco.